14 de abril de 2026

[Edgelord] Mito de formação: O Nascimento da Montanha Morta

 A Agonia da Fera Colossal: 

O Nascimento da Montanha Morta


Nos tempos em que os Deuses ainda caminhavam entre os homens, e o horizonte não era uma linha, mas uma fronteira viva, erguia-se a Guerra dos Dois Horizontes.

E nela, dois nomes eram mais temidos que exércitos:

Aetíades e Bophades, os Irmãos do Limiar.

Enquanto pisassem o solo de Chiller, eram inquebráveis. Não apenas fortes, mas parte da própria terra. Ferir um deles era como tentar cortar o vento com lâmina.

Os invasores de Hel-thor entenderam cedo:
não venceriam os irmãos… lutando honestamente.

O Estratagema de Hel-thor


Do além-mar, trouxeram algo que não deveria existir.

Uma criatura colossal.
Antiga. Silenciosa. Paciente.

Um titã de carne e pedra que dormia de olhos abertos, cuja pele imitava montanhas e cujas costas podiam sustentar florestas inteiras.

Eles a posicionaram na foz do grande rio.

E esperaram.

Quando o chamado da batalha ecoou, Aetíades e Bophades avançaram — confiantes, como sempre foram. O chão sob seus pés era firme.

Mas não era Chiller.

Era carne estrangeira.

O Primeiro Sangue


Naquele falso solo, pela primeira vez, lâminas encontraram carne divina.

E o impossível aconteceu.

Os Irmãos sangraram.

O impacto não foi apenas físico — foi um abalo no próprio tecido da guerra. Durante eras, Aetíades e Bophades haviam sido absolutos, intocáveis, quase conceitos em forma de guerreiros.

Agora… eram carne.

Mas os invasores cometeram um erro fatal.

Porque os Irmãos do Limiar não eram invencíveis apesar da batalha.

Eles eram invencíveis por causa dela.

O sangue caiu quente sobre a superfície da criatura.
E, junto com ele… veio a fúria.

Não uma fúria cega — mas algo mais antigo. Mais profundo.
Uma resposta primordial à violação.

Eles lutaram feridos.
E por isso lutaram com o dobro de fúria.

Cada golpe carregava dor.
Cada movimento, resistência.
Cada respiração, uma recusa em cair.

Se antes eram como a terra — firmes e eternos — agora eram como um vulcão em ruptura.

Imparáveis.

A criatura sob seus pés começou a reagir, intoxicada pelo sangue divino. Seu corpo colapsava enquanto os irmãos avançavam, não recuando um único passo.

Os inimigos, que haviam esperado ver deuses sangrarem…
testemunharam algo pior:

Deuses que sangram — e ficam mais fortes por isso.

E assim, mesmo feridos, mesmo pela primeira vez vulneráveis…

Aetíades e Bophades venceram.

Não porque não podiam cair.

Mas porque, naquele momento,
se recusaram a cair com uma fúria que o mundo ainda não havia visto.

A fera estremeceu.


Não de dor comum, mas de rejeição absoluta.

O sangue dos Irmãos do Limiar era puro demais, antigo demais, real demais para aquele corpo que não pertencia àquele mundo. Era veneno. Era sentença.

A criatura morreu lentamente, em convulsões que dobraram o horizonte e rasgaram o rio.

A Montanha Morta


Quando o titã cessou seus movimentos, seu corpo não desapareceu.

Ele ficou.

E apodreceu.

Sua pele escureceu até um negro opaco, frio ao toque, como se a própria morte tivesse se solidificado ali. Seus sulcos se encheram de água parada, dando origem a pântanos densos e venenosos.

Assim nasceu a região que seria temida por eras:

A Montanha Morta.

O Ferro Frio e o Ferro Quente


Da carcaça da criatura, dois legados surgiram — opostos como os próprios horizontes em guerra.

Ferro Frio
Seus ossos fossilizados se tornaram um metal negro, pesado e silencioso. Um material que não refletia luz… e parecia devorar magia.

Armas feitas dele não brilhavam.
Elas apagavam.

Foi com esse ferro que Blunt ergueu a Torre Alta — uma prisão feita não para conter corpos, mas para sufocar o próprio espírito. Diz-se que suas paredes ainda sussurram com ecos da fera que lhes deu origem.

Ferro Quente
Onde o sangue dos irmãos se acumulou, o minério reagiu.

Não esfriou.

Nunca.

Ali, o ferro pulsa, como se tivesse coração. Vermelho nas profundezas, vivo, instável — carregado de um poder que não pode ser forjado sem sacrifício.

Hamme, a Armeira de Hatamon, foi a primeira a compreender o segredo:

Somente o sangue dos aasimares herdeiros de Aetíades poderia despertar o ferro adormecido… e transformar ferro frio em ferro quente.

Foi assim que nasceu a lendária armadura:

Vigília Sombria.

Não apenas proteção.
Mas memória viva da guerra.

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