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13 de fevereiro de 2026

EDGELORD IV - Arco da Nova Guarda

 Meu pai é o maior vilão da história. Mas vem aí um novo desafiante!

Capítulo IV — O Pacto da Meia-Noite

Bem-vindos a Shén-Li



Chamam este lugar de “o Coração do Mundo”. Não por tamanho, nem por riqueza… mas porque eu não conheço nada além disso.


Há dezessete anos, antes mesmo de eu nascer, Shén-Li quase caiu. Um Senhor da Guerra ergueu-se das zonas selvagens; chamava-se Lorde Blunt. Portava uma espada sombria que lhe concedia um poder devastador. Dizem que heróis o detiveram — ou talvez não. Tudo o que eu sabia sempre ficou… confuso.


Fui assistente de ordens do Capitão Khao. Tive aulas de história com o Mestre-Mentor Achima. Recebi minha insígnia como aspirante de Balmon da Torre da Bigorna.


Sou filho da Dama do Arco, a arqueira lendária — Lady Àquela.



Como todos eles puderam mentir para mim? Para mim… e para o povo de Shén-Li?


Mas então penso: haveria paz se todos soubessem que eles nunca poderiam deter Lorde Blunt? Que o chamado “Senhor de Todo o Mal” simplesmente… cansou? Decidiu parar?

 E quantos problemas menores foram evitados porque o Bruxo da Armadura Sombria apontava para onde olhar?


Com a morte de Ga-shi, toda a cúpula em três níveis da antiga horda foi desfeita. Isso é bom, não é? …Então por que agora a Horda de Blunt seria a **Nova Guarda**?


Meu nome é Bentho, tenho dezessete anos. Estou de costas para o mesmo quadro que observei todos os dias antes de partir para o Forte Jian, onde me apresentava como cadete paladino. Mestre Achima o reconstruiu com magia, mas eu não consigo deixar de ver onde ele foi danificado. Por isso tento não ver, mas é a imagem que tenho mais firme em minha memória.


Ali está meu pai, de joelhos. Minha mãe — triunfo? Surpresa? Já não sei. Os três capitães que eu idolatrava e o palácio que jurei proteger. O salão está vazio agora que a reunião acabou; estou sozinho. Lá fora, ouço passos, marchas e cornetas; a Nova Guarda quer mostrar serviço. Quase todos os cadetes, soldados e tenentes estão de plantão. Aqui dentro… só eu.


Há uma hora eu deveria ter ido ao meu quarto ou aos aposentos dos meus pais. Embora esta seja a sede da Nova Guarda, só minha mãe reside aqui permanentemente, com meu pai. O escriba. O arquivista medíocre. O velho constrangedor. Meu Deus… O primeiro e único Lorde Blunt.


— [Bentho… pode me ouvir?].


A voz de uma mulher madura, firme, com uma gentileza calculada, ecoa. Pode vir da escadaria leste, da passagem de serviço ou da muralha interna que descobri aos catorze anos. Ou do próprio quadro; não estou concentrado a ponto de identificar.


— Já vou, mãe — respondo, atordoado, sem coragem de olhar para trás. — Eu sei que você quer conversar.... 


— [Então você pode me ouvir…] — a voz insiste. — [Porque precisamos mesmo conversar…]

— Pode ser outra hora, mãe?.

A frase seguinte quase me faz desmaiar: [Por que você me chama de “mãe”?]


Não era Lady Àquela. A voz não vinha do salão, nem das passagens, nem do quadro. Ela vinha de dentro da minha cabeça. Caio de joelhos; levanto-me como posso. Olho para o quadro, mas foco no canto superior esquerdo. Uma luz arroxeada antecede um rasgo ínfimo no começo. O tecido se rasga com cuidado… por cerca de oitenta centímetros de comprimento. Então, sem delicadeza alguma, a empunhadura força a saída.



Uma lâmina negra emerge, perfeitamente horizontal. Flutua por um instante… até a gravidade vencê-la. A ponta toca o chão, exatamente a um metro de mim. Ela é longa; uma Longsword arcaica, mas funcional. Pesada no olhar, esculpida para ser a arma definitiva de um conquistador bruxo.


— Você tem… a voz da minha mãe — observo, em choque. 

— [Eu não tenho voz.] — responde, com neutralidade antiga. — [O usuário imagina como eu soaria. Se você ouve a Dama do Arco, isso diz mais sobre você do que sobre mim. Considere terapia.] 

— V-você é a… Espada Negra!. 

— [Pelo amor de Bophades!] — ela protesta. — [Isso é um diminutivo! Se eu fosse viva, seria racismo. Vamos, você sabe meu nome verdadeiro.]. 

Estendo minha mão.

— Espada de Blunt! — digo, tentando ser triunfante. 

— [Caralho… sério?! Passei um tempinho com um bruxo proeminente e viro um apêndice do currículo dele? E se eu te chamasse de “Filho da Àquela”, hein, Bentho?] — Ela suspiraria, se o aço pudesse suspirar. — [Aprenda meu nome, mortal: Eu sou GLÁDIUS AETERNUM.].


 [Doze mãos de conquistadores me empunharam antes do seu pai. Doze tiranos que só queriam ver o mundo queimar.] — a espada vibra. — [Mas o décimo terceiro, o homem que você chama de Estebán, fez algo que eu não esperava: ele me ensinou o silêncio. Ele quis paz. Ele quis você.]

Meu pai — Estebán — chegou a quase conquistar o mundo, mas um dia quis paz, família e quis que ela se retraísse. Ela obedeceu, pois a Gládius Aeternum dá ao bruxo o que seu coração anseia. Não sei como… mas eu entendo isso. 

— [Décimo terceiro teve o que desejou... Bentho. O primeiro a me empunhar sabendo que a 'justiça' é uma farsa. O que o décimo quarto portador tem a oferecer?]. 

— Q-Quem? — pergunto. - Quem é esse décimo quarto?

— [Sério que você não entendeu aonde eu quero chegar? Isso era para ser uma pergunta retórica. VOCÊ, seu animal! Bentho herdeiro de Lorde Blunt! Proteja-me Aetiades sagrado!]. 

— Eu?!? - espanto-me Juro que não fiz a associação, suava às bicas. -  já fiz o primeiro sacramento para ser paladino! Isso não é um "impeditivo"? 

— [Ish. Nojento... Mas funcional. Sinergia. É... Posso trabalhar com isso...] - Gladius "nome difícil" parecia recalcular seus planos. - [Seu pai era um camponês quando eu o peguei; vamos ver o que faço com alguém que puxa ferro...]. 

— Eu não ... nunca pensei em ser um vilão!. 

— [Ninguém nunca quer. Você quer ser amado. Admirado. Quer ser entendido. Quer ser algo que ainda não é.]

E então eu entendo. Se o mundo foi moldado por heróis que mentem… Por que não… Ser um vilão? É como se meus pensamentos e o coração de ... Vou chamar ela de "Gladys" ... Estivessem entrando aos poucos em uma sintonia. Ela me entende. Ela entende o que eu não entendo.

Seguro a empunhadura. Tacitamente aceito o pacto.

— Eh... Eu… aceitei! - falo ao perceber que Gladys não percebeu o que eu fiz.

— [Vocalize da próxima vez: "Eu aceito o pacto".]. 

— EU ACEITO O PACTO! — falo, enfim, com um certo ranço. — E agora? Algum show de luzes ou AAAHHGGG!.

Uma dor em meu peito. Meu coração parece pular uma batida. A mente, tantas coisas passam por ela...

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 A DONJON


A Donjon — a Torre Alta — não é imponente por altura, mas por intenção.

Foi a ostentação de poder de Lorde Blunt no passado… e sua vitrine no presente.

Pedra antiga. Escura. Polida pela paranoia. Dizem que o miolo possui chapas de Ferro Frio da Montanha Morta, que impedem teleporte e escaninhos mágicos. Mas fora isso, nenhum ornamento. Só função.

Subo os degraus tentando não pensar em como passei pelos sentinelas da base.

No último patamar, duas figuras. Eles são figuras constantes no castelo. Vestem Meia-armaduras com tema de águias. Lanças apoiadas. Relaxados.

— Oh — diz um deles. — O Herói da Hora.

— Depois de grampear o Ga-shi? — o outro ri. — Achei que iam te colocar pra discursar na capital.

Respiro fundo. Endireito os ombros. Minha voz muda antes que eu perceba — Senhorita Amellie, a instrutora de ópera, teria orgulho.

— Ordens do Conselho. — sorrio, cansado. — Disseram que eu precisava aprender como se vigia um vilão de verdade. Promoção informal. Podem começar a me chamar de “chefe”.

Eles se entreolham.

— Sozinho?

— Sem capitão?

— Sem registro?

Meu sorriso falha por um microssegundo.

— A gente gosta de você — diz um deles. — Mas isso aqui é Blunt. Mesmo preso.

Nada cola.

— Desce da torre, garoto — diz o outro, gentil. — Antes que precise reportar no relatório.

Droga.

Fecho os olhos.

— [Vai recuar?] — a voz provoca. Só eu ouço, se as instruções estavam certas. — [Não vai pegar o que é seu?]

Abro a mão.

A espada existe **antes de existir**.

Leve. Estranhamente leve.

Os dois congelam.

— Ei ... Essa aí não é a...— O primeiro reconhece.

— Calma — O segundo não acredita que eu cruzaria a linha, mas o treinamento começava a vir como memória muscular.

— Não quero ferir vocês — digo rápido. — Só não posso voltar agora.

 Eu não quero feri-los gravemente_ainda_. A espada entende. Ela realmente busca o que meu coração deseja. Eu sou um lutador treinado, mas precisaria de mais para conseguir assegurar o prêmio.

Sei onde pisar.

Como girar o quadril.

Quanto da força colocar — não no braço, mas na convicção. Ela ajuda com o resto.

— [Controle o impacto] — ela murmura. — [um Golpe "Booming" deve bastar].

Dou um passo à frente.

Quando a lâmina desce, não rasga.

Ela detona.


O ar estala como um trovão preso. Um golpe envolto em energia vibrante que não se dissipa — ela espera, como uma ameaça invisível.

O primeiro sentinela é lançado para trás, não ferido, mas completamente atordoado. A armadura ressoa como um sino rachado enquanto ele cai, ofegante, mas vivo.

O segundo ainda não reage de imediato. Mas não posso mais surpreender ele.

O Raio Místico que meu pai usou em Ga-shi me vem à mente, mas não sei se posso controlar a energia como controlo a pujança da espada. Seria potencialmente letal.

Já ele, tem outro problema. Ele ainda vê Bentho.

Filho da capitã. Cadete. Garoto.

Esse segundo de hesitação salva nós dois. Ele de me forçar, e eu de não fazer algo que me arrependa. mas estamos em um impasse, e o tempo não está a meu favor.

Antes que eu possa explicar, antes que possa baixar a espada, algo se move atrás das grades.

Metal rangendo. Correntes puxadas.



A armadura da Donjon desperta. Mesmo sabendo que está vazia, eu tenho um pequeno pânico... Pois era como se Lorde Blunt — não meu pai, mas o senhor das trevas da história — esticasse as manoplas.

A corrente de seus grilões envolve o pescoço do segundo sentinela. Puxa-o violentamente para traz. Ele bate a nuca nas grades de ferro. Elmo cai. Ele está nocauteado.

Não é rápida. Não é elegante.

— [Seu pai faz jus à lenda!] - fala a Espada. - [Esta é a Vigília Sombria. É mais que o rosto público de Lorde Blunt. É um autômato... Mas por ser muito literal, é complicado fazê-lo pensar fora da caixa. Estebán deve ter feito um pedido absurdamente específico antevendo o dia em que precisaria que a armadura protegesse você.]

- Eu... Consegui! - comemoro. Olhava admirado a ponto de pegar só parte da explicação. Juro que achei que o nome da armadura era "Virgílio".

- [Agora, vamos sair daqui antes do reforço chegar].

- Boa idéia... - concordo, sorridente. - E como é que vamos fazer isso?

- [Eu... Eu pensei que você tinha um plano de fuga].

- Eu?!? - Protesto. - Eu... não sei...



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