Meu Pai é o Maior Vilão do Mundo e eu perdi a armadura dele em cinco minutos
Sabe, "Bentho Oeste" é um cara afrável.
- [Foreshadowing...]- O que, Gladys?- [Nada... Nada...]- Onde eu estava? Oh, sim.
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Sabe, "Bentho Oeste" é um cara afrável.
- [Foreshadowing...]- O que, Gladys?- [Nada... Nada...]- Onde eu estava? Oh, sim.
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Bem-vindos a Huo-Fen.
Se Shén-Li é o Coração do Mundo, Huo-Fen é o seu Funny Bone.
Há dezessete anos, quando a escuridão de Lorde Blunt emergiu das zonas selvagens, Huo-Fen foi a primeira a cair.
E eles… ficaram de boa.
Eu me chamo LORD EDGY. E meu título é...
É—
Ah, a quem estou enganando?
Vamos ver como eu derrapo hoje.
— Ele estava chorando! A mãe dele estava chorando! — eu me justifico. — Como vou aterrorizar alguém se ninguém presta atenção às ameaças? ALias, tecnicamente eles estavam "implorando..."
— [Eu até toleraria isso…] — Era mentira. — [Mas relembre-me: como você salvou o menininho?]
Fico mudo, emburrado.
- [Vaaamos....] - ela insiste. - [E o que isso fez?]
- Uma ponte... Derrubando um cedro sobre o açude.
- [Uma ... Ponte]
- Eu não podia atravessar a nado uma barragem fazendo redemoinho, ainda mais de armadura. Quase me afoguei na fuga do Palácio!
- [E a ponte permitiu o quê?]
— ... Que os artesãos de pedra e os cimenteiros alcançassem a barragem antes que ela partisse.
Silêncio de quase dez segundos para eu pensar.
— [Um colapso civil e ecológico impedido indiretamente. Excelente trabalho, herói.]
— Não enche — viro o copo de bebida morna.
O "bêbado simpático a Blunt" que conheci nesta estalagem na noite anterior enfia um chapeuzinho de festa no meu elmo.
— [Voltemos ao garoto.]
— Não quero.
— [Quem era a mãe chorosa? Você deveria saber. Morou no Palácio da Nova Ordem.]
Eu suspiro.
— A mestra cozinheira da Família Sagrada, Amarania Bragar.
O salão abre espaço.
Uma mulher de pele clara, traços delicados e expressão marcante surge com reverência cerimonial.
E então colocam diante de mim um leitão inteiro.
Caramelizado. Maçã na boca e "luvinhas de coentro" nas patas.
A pele brilhava como âmbar derretido. Cravos, especiarias, redução de vinho, fios de açúcar puxado. Era peça central de mesa real.
Os presentes aplaudem.
— [Eu estipulo não menos que cento e cinquenta peças de ouro. Preço de mercado.] — diz Gladys, triunfante. — [Um presente diplomático disfarçado de gratidão.]
Eu encaro o caldo.
Doce e salgado. Não curto a mistura.
— [Está com fome?] — ela provoca.
— Um pouco…
Eu puxo uma cadeira e começo a remover o elmo.
— [Ah, vai revelar sua identidade secreta?]
— Não posso comer de elmo e—
Eu congelo.
— É ISSO. - eu grito de entusiasmo. Acabo chamando a atenção.
Os foliões param.
Eu espero retomarem a conversa.
— Lord Edgy é uma força da natureza — sussurro. — Eu afasto oportunidades de vilania e atraio necessitados. Mas Bentho… longe do Castelo e de Forte Jian… é só um qualquer querendo se provar.
— [Continue.]
— Posso me infiltrar. Observar. Escolher o momento certo. E quando eu tiver certeza de que não estou interrompendo um ritual de invocação do Lobo de Três Cabeças do Submundo…
— [Lord Edgy entra em cena.]
— Exatamente.
— [Pode parecer loucura, mas não vejo falhas imediatas.] - Estava tão na baixa que não ser criticado por Gladys era a primeira vitória da semana!
Eu me levanto. Ajusto a capa.
Saio da estalagem.
— Ei, Edgy! — grita o meu amigo de bebidas. — Esqueceu o porco!
Eu não olho para trás.
— Pode doar! - grito.
Silêncio enquanto eu deixava o lugar para me "transformar discretamente".
— Ele mandou DOAR?! esta IGUARIA?!? — o estalajadeiro pisca.
— Para quem? - pergunta a Mestra Amarania
— hmm... O orfanato ao lado da prefeitura… imagino.
Outro silêncio.
— A bondade dele não conhece limites?
— Se ele souber o que sabemos, ele vai direto para Huo-Fen — ela disse, a mão apoiada no batente de madeira de um espelho antigo, alto demais para aquele depósito esquecido.
— Khao sempre vai direto — respondeu Estebán. — É a coisa mais admirável nele.
O atalho os levou a um velho depósito depois das fazendas do Arco Interior: madeira escura, janelas altas empoeiradas, ferragens enferrujadas. A fechadura ainda cedia ao mesmo toque discreto. Na porta, um cartaz de alistamento... Àquela odiava aquela imagem. Parecia, centrar mais nos seus seios do que na mensagem.
Lá dentro, o ar cheirava a óleo velho, couro e passado.
Estebán acendeu uma lâmpada a óleo presa à parede. A chama oscilou e revelou o que o tempo não ousara tocar: escudos empilhados, alguns com mossas profundas; um elmo apoiado sobre um caixote; espadas encostadas como sentinelas aposentadas; baús alinhados; um estandarte dobrado; mapas enrolados com marcas de campanha. Memorabilia da era do levante, tanto da Horda de Blunt como relíquias da Nova Guarda recen-formada. Não expostas como troféus, mas guardadas como lembranças que doem.
— Você guardou tudo — disse a Estebán, observando-a pelo reflexo.
Ela pousou a mão sobre o antigo arco recurvo encostado à moldura do espelho. Não o de capitã — o primeiro. O de aventureira, quando ainda lutava por moedas e não por bandeiras.
— Preciso trocar — disse, já soltando os fechos da armadura da Nova Guarda. O som do metal ecoou pelo galpão vazio, misturando-se ao estalar da lâmpada.
Peça por peça, a capitã foi desmontada.
Àquela vestiu a túnica antiga, que moldava-se diferente agora. O couro escuro marcava as curvas que o tempo e a maternidade haviam redesenhado. Ela ergueu o queixo, estudando a própria imagem com um meio sorriso. Não era vaidade. Era reconhecimento.
Fez uma careta breve.
— Está apertada nos quadris.
Estebán não conteve o sorriso.
— Você tinha dezessete anos a menos… e nenhum filho.
Ela lançou um olhar enviesado pelo reflexo.
— Está dizendo que engordei?
Ele se aproximou sem pressa. A luz quente da lâmpada desenhou sombras mais profundas em seu rosto — linhas novas, mais marcadas que na muralha anos atrás. Parou a alguns passos, como se admirasse não apenas o corpo, mas a história que ele carregava.
— Estou dizendo que você parece mais linda hoje do que nos portões do palácio.
Àquela sustentou o olhar dele pelo espelho. Havia confiança ali — não a bravata juvenil, mas a serenidade de quem sabe exatamente do que é capaz. A arqueira que enfrentara muralhas agora conhecia o peso de um filho dormindo no quarto ao lado.
— Não tente me distrair — murmurou ela, embora a voz tivesse suavizado. — Precisamos falar do que você pode… ou não pode… fazer.
Estebán passou os dedos pela moldura do espelho, marcado por impacto de lança. A poeira levantou-se no ar, dançando na luz.
— Eu sei.
— Não, você sabe em teoria. Mas quero ouvir de você.
Ela amarrou o último fecho. Endireitou os ombros. No espelho, a ex-heroína estava ali outra vez. Mais contida, mais precisa. Menos símbolo, mais pessoa. Mais mulher do que estandarte.
— Não fazer mal à Guarda, mesmo Khao — disse Blunt, firme. — Eles acreditam no que estamos protegendo. Não machuque inocentes. Não transforme um porto numa cratera só porque fiquei irritado.
Ele fechou os olhos por um segundo.
Quando os abriu, não eram os de Lorde Blunt. Eram os de Estebán.
— Farei o mesmo acordo que fiz com o Conselho Regente. Serei pacífico… a menos que precise protegê-la.
Ela virou-se do espelho para encará-lo diretamente.
— E se Khao tentar nos prender?
— Não o matarei. - ele começa disciplinado, mas não dura. - Mas o deterei com…
— Estebán. - ela repreende.
— Não o matarei. Ponto. — conclui ele.
O silêncio entre eles se tornou denso, preenchido apenas pelo estalar da chama e pelo peso dos escudos que testemunhavam.
— E Bentho? — ela perguntou, mais baixo.
Ali estava o verdadeiro núcleo.
A lâmpada oscilou com uma corrente de ar que ninguém sentiu.
— Eu o trarei para você. Contudo... Se qualquer ameaça real chegar ao nosso filho… — a voz dele mudou, não mais alta, mas mais profunda — a ira de Lorde Blunt será liberada.
Não havia teatralidade. Não havia promessa vazia. Era constatação.
Àquela desviou o olhar para o estandarte dobrado no canto, o símbolo do levante que ajudara a derrubar. Depois voltou ao espelho. A mulher refletida ali não era a jovem arqueira tremendo na muralha. Era alguém que escolheria a guerra de novo, se preciso.
— Se ele estiver em perigo… — disse a Dama do Arco, finalmente — eu mesma pedirei por Lorde Blunt.
As palavras ficaram suspensas no ar, entre escudos e memórias.
Ela não as disse como heroína relutante.
Disse como mãe.
E algo mudou ali.
Não foi a luz.
Foi o eixo.
Um pequeno, quase invisível deslocamento — como o instante exato antes de uma flecha deixar a corda.
Dragão Autor: Dr. Hardman às 13:41 0 comentários
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| Huo-fen, Cidade Arsenal |
Bem-vindos a Huo-Fen.
Se Shén-Li é o Coração do Mundo, Huo-Fen é a sua artéria coronária. (E sim, essa metáfora foi ideia da Gladys. Ela insiste em precisão anatômica.)
Há dezessete anos, quando a escuridão de Lorde Blunt emergiu das zonas selvagens, Huo-Fen foi a primeira a cair.
A cidade que alimentava o Coração do Mundo com seu ferro ardente ajoelhou-se sob o Punho de Ferro da Vigília Sombria — ordem foi a palavra escolhida.
E não é que teve gente que gostou?
Descobriram um amor súbito pela disciplina.
Pela vigilância.
Pela denúncia cívica.
Alguns chamam isso de ordem.
Outros chamam de prosperidade.
Hoje chamam de nostalgia.
Eu me chamo LORD EDGY, O FILHO DO TERROR.
Mas durante dezessete anos fui chamado de Bentho. Cresci admirando/temendo Blunt. Não do tipo "quando crescer serei um vilão tirano", mas a armadura era maneira, e ele foi uma ameaça global que precisou de pessoas extraordinárias para deter, eu queria ser extraordinário. Hoje, eu sei que o tal Blunt era meu pai. Estou usando a armadura. E quero ser um vilão tirano.
— [Durante a ocupação, aqui era triagem.] — comentou Gladys.
— Triagem?
— [Para decidir quem servia. E quem desaparecia.]
Engoli seco.
- Eu lembro que Balmon reclamava desta área... - comento. Estou com a armadura completa. Gladius em mãos. Uma casa, construída fora dos padrões, projeta à rua uma cobertura escura que me aproveito como uma alcóva. - Dizia que até tinha guilda de ladrões. Talvez seja o lugar mais perigoso de Shén-li...
- [Hmm... Postes com torchas de filamento, barris de lixo organizado...] - Observava a espada. Eu fazia sua ponta avançar para observar o ambiente. - [Se isto é o pior de Shén-li... vocês não aguentariam uma ocupação mais longa de Lord Blunt.]
Eu achava aquilo imundo e caótico. Mas não tinha referência, pois vivi entre fortes militares e o imponente palácio da Nova Ordem. Falem o que quiser da mentira conveniente, e da disciplina exacerbada de controle... Mas é um bom expoente. Ceder liberdades até parecia ... "justo" olhando por um filtro.
- [Lá vem...] - Gladys alerta. Eu a recolho. - [Pode preparar!]
Admito que esqueci o que acertamos. Mas da última vez que eu quis fazer as maldades e ignorei Gladys, acabei num porão cheio de ratos. Quis dar chance à espada que esteve em poder de 13 tiranos, o sexto deles era Malkor das Mil Vozes, derrubou as Sete Torres da Magia de Lian-Zhou. Claro, ele perdeu um duelo decisivo por causa das vozes em sua cabeça, que ele atribuía a "fantasmas". Gladys atribuía a esquizofrenia. Claro, ter uma espada falante legítima só piorou tudo.
Ouço passos. Pé, Pé, um objeto sólido. Pé, Pé, outra vez um baque de madeira. Era bem cadenciado. Eu espero estar próximo, e me revelo. Armadura sombria. Capa roxa esvoaçante. Um leve faiscar mágico. Eu era a Encarnação das trevas, pronto para abordar...
... Uma senhorinha de bengala.
- [Agora, Lorde Edgy!] - estimulava a Lâmina Eterna. - [Assalte-a!]
- A-assalto?!? - Exclamo.
- Por favor, não me mate! - urra ela debilmente, abrindo uma sacola, e tentando pegar seu conteúdo, mas com as mãos trêmulas dificultando desfazer o nó. Seus olhos estavam arregalados. Ela suava e chorava de medo.
- [Vai dizer que o Filho de Blunt está acima de vilania básica?] - protesta ela. - [Capangas custam dinheiro. Recursos para saques maiores. Tem de começar de algum lugar!]
- Depois do INCIDENTE dos RATOS, você achou que eu ia partir para ASSALTOS?!? - eu explodo. Era para ser para a Espada falante. Mas só eu a ouvia... Acho que, olhando para a pobre senhora, entendo como Malkor das Mil Vozes se sentia.
- Por favor, nobre senhor ladrão. - ela se ajoelharia se seu reumatismo permitisse. - Eu tenho Seis filhos e Vinte e Sete Netos!
- [Ouviu, Bento?] - insistia a espada. - [Ela já viveu bem! Não tem mais valor nessa terra!]
Meu Senhor Aetíades… O que eu estava fazendo?
Ignoro ostensivamente Gladys. Aquilo era... Pequeno... Mesquinho demais para um vilão da minha categoria.
- H-houve um engano... Senhora. - Tento acalmar a velha, afastando a sacolinha dela de volta. - Eu sou Lord Edgy, e eu não vou assaltar a senhora...
- ACHO BOM MESMO!
Cinco homens surgiram atrás de mim. Deveriam estar a algum tempo naqueles becos.
Corseletes gastos. Tatuagens de corvo no rosto.
- Então o enlatadinho está tentando assaltar no território dos CORVOS MENSAGEIROS DE MORVAL?!?
- [ Ah, eu lembro deles!] - disse Gladys. - [Seu pai recrutou pequenos criminosos como rede de informação local... Acho que o nome pegou...]
- Sim, a "Guilda de Ladrões" que Capitão Balmon tanto reclamava! - Urro, enfim. Ouvia os passos "apressados" seguidos do toque de bengala da velhinha fugindo. Ao menos, não teria que me preocupar com ela...
- Somos a MAIOR das Guildas de Huo-fen, forasteiro! - Um segundo se adianta, precisando ser segurado pelo que parecia ser o líder. Ele parecia satisfeito de dizer aquilo...
- Vocês são a ÚNICA guilda de ladrões de Huo-fen. - Eu balanço a cabeça criticamente, sem levar a sério aqueles bandoleiros. - Talvez a única guilda de ladrões em toda Shén-li. Seu título é menos impressionante do que vocês pensam. Nomezinho bobo, aliás..
- [Ensina a eles, "Filho do Terror"] - Preciso me concentrar para não perder a compostura com mais essa de Gladys.
- Se é o pior que sua cidade pode oferecer... Que venham! - eu me ponho, poderoso. - Pois Lord Edgy aceita o desafio de.... Eh, isso são cacetetes?
Eu enfim reparo. Todos eles usam uns pausinhos que nunca vi na vida.
- São TONFAS, Paspalho! - ensina-me um terceiro.
Era um cilindro curto e sólido, com um segundo punho atravessado perto de uma das extremidades — como se alguém tivesse pregado um cabo lateral num cassetete. Era uma "tala ofensiva". Eu treinei com bastões, que eram pouco mais que longos galhos, e seriam muito mais eficientes que aquilo...
- Por Phyrros e Enya... - Resmungo, deixando os ombros descerem decepcionados. - Estamos na Cidade Arsenal! Forja do reino! Terra das armas de fogo e alquimia! Não pensaram em usar adagas? Uma carabina de tiro único? Olhem para mim... Olhem esta manopla! - Estendo a parte que reforçava punho e antebraço. - Ferro frio da Montanha Morta! Esta espada está transbordando de magia sinistra! E vocês querem vir para cima de mim com ... O que eu só posso definir como peças de uma cadeira desmontada?!?
Acho que eu ofendi algum brio de orgulho ladrão neles. Eles urraram e investem contra mim.
Deu com os ombros. E parti para o combate.
Àquela estava no pátio interno do Castelo Negro. Era um dos momentos que mais temia... Khao havia voltado.
Preferiu estar sozinha. Pediu à sua escudeira avisar ao marido do retorno do capitão como se fosse algo rotineiro, mas era mais para tirá-la de lá. Estebán provavelmente já sabia.
As muralhas estavam desocupadas.
O Capitão do Punho de Concreto deve ter tido pensamento parecido, pois estava sozinho também. Desmontou do seu cavalo, Amarrou ele mesmo em uma trave próxima, e foi ao encontro dela. Trazia um longo papiro em tubo na mão humana. Seu olhar estava furioso.
- Deveria ter confiado em mim, Àquela! - Ele urra. - Eu ia fazer o melhor para o garoto!
- D-devo deduzir que você acha que Estebán...
- Eu era um rastreador ANTES de me tornar um capitão! - Khao a interrompe. - Acha mesmo que eu não PERCEBERIA?!? - Era assustador. Mesmo com o famoso temperamento explosivo, o Bárbaro jamais faltou com respeito e cordialidade à Dama do Arco, a quem devia a vida no Levante de Blunt.
- Você não tem o que é preciso para cuidar e proteger o Bentho, Khao. - Ela fala, enfim. Com determinação de uma capitã.
- E-está insinuando que eu não tenho FORÇA para lidar com um cadete? - O homenzarrão estufa o peito com indignação.
- Não estou insinuando que é problema seria sua força! - ela urra. Afunda o dedo indicador na placa peitoral do colega - E isso não é uma ofensa! Você vai fazer o que é mais certo! Sempre foi o que quis fazer. Ser o herói da vez... Levar meu filho para o Conselho ou para a Família Sagrada... Dar fim a meu lar, e ir atrás de meu marido! Sinto, Khao... Mas eu não sou nobre como você. Eu ... Eu só queria ser uma guia urbana, espantar kobolds às vezes... Vocês me fizeram a "Arqueira Lendária". Eu cumpri este papel por DEZESSETE ANOS! O que é "certo" não é o que eu quero. Eu quero meu filho de volta ... Para mim!
Uma lágrima corria dos olhos de Lady Àquela.
- Àquela... - Khao se sentia culpado, mas irredutível. - Você... Me conhece muito bem...
Àquela sente um tom assustadoramente resignado na voz do capitão. Ela percebe o rolo na sua mão.
Ela toma-o, tremendo.
Era um cartaz de procurado.
Com meu rosto. O nome "Bentho".
- O que você fez... - a voz quase não saiu da garganta.
- Achima já enviou por magia a todos os entrepostos da Nova Guarda. - ele revela enfim. - Eu sinto muito. Mas você e Estebán não me deram escolha e...
- Khao seu idiota... - Havia medo na voz da dama do arco. - Este palácio recebe estas mensagens... e Estebán é o encarregado...
Os dois olham para a porta aberta.
O escriba já estava ali.
Sem papéis.
Sem expressão analítica.
Sem ironia.
Apenas sereno.
Contido.
— Agora vai ter algum gracejo? — provoca Khao, forçando coragem. — Eu disse que isso ia acontecer, Blunt.
— Sem gracejos. — responde Estebán, começando a caminhar firme. — Sem explicações. Sem jogos mentais. E não me chame mais de Blunt.
— Oh? — Khao alonga os ombros. — Chamo de quê, então?
Estebán passa por ele. continua caminhando rumo aos pórticos do castelo.
Não toca.
Não encara.
— Lorde Blunt. — diz, finalmente. — E Lorde Blunt vai pegar o seu cavalo, capitão… e ir buscar o meu herdeiro.
Por dezessete anos, Khao esperou essa admissão.
Mesmo assim, o ar abandona seus pulmões.
— Dê mais um passo na direção do portão... — o capitão rosna, avançando ameaçadoramente — e o trato acaba, Blunt. Você sentirá o peso de Shén-Li sobre você!
Estebán alonga os dedos.
Anos sem usar magia em combate de alto nível. Algo como enfrentar um capitão, uma unidade militar, um exército...
Não faria diferença.
Ele não precisava de nada do que sabia fazer.
Bastava querer.
Khao ruge. Dor... Mas não foi Blunt:
Ambos os pés do capitão Khao são atravessados por flechas-tazers elétricas.
Cravaram o colosso no chão. E seus enormes músculos lhe faziam o desserviço de imobilizá-lo.
Silêncio.
Khao olha para baixo.
Depois para Àquela.
Ela ainda segura o arco estendido. Corda vibrando. Faiscas elétricas
Àquela parecia... Ainda mais surpresa do que ele.
— Me desculpe! — ela responde, quase atropelando as palavras. — Eu não queria que Estebán o machucasse!
— MEUS PÉS ESTÃO FURADOS, MULHER! - Khao aponta a ironia.
— Ele poderia fazer você arrancar as suas próprias amígdalas com a mão de pedra! Não seja dramático!
- Àquela, querida... - Estebán olhava surpreso, mas técnico. - Eu recomendo agora a flecha do Silêncio.
- A... - Àquela olha estranho, e saca-a por inércia e instinto.
- Para quê OUTRA flecha?!? - Khao pergunta. Ainda em choque. - Já não me flechou o suficiente?!?
Estebán toma um longo suspiro para responder.
- "A gloriosa elite da Nova Guarda, senhoras e senhores." - resmunga ironicamente. - Para não soar o alarme, é claro!
Àquela e Khao se detiveram outro segundo, um encarando o outro... Assimilando.
Khao enche os pulmões para gritar. Mas Àquela foi mais rápida. A flecha crava fora do alcance do seu companheiro, e tudo ao redor dele se torna silêncio. Ela precisa se afastar, até se aproximar do marido, já montado no cavalo.
- Vá, Estebán... - Ela fala. - Traga nosso filho de volta.
- E deixar você aqui? Para lidar com as consequências? - retruca o vilão. - Acabou, minha amada. Aceite.
Àquela começava a perceber o que fez. Paralisou o capitão. Permitiu a fuga de Blunt. Desafiou a ordem de Shén-li.
- Parece que... Perdemos nosso lar... - ela sentia a tristeza, mas não arrependimento.
- Onde você estiver, é meu lar, Àquela. - Esteban estende a mão para que a arqueira subisse com ele no cavalo. - Bem-vindo à Vilania, Arqueira Lendária.
Ela enfim monta.
O cavalo dispara.
E o Castelo Negro fica para trás.
Os ratos deram mais trabalho, mas demorei muito menos.
Preferi não usar o combo "escuridão" com eles. Só Smite, e dor.
Acho que lembrava que meu pai falou sobre um dos motivos dele se revoltar era que adversários eram burros demais para admitir que não tinham chance... Pois bem, eles continuavam tentando vir para cima. Um deles estava com fratura exposta, bebeu uma porção de cura e voltou à luta!
Foi mais um exercício aeróbico. A armadura era excelente contra "tonfas"... Mas devo ter alguns roxos na pele quando for dormir. Estava com o sangue quente ainda.
Aí, a coisa toda foi para o brejo.
Chegaram mais... Eram só três, mas estavam armadurados, tanto quanto eu. Não eram assaltantes.
Coldre com arcabuz de repetição, invenção de Balmon. Um Crossbow de cerco às costas.
Até como marchavam era uma formação militar correta, um ponta-de-flecha com dois cobrindo flancos. Não iam cair em truques, e me cercariam na primeira chance… E eu estava sem mana.
Atrás deles, e provavelmente o que atrasou a sua chegada ao local... a mesma velhinha de bengala.
- Foi esse aí, de armadura! - Ela apontou para mim.
- [Round seis? Sete?] - Gladis provocava. - [Alguém ligou o horde mode...]
- Chega... - eu levanto cambaleando, recuperando o fôlego. - Estou aqui. Podem se aproximar, e saibam que vocês estão perante...
- Lord Edge...Sim, Dona Sofia nos falou. - Adiantou o "ponta de lança". - Muito obrigado, senhor.
Ah, de novo não.
- [Você falou em voz clara que não ia assaltar a velhinha...] - riu Gladys, que novamente viu antes o que ia acontecer.
- Tom Gatto, O Garila Murray... Morval Menor - o que parecia o equivalente a "capitão" dele, fazia reconhecimento dos marginais que eu derrubei. - Cinco batedores dos Corvos Mensageiros de Morval. Todos com recompensa. Aqui está, com o agradecimento da chancelaria local, e Capitão Balmon de nosso ramo da Nova Guarda.
- Eu não fiz isso por seus créditos... - tento articular algum desafio. Passou por humildade.
- Sim, ele é muito desapegado! - "ajudou" dona Sofia. - Devia estar caçando eles quando eu atrapalhei, e mesmo assim, me protegeu!
- Não deveríamos concordar com vigilantíssimo... - pondera o capitão. - Mas... Ah, dane-se. Isto é Huo-fen! Vou deixar a recompensa aqui (colocou o saco num barril próximo a mim), e dar uma volta no quarteirão... E, será que só acharemos um beco vazio com cinco meliantes inconscientes quando voltarmos?
Estava cansado. E frustrado.
- Provavelmente sim - confessei. Aquela recompensa deveria ser seis meses de meu soldo como guarda em Fort Jian.
- [Seis meses de soldo?!? Você era muito pobre…]
- Eu morava num CASTELO! Minha mãe era uma Lady! - protestei.
Felizmente, tanto dona Sofia quanto os guardas estavam lá longe.
- [Foi uma longa noite...] - Gladys parecia exacerbada. - [Tentamos amanhã? Mesma bat-hora, mesmo bat-canal?]
- Fazer o que, né?
Recolho a sacola de recompensa e mergulho na escuridão.
5º nível, Conjuração
A magia falha automaticamente se o conjurador:
O slot é gasto mesmo assim.
Escolha:
A imagem se distorce e dela emerge um Eyespy Reflexo em um espaço desocupado adjacente.
O Reflexo age logo após você no turno. Se não receber comando, ataca a criatura hostil mais próxima.
🪞 Catalisador Consumido
Ao conjurar a magia, o catalisador é consumido irrevogavelmente:
• Espelho: estilhaça-se em pó vítreo negro que evapora. Não pode ser reparado magicamente.
• Ilusão: é “devorada”. A magia ilusória termina imediatamente e o conjurador não pode conjurar novamente a mesma ilusão específica por 24 horas.
Nada sobra. Nem fragmento. Nem eco.
Ao conjurar usando slot de 6º nível ou superior:
Medium aberration, CR 5 (aprox. BoH)
| AC | HP | STR | DEX | CON | INT | WIS | CHA |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 15 | 60 | 10 | 14 | 16 | 12 | 14 | 12 |
Deslocamento: 20 ft., climb 20 ft. | Proficiência: +3
Resistência: Psychic | Vulnerabilidade: Radiant
Sentidos: True Sight 120 ft., Passive Perception 14
Idiomas: Entende Deep Speech, não fala
O Eyespy pode escalar superfícies, inclusive tetos, sem testes. Enquanto aderido a superfície sólida, tem vantagem contra efeitos que o empurrem ou derrubem.
Raios Oculares (2 por turno): +6 para atingir, alcance 90 ft. Role 1d4 para cada raio:
Mordida: +6 para atingir, alcance 5 ft. Dano: 2d8 + 3 perfurante.
Se sofrer 20 ou mais dano em um único golpe, faz CON save DC 15. Falha: dissipa-se imediatamente.
Se a concentração terminar, explode: Criaturas a 10 ft sofrem 2d8 psychic (CON DC 14 metade).
Não pode usar Wallclimb no turno em que sofrer dano radiante.
Dragão Autor: Dr. Hardman às 08:19 0 comentários
Meu Pai é o Maior Vilão do Mundo… Tenham paciência. Estou começando agora.
Bem-vindos a HUO-FEN
Se Shén-Li é o **Coração do Mundo**, Huo-Fen é o seu **braço direito** — o punho cerrado sobre a marreta de ferreiro que transforma minério em destino.
É aqui que o ferro encontra o fogo.
É aqui que a força do reino é forjada em aço, vapor e pólvora alquímica.
Há dezessete anos, quando Lorde Blunt emergiu das zonas selvagens, Huo-Fen foi a primeira a cair, sob poder de sua horda por sessenta e um dias. Localizada junto à barragem que controla o grande rio, a Cidade Arsenal tornou-se o primeiro troféu do Senhor da Guerra.
Blunt não buscava apenas ouro. Buscava o motor do progresso.
Suas hordas tomaram as forjas, silenciaram os mestres-artífices e acorrentaram o engenho humano. A liberdade foi sufocada para que as bigornas servissem a uma única vontade. O aço que antes sustentava pontes e colheitas passou a alimentar uma máquina de guerra que nenhum homem sensato deveria empunhar.
Durante o período sombrio que se seguiu, Huo-Fen foi isolada do restante de Shén-Li. Seus recursos drenados. Seu conhecimento distorcido. O ritmo das marteladas deixou de soar como hino de prosperidade e tornou-se o compasso de um povo sob o jugo da Espada Negra.
- [Meu nome é GLÁDIUS AETERNUM! JÁ FALEI!]
- C... Como eu dizia, eh... Mas a luz da justiça sempre encontra o caminho de volta.
Blunt caiu às portas da capital. A história oficial diz que quatro heróis salvaram o mundo. Huo-Fen foi “libertada”. As correntes quebradas. A ordem restaurada.
Sob supervisão técnica do Capitão Balmon da Torre da Bigorna, as forjas voltaram a servir ao reino.
Hoje, a cidade é exemplo de estabilidade.
Spoiler: não é bem assim.
Durante dezessete anos, fui chamado de Bentho.
Ensinaram-me que nada poderia deter Lorde Blunt — exceto a união da luz. Hoje sei: nada poderia deter Blunt… Exceto ele mesmo.
Huo-Fen não é o braço direito do reino.
É uma artéria. (ou veia. Não sou bom em biologia)
Quem controla suas forjas controla o pulso do mundo.
E é aqui que começo.
A primeira coisa que vi foi a fumaça.
Não caos. Não apocalipse que nós cadetes em Forte Jian ouvíamos de rumores do oriente do reino.
Colunas ordenadas. Ritmadas. Como respiração mecânica.
Huo-Fen respirava vapor, mas deixava um gosto de cobre na boca, imperceptível aos nativos.
As ruas estavam limpas demais. Não havia sujeira. Não havia crianças. Não havia discussão.
Não era paz.
Era vigilância.
Segui pela via principal por algumas centenas de metros até encontrar o óbvio: um prédio largo, madeira escurecida pela umidade e fuligem secundária constante, lanternas de vidro grosso lançando luz âmbar sobre a calçada. Das janelas altas escapavam vozes abafadas e o tilintar de canecas.
Uma estalagem. Ponto de passagem. Ponto de escuta. Ponto de oportunidade.
Empurrei as duas portas estreitas — divididas ao meio — que balançaram para dentro com resistência teatral e voltaram ao lugar atrás de mim com um toc-toc ritmado.
Divertidas.
O interior cheirava a álcool forte, gordura quente e madeira antiga. Conversas diminuíram um tom — não cessaram, apenas recalcularam. O assoalho anunciou minhas botas com um ranger longo demais para ser ignorado.
Balcão à direita. Escada ao fundo. Mesas espalhadas com espaço suficiente para acordos… ou brigas.
Perfeito.
— N… Não existem HERÓIS neste estabelecimento?! - algo explode em frustração, e me tira de meus pensamentos.
A voz vinha de um homem baixo, ligeiramente corpulento, calvície honesta, pano de prato sobre o ombro. Gesticulava para algumas mesas onde viajantes — ou aventureiros — fingiam interesse extremo em suas canecas ao invés do homem nervoso.
Ele me viu. Desviou o olhar.
Interessante.
Faço a cena em minha mente: eu não sou o problema. Eu sou a disrupção necessária. O poder que impõe ordem.
— [Ao menos no ego você supera Lord Blunt.]
— Calada, Gladys.
Soltei as portas atrás de mim. Elas bateram de leve. Como a Senhorita Amellie dizia, eu estava “farmando aura”. Passos firmes. Ombros retos. Lentos o suficiente para parecer natural. Rápidos o suficiente para parecer inevitável. O estalajadeiro percebeu minha aproximação. Suava. Parou de implorar aos outros e esperou ser abordado.
— N… Não recebo alguém como o senhor há muito tempo… — a voz saiu pomposa demais para alguém que evitava meus olhos, mas demonstrava limitada literacia. — Bem-vindo, nobre excelência.
Reconhecimento.
— Parece que identificou seu superior. — inclinei levemente o elmo. — E não encontrou socorro neste salão.
Olhei desafiadoramente por sobre o ombro. Os aventureiros estudavam suas bebidas com devoção religiosa. Ostensivamente faziam parecer que não falávamos com eles. Minha grandiosidade os inibia.
— Milorde… — ele engoliu seco. — Eu não seria digno de incomodá-lo. Sua armadura… seu porte… eu estou abaixo de ser um estorvo.
Sim.
Súplicas.
— [Não está achando fácil demais, ô Bentho?]
Ignorei Gladys tentando me jogar para baixo. Eu consegui me impor. Não deixaria uma espada tagarela transformar isso em delírio.
— O que descreve é apenas a realidade. — relaxei o tom, voltando-me levemente ao salão. — Mas vocês têm agora a atenção da Espada de LORD EDGY. O Filho do Terror, Cavaleiro do Je Ne Se Quá.
— [Você quis dizer “je ne sais quoi”? Foi por causa do gracejo que fiz capítulo passado?] - Gladis resmungou. — [Você sequer sabe o que isso significa?]
Algo tilintou no balcão.
Moedas.
O estalajadeiro as empurrou para mais perto de mim com dedos trêmulos.
— I-isso é tudo que posso dispor, milorde. Sinto muito.
Observei o montante. Contei rápido e silenciosamente.
Um dobrão de ouro.
quatro ou cinco peças de prata.
Um pequeno lingote com o selo de Huo-Fen — bronze puro, corrência local.
E várias moedas menores de cobre espalhadas.
Era muito?
Era pouco?
Não podia perguntar.
— [Blunt saqueou esta cidade inteira, e você ganha uma esmola glorificada.] — Gladys parecia se divertir.
— Eu aceito sua oferenda. — recolhi as moedas com firmeza. — E, ao menos por hoje, seu estabelecimento estará ... Seguro.
— ESTÃO VENDO?! — o estalajadeiro explodiu, virando-se para os outros. Eu mesmo tive um sobressalto. — Este NOBRE CAVALEIRO ANDANTE, juramentado à Senhora Janete Quà, vai se rebaixar para fazer o serviço que vocês se acham bons demais para cumprir!
“Janete Quà”?…
— [Ra… ra…] — Gladys tentou imitar uma gargalhada.
Antes que eu pudesse corrigir o equívoco histórico, a divisória lateral do balcão foi aberta. O estalajadeiro fez um gesto para que eu o seguisse.
Hesitei por meio segundo.
Ele me conduziu para os fundos da estalagem, longe dos olhares constrangidos do salão, até uma porta de madeira reforçada. O ar ali era mais úmido. Mais frio.
Parou diante de uma escadaria que descia para a escuridão. — É… aqui embaixo, milorde. - Eu encarei o breu. - Ratos Gigantes, como falei! - falou? quando?
A madeira do corrimão estava gasta. O ar carregava cheiro de grãos, fermentação… E algo mais.
- Esse porão vai para uma masmorra subterrânea? - Pergunto. - Feras gigantescas... parecidas com roedores? Estaria algum wererat envolvido?
O estalajadeiro hesitou, olhando para mim.
- Quem sabe? Talvez...
Esta estalagem estava sob ameaça de algum líder de submundo que usava as criaturas do subterrâneo para inspirar medo... Mas agora que ele estava sob meu julgo, eu deveria derrotar o antigo atormentador de...
- [Não está nem perto, ô Bentho...] - resmunga Gladys.
Eu decido descer. O Estalajadeiro se encolhe e observa um pouco antes de fechar a porta.
As escadarias rangem com meu peso. Há um gap no corrimão, que eu quase caio. Saco Gladius... Olho ao redor. Apenas uma tocha ineficas estava acesa, mas a escuridão era minha herança. Olhos do Demônio.
Estou no que parece ser um depósito de alimentos em conserva, alguns barris de cerveja fermentando, e ratos.
Muitos ratos.
Grandes ratazanas, como se fossem pequenos cachorros.
- [Você aceitou uma missão de matar ratos no porão da estalagem!] - Revela a espada. - [Missão de herói de primeiro nível!]
- O que?!? Não! Eu sou um mobster assegurando o território! - protestei. - E tem algum chefão wererat aqui e...
A realidade me cai.
- Estou aqui matando ratos, não é?

A Donjon estava silenciosa demais.
Normalmente haveria dois sentinelas na base, passos coordenados na escadaria em turnos cronometrados, mais dois guardando a cela no topo — onde a armadura animada, a Vigília Sombria, encenava sua prisão com movimentos calculados.
Naquela noite, não.
Lady Àquela subiu sozinha.
A cela estava vazia.
Ou quase.
Estebán estava junto à janela estreita, a única abertura para o exterior. A luz fria da lua recortava seu perfil. Não havia armadura ali. Não havia o Senhor da Guerra.
Apenas um homem.
— Estive aqui quando você me contou que estava grávida. — Ele não se virou. — A Guarda ainda era muito nova. O Conselho ainda temia que eu mudasse de ideia. Foi a última vez que eu tive medo em minha vida, até esta tarde.
- A frase de "Caminhe. Mesmo tremendo." - ela sorriu.
— Eu temia que meus inimigos descobrissem que havia algo… alguém… que eu não podia proteger por estar preso a este castelo. Medo é mais forte que respeito. Se soubessem que eu tinha um herdeiro…
— “Herdeiro.” — Àquela arqueou a sobrancelha. - Parece o Senhor das trevas falando de novo…
Ele suspirou. Encara a janela, onde em um dia claro podia ver a capital no horizonte.
— Eu ainda pensava… penso como Blunt. Mesmo depois de abandonar o mundo à minha frente… eu não abandonei o abismo dentro de mim.
Ela tocou o braço dele.
— Você parou. Isso é o que importa.
— Eu nunca consegui abandonar Blunt por completo. — ele continua, a voz baixa. — Precisava pensar como ele para conduzir a Nova Guarda. Antecipar movimentos. Prever ambições. Para isso… Ainda precisava encarar o abismo. O Castelo deveria ser uma prisão, mas vocês o tornaram um lar. Você, Bentho… Até mesmo Khao, impondo os limites, e seus surtos de fúria quando eu o provocava.
Havia sinceridade ali. Crua.
- Eu fui orientado pela mestra armeira Hamme a programar Vigília Sombria com cuidado, sem margem para interpretações. - Esteban continua. - Qualquer abstração poderia ser catastrófica. Pegar o exato objeto, no exato momento, na exata condição. Ela não é um deus realizando desejos. Ela é absurdamente literal, e sem senso de autopreservação. Mas eu falei... "Proteja meu sangue" a ela. Nada mais abstrato do que isso, e olhe no que deu. Um sentinela espancado, e o Arsenal de Lord Blunt perdido pelo reino.
Àquela o observa em silêncio.
— Você disse que sentia a espada.
Estebán concorda, devagar.
— Não com precisão. Não como antes. — ergue o olhar para o horizonte. — Mas há um eco. Ele está perto de Huo-Fen. Talvez em seus arredores. - Ele faz uma pausa. — Mandou a mensagem para Balmon?
— Ele sabe apenas que Bentho deixou a Torre. E que estamos procurando por ele. — Àquela cruza os braços. — Com alguns agrados, ajudará sem fazer perguntas. Espero que Khao não o procure antes de sabermos onde Bentho está.
Estebán solta um suspiro contido.
Khao não ajudaria. Khao desconfiaria. Khao veria sucessão onde havia apenas um filho perdido. Despistá-lo era prudente.
Balmon, por outro lado, era pragmático. Moral maleável, mas não corrupto. Sabia quando não enxergar demais.
Se agissem rápido, antes que o Conselho Regente conectasse os pontos, talvez pudessem trazer Bentho de volta.
Sem escândalo.
Sem romper o pacto.
Sem abalar a Nova Guarda.
A paz de Shén-Li.
A frágil tolerância concedida ao nome de Lord Blunt, e em contrapartida, a fúria sombria do Senhor do Escuro sendo contida.
Os ratos deram trabalho.
Para mim, a escuridão não era obstáculo. Era herança.
Eu via cada viga, cada barril, cada respiração.
O que não contava era que eles também me viam.
Grandes. Magros. Pelagem rala. Dentes compridos demais para serem naturais.
E vieram juntos. Cortei a primeira no ar. O corpo caiu antes do guincho terminar.
O segundo passou por baixo do meu alcance e cravou os dentes na junção da greva.
— Ah, sua miséria de quatro patas!
— [Tecnicamente são quatro patas muito eficazes] — observou Gladys, com voz de quem comenta o clima.
Chutei, girei a lâmina. Mais duas recuaram, mas outras avançaram por cima dos barris.
Não era duelo. Era enxame.
— [Isto é estatisticamente trabalho para 1d6 aventureiros iniciantes] — comentou ela.
Um terceiro mordeu meu antebraço.
Respirei fundo.
— Muito bem.
Ergui a espada.
— Blade Burst. - Um ataque de área, mais eficiente, embora menos forte que os Smites ou o Blooming, mas os ratos não precisavam de muito mais. A energia explodiu ao meu redor como um anel de vidro quebrando. Três ratazanas foram arremessadas contra a parede. Outra perdeu metade do focinho. Ganhei espaço para me coçar.
O problema não era qualidade do adversário. Era quantidade.
— [O Décimo Quarto bruxo vai fazer retirada estratégica?] — disse Gladys provocando-me.
Uma ratazana nojenta caiu sobre ela.
— [Retiro o que disse. Violência extrema é aceitável! QUEIME ELA! QUEIME QUEIME!].
O estalajadeiro gritou do andar de cima:
— ESTÁ TUDO BEM AÍ EMBAIXO?!
— PERFEITO! — respondi, enquanto disparava — RAIO MÍSTICO! - Eu achava que estava sendo irônico, mas ele pareceu confiante.
Feixes de energia cortaram o ar. Madeira estilhaçou. Um barril explodiu em cerveja morna. Outro rolou escada abaixo como se tivesse opinião própria.
O porão virou um campo de guerra fermentado.
Pensando que estava livre, levo uma mordida no tornozelo. nem vi ela se aproximar.
Outra no ombro.
— Espero que meu lado paladino inclua imunidade a doenças — rosnei.
Lancei trevas. A escuridão que invoquei não era ausência de luz. Era presença minha.
Eles perderam os olhos. Eu não. Agora, eu era o caçador.
Depois disso foi menos batalha e mais colheita.
Quando terminei, havia silêncio.
E vinte e um ratos amarrados pelo rabo.
Subi a escada pingando cerveja e dignidade.
O estalajadeiro quase chorou de alegria. Ou de desespero ao ver o estado do estoque.
— Um quarto e refeição por conta da casa! - ele adicionou ao prêmio. Queria mais provocar os fregueses que não aceitaram a missão por estar "acima disso".
Eu estava cansado demais para lembrá-lo de que minha intenção inicial era saqueá-lo, extorqui-lo ou... sei lá o que meu par faria no começo da carreira.
Sentei no balcão.
Eu cheirava a rato morto e cevada vencida.
Foi quando um dos aventureiros se aproximou.
Ele olhou fixamente para meu elmo.
— Eu sei quem você deveria ser. - ele falava confiante e convencido.
Finalmente.
Endireitei a postura. Ignorei a mordida latejando na coxa.
— O elmo… é de Lorde Blunt. - ele começou. - A armadura está diferente, mas...
— Então você reconhece. - eu ria satisfeito. Ignorava que gastei quase tudo o que tinha com os ratos e não fiz um descanso decente. Minha voz desceu meio tom. Grave. Controlada.
— Você é daqueles bardos?
Silêncio.
— …Perdão?
— Veio pro festival? — ele continuou. — O Dia do Saque de Blunt. Devia por enchimento! Blunt era um gigante, você é pouco mais alto que EU!
— A Libertação de Shén-Li é no meio do ano.
Ele riu pelo nariz.
— Oficialmente. Aqui em Huo-Fen a gente comemora este mês. Tradição local. É mais popular que o feriado oficial. Claro, ninguém ignora um dia sem trabalhar...
O estalajadeiro — Gotar, como descobri naquele momento — entregou a ele uma caneca.
— A Capital manda atores encenar a batalha. Sempre igual. Quatro heróis, discurso bonito, final feliz com a loirinha e uma flecha falsa num canastrão de armadura falsa que mal enxerga. Mas a histporia, mais que sua armadura, sofre de… incongruências históricas.
— Incongruências? - estranho.
— Eu nego essa história pela coerência. O homem mais poderoso do mundo derrotado pelo "poder da amizade" e "Vaaai Àquelaaaa!!!"? Parece roteiro ruim.
— [Cuidado] — murmurou Gladys. — [Ele pode estar certo sobre o roteiro].
Ignorei.
— Lorde Blunt saqueou estas terras, deve ter gerações que testemunharam. - insisto.
— Sim. E ele foi um demônio. — o meu orador tomou um gole. — Mas trouxe estrada, fábrica, aço. Levava ouro? Levava. A Capital leva impostos. A diferença é estética. Veja bem… Eu acho que Blunt foi um demônio - Algo na insistente negativa dele não me parecera... sincera. - Mas a Velha guarda que estavam aqui dezessete anos atrás… Sentem falta.
Meu estômago revirou.
Saudade do tirano?
— Os mais velhos e industriais sentem falta da ordem — ele continuou. — Pelo menos o mal era genuino. Não vejo diferença entre um saque e pagar impostos, mas Blunt deu algo em troca.
Aquilo ficou no ar.
“Mal genuino.”
Eu odiava os heróis pela mentira conveniente, pela traição e teatro. Mas… Nunca imaginei que haveria gente que preferisse a brutalidade coerente, ou “ao menos dava dinheiro”.
— Eu vou capitalizar isso — murmurei.
— Vai o quê? - O meu companheiro de bebidas exclama confuso. Achei que tinha falado para mim mesmo.
— Tenho que firmar meu nome. - falo enfim. Deixo a bebida no balcão.
— Como bardo? - ele insiste
Levantei.
— Como O Inevitável.
— [Ficou péssimo] - criticou Gladys
Saí da estalagem antes que minha dignidade sofresse outro dano estrutural.
Mais tarde descobri que, segundos após eu atravessar a portinhola dupla, um guarda entrou. Marcha firme. Expressão neutra.
Pregou um cartaz na parede.
Meu rosto desenhado com talento duvidoso.
E uma única palavra:
PROCURADO.
Dragão Autor: Dr. Hardman às 13:38 0 comentários
Background da personagem AMELLIE de EDGELORD
Background personalizado
Você viveu de aplausos, promessas sussurradas e portas deixadas entreabertas. Sua música não era só arte. Era convite. Era desafio. Era armadilha delicadamente iluminada.
Em outra vida, você colecionou corações como troféus invisíveis. Agora, reencarnada, tenta colecionar redenções.
Mas o velho ritmo ainda bate no pulso.
O palco muda. A persona também.
Fey Touched
+1 Carisma
Misty Step 1x por descanso longo
Uma magia de 1º círculo de Encantamento ou Adivinhação
O passado não acusa. Ele sorri de canto.
Nada mecânico pesado. Apenas combustível narrativo.