EDGELORD - Cap. I - Arco da Ledgyão
Meu Pai é o Maior Vilão do Mundo… Tenham paciência. Estou começando agora.
Bem-vindos a HUO-FEN
Se Shén-Li é o **Coração do Mundo**, Huo-Fen é o seu **braço direito** — o punho cerrado sobre a marreta de ferreiro que transforma minério em destino.
É aqui que o ferro encontra o fogo.
É aqui que a força do reino é forjada em aço, vapor e pólvora alquímica.
Há dezessete anos, quando Lorde Blunt emergiu das zonas selvagens, Huo-Fen foi a primeira a cair, sob poder de sua horda por sessenta e um dias. Localizada junto à barragem que controla o grande rio, a Cidade Arsenal tornou-se o primeiro troféu do Senhor da Guerra.
Blunt não buscava apenas ouro. Buscava o motor do progresso.
Suas hordas tomaram as forjas, silenciaram os mestres-artífices e acorrentaram o engenho humano. A liberdade foi sufocada para que as bigornas servissem a uma única vontade. O aço que antes sustentava pontes e colheitas passou a alimentar uma máquina de guerra que nenhum homem sensato deveria empunhar.
Durante o período sombrio que se seguiu, Huo-Fen foi isolada do restante de Shén-Li. Seus recursos drenados. Seu conhecimento distorcido. O ritmo das marteladas deixou de soar como hino de prosperidade e tornou-se o compasso de um povo sob o jugo da Espada Negra.
- [Meu nome é GLÁDIUS AETERNUM! JÁ FALEI!]
- C... Como eu dizia, eh... Mas a luz da justiça sempre encontra o caminho de volta.
Blunt caiu às portas da capital. A história oficial diz que quatro heróis salvaram o mundo. Huo-Fen foi “libertada”. As correntes quebradas. A ordem restaurada.
Sob supervisão técnica do Capitão Balmon da Torre da Bigorna, as forjas voltaram a servir ao reino.
Hoje, a cidade é exemplo de estabilidade.
Spoiler: não é bem assim.
Eu sou Lord Edgy, Herdeiro da Escuridão.
Durante dezessete anos, fui chamado de Bentho.
Ensinaram-me que nada poderia deter Lorde Blunt — exceto a união da luz. Hoje sei: nada poderia deter Blunt… Exceto ele mesmo.
Huo-Fen não é o braço direito do reino.
É uma artéria. (ou veia. Não sou bom em biologia)
Quem controla suas forjas controla o pulso do mundo.
E é aqui que começo.
A primeira coisa que vi foi a fumaça.
Não caos. Não apocalipse que nós cadetes em Forte Jian ouvíamos de rumores do oriente do reino.
Colunas ordenadas. Ritmadas. Como respiração mecânica.
Huo-Fen respirava vapor, mas deixava um gosto de cobre na boca, imperceptível aos nativos.
As ruas estavam limpas demais. Não havia sujeira. Não havia crianças. Não havia discussão.
Não era paz.
Era vigilância.
Segui pela via principal por algumas centenas de metros até encontrar o óbvio: um prédio largo, madeira escurecida pela umidade e fuligem secundária constante, lanternas de vidro grosso lançando luz âmbar sobre a calçada. Das janelas altas escapavam vozes abafadas e o tilintar de canecas.
Uma estalagem. Ponto de passagem. Ponto de escuta. Ponto de oportunidade.
Empurrei as duas portas estreitas — divididas ao meio — que balançaram para dentro com resistência teatral e voltaram ao lugar atrás de mim com um toc-toc ritmado.
Divertidas.
O interior cheirava a álcool forte, gordura quente e madeira antiga. Conversas diminuíram um tom — não cessaram, apenas recalcularam. O assoalho anunciou minhas botas com um ranger longo demais para ser ignorado.
Balcão à direita. Escada ao fundo. Mesas espalhadas com espaço suficiente para acordos… ou brigas.
Perfeito.
— N… Não existem HERÓIS neste estabelecimento?! - algo explode em frustração, e me tira de meus pensamentos.
A voz vinha de um homem baixo, ligeiramente corpulento, calvície honesta, pano de prato sobre o ombro. Gesticulava para algumas mesas onde viajantes — ou aventureiros — fingiam interesse extremo em suas canecas ao invés do homem nervoso.
Ele me viu. Desviou o olhar.
Interessante.
Faço a cena em minha mente: eu não sou o problema. Eu sou a disrupção necessária. O poder que impõe ordem.
— [Ao menos no ego você supera Lord Blunt.]
— Calada, Gladys.
Soltei as portas atrás de mim. Elas bateram de leve. Como a Senhorita Amellie dizia, eu estava “farmando aura”. Passos firmes. Ombros retos. Lentos o suficiente para parecer natural. Rápidos o suficiente para parecer inevitável. O estalajadeiro percebeu minha aproximação. Suava. Parou de implorar aos outros e esperou ser abordado.
— N… Não recebo alguém como o senhor há muito tempo… — a voz saiu pomposa demais para alguém que evitava meus olhos, mas demonstrava limitada literacia. — Bem-vindo, nobre excelência.
Reconhecimento.
— Parece que identificou seu superior. — inclinei levemente o elmo. — E não encontrou socorro neste salão.
Olhei desafiadoramente por sobre o ombro. Os aventureiros estudavam suas bebidas com devoção religiosa. Ostensivamente faziam parecer que não falávamos com eles. Minha grandiosidade os inibia.
— Milorde… — ele engoliu seco. — Eu não seria digno de incomodá-lo. Sua armadura… seu porte… eu estou abaixo de ser um estorvo.
Sim.
Súplicas.
— [Não está achando fácil demais, ô Bentho?]
Ignorei Gladys tentando me jogar para baixo. Eu consegui me impor. Não deixaria uma espada tagarela transformar isso em delírio.
— O que descreve é apenas a realidade. — relaxei o tom, voltando-me levemente ao salão. — Mas vocês têm agora a atenção da Espada de LORD EDGY. O Filho do Terror, Cavaleiro do Je Ne Se Quá.
— [Você quis dizer “je ne sais quoi”? Foi por causa do gracejo que fiz capítulo passado?] - Gladis resmungou. — [Você sequer sabe o que isso significa?]
Algo tilintou no balcão.
Moedas.
O estalajadeiro as empurrou para mais perto de mim com dedos trêmulos.
— I-isso é tudo que posso dispor, milorde. Sinto muito.
Observei o montante. Contei rápido e silenciosamente.
Um dobrão de ouro.
quatro ou cinco peças de prata.
Um pequeno lingote com o selo de Huo-Fen — bronze puro, corrência local.
E várias moedas menores de cobre espalhadas.
Era muito?
Era pouco?
Não podia perguntar.
— [Blunt saqueou esta cidade inteira, e você ganha uma esmola glorificada.] — Gladys parecia se divertir.
— Eu aceito sua oferenda. — recolhi as moedas com firmeza. — E, ao menos por hoje, seu estabelecimento estará ... Seguro.
— ESTÃO VENDO?! — o estalajadeiro explodiu, virando-se para os outros. Eu mesmo tive um sobressalto. — Este NOBRE CAVALEIRO ANDANTE, juramentado à Senhora Janete Quà, vai se rebaixar para fazer o serviço que vocês se acham bons demais para cumprir!
“Janete Quà”?…
— [Ra… ra…] — Gladys tentou imitar uma gargalhada.
Antes que eu pudesse corrigir o equívoco histórico, a divisória lateral do balcão foi aberta. O estalajadeiro fez um gesto para que eu o seguisse.
Hesitei por meio segundo.
Ele me conduziu para os fundos da estalagem, longe dos olhares constrangidos do salão, até uma porta de madeira reforçada. O ar ali era mais úmido. Mais frio.
Parou diante de uma escadaria que descia para a escuridão. — É… aqui embaixo, milorde. - Eu encarei o breu. - Ratos Gigantes, como falei! - falou? quando?
A madeira do corrimão estava gasta. O ar carregava cheiro de grãos, fermentação… E algo mais.
- Esse porão vai para uma masmorra subterrânea? - Pergunto. - Feras gigantescas... parecidas com roedores? Estaria algum wererat envolvido?
O estalajadeiro hesitou, olhando para mim.
- Quem sabe? Talvez...
Esta estalagem estava sob ameaça de algum líder de submundo que usava as criaturas do subterrâneo para inspirar medo... Mas agora que ele estava sob meu julgo, eu deveria derrotar o antigo atormentador de...
- [Não está nem perto, ô Bentho...] - resmunga Gladys.
Eu decido descer. O Estalajadeiro se encolhe e observa um pouco antes de fechar a porta.
As escadarias rangem com meu peso. Há um gap no corrimão, que eu quase caio. Saco Gladius... Olho ao redor. Apenas uma tocha ineficas estava acesa, mas a escuridão era minha herança. Olhos do Demônio.
Estou no que parece ser um depósito de alimentos em conserva, alguns barris de cerveja fermentando, e ratos.
Muitos ratos.
Grandes ratazanas, como se fossem pequenos cachorros.
- [Você aceitou uma missão de matar ratos no porão da estalagem!] - Revela a espada. - [Missão de herói de primeiro nível!]
- O que?!? Não! Eu sou um mobster assegurando o território! - protestei. - E tem algum chefão wererat aqui e...
A realidade me cai.
- Estou aqui matando ratos, não é?

A Donjon estava silenciosa demais.
Normalmente haveria dois sentinelas na base, passos coordenados na escadaria em turnos cronometrados, mais dois guardando a cela no topo — onde a armadura animada, a Vigília Sombria, encenava sua prisão com movimentos calculados.
Naquela noite, não.
Lady Àquela subiu sozinha.
A cela estava vazia.
Ou quase.
Estebán estava junto à janela estreita, a única abertura para o exterior. A luz fria da lua recortava seu perfil. Não havia armadura ali. Não havia o Senhor da Guerra.
Apenas um homem.
— Estive aqui quando você me contou que estava grávida. — Ele não se virou. — A Guarda ainda era muito nova. O Conselho ainda temia que eu mudasse de ideia. Foi a última vez que eu tive medo em minha vida, até esta tarde.
- A frase de "Caminhe. Mesmo tremendo." - ela sorriu.
— Eu temia que meus inimigos descobrissem que havia algo… alguém… que eu não podia proteger por estar preso a este castelo. Medo é mais forte que respeito. Se soubessem que eu tinha um herdeiro…
— “Herdeiro.” — Àquela arqueou a sobrancelha. - Parece o Senhor das trevas falando de novo…
Ele suspirou. Encara a janela, onde em um dia claro podia ver a capital no horizonte.
— Eu ainda pensava… penso como Blunt. Mesmo depois de abandonar o mundo à minha frente… eu não abandonei o abismo dentro de mim.
Ela tocou o braço dele.
— Você parou. Isso é o que importa.
— Eu nunca consegui abandonar Blunt por completo. — ele continua, a voz baixa. — Precisava pensar como ele para conduzir a Nova Guarda. Antecipar movimentos. Prever ambições. Para isso… Ainda precisava encarar o abismo. O Castelo deveria ser uma prisão, mas vocês o tornaram um lar. Você, Bentho… Até mesmo Khao, impondo os limites, e seus surtos de fúria quando eu o provocava.
Havia sinceridade ali. Crua.
- Eu fui orientado pela mestra armeira Hamme a programar Vigília Sombria com cuidado, sem margem para interpretações. - Esteban continua. - Qualquer abstração poderia ser catastrófica. Pegar o exato objeto, no exato momento, na exata condição. Ela não é um deus realizando desejos. Ela é absurdamente literal, e sem senso de autopreservação. Mas eu falei... "Proteja meu sangue" a ela. Nada mais abstrato do que isso, e olhe no que deu. Um sentinela espancado, e o Arsenal de Lord Blunt perdido pelo reino.
Àquela o observa em silêncio.
— Você disse que sentia a espada.
Estebán concorda, devagar.
— Não com precisão. Não como antes. — ergue o olhar para o horizonte. — Mas há um eco. Ele está perto de Huo-Fen. Talvez em seus arredores. - Ele faz uma pausa. — Mandou a mensagem para Balmon?
— Ele sabe apenas que Bentho deixou a Torre. E que estamos procurando por ele. — Àquela cruza os braços. — Com alguns agrados, ajudará sem fazer perguntas. Espero que Khao não o procure antes de sabermos onde Bentho está.
Estebán solta um suspiro contido.
Khao não ajudaria. Khao desconfiaria. Khao veria sucessão onde havia apenas um filho perdido. Despistá-lo era prudente.
Balmon, por outro lado, era pragmático. Moral maleável, mas não corrupto. Sabia quando não enxergar demais.
Se agissem rápido, antes que o Conselho Regente conectasse os pontos, talvez pudessem trazer Bentho de volta.
Sem escândalo.
Sem romper o pacto.
Sem abalar a Nova Guarda.
A paz de Shén-Li.
A frágil tolerância concedida ao nome de Lord Blunt, e em contrapartida, a fúria sombria do Senhor do Escuro sendo contida.
O Porão
Os ratos deram trabalho.
Para mim, a escuridão não era obstáculo. Era herança.
Eu via cada viga, cada barril, cada respiração.
O que não contava era que eles também me viam.
Grandes. Magros. Pelagem rala. Dentes compridos demais para serem naturais.
E vieram juntos. Cortei a primeira no ar. O corpo caiu antes do guincho terminar.
O segundo passou por baixo do meu alcance e cravou os dentes na junção da greva.
— Ah, sua miséria de quatro patas!
— [Tecnicamente são quatro patas muito eficazes] — observou Gladys, com voz de quem comenta o clima.
Chutei, girei a lâmina. Mais duas recuaram, mas outras avançaram por cima dos barris.
Não era duelo. Era enxame.
— [Isto é estatisticamente trabalho para 1d6 aventureiros iniciantes] — comentou ela.
Um terceiro mordeu meu antebraço.
Respirei fundo.
— Muito bem.
Ergui a espada.
— Blade Burst. - Um ataque de área, mais eficiente, embora menos forte que os Smites ou o Blooming, mas os ratos não precisavam de muito mais. A energia explodiu ao meu redor como um anel de vidro quebrando. Três ratazanas foram arremessadas contra a parede. Outra perdeu metade do focinho. Ganhei espaço para me coçar.
O problema não era qualidade do adversário. Era quantidade.
— [O Décimo Quarto bruxo vai fazer retirada estratégica?] — disse Gladys provocando-me.
Uma ratazana nojenta caiu sobre ela.
— [Retiro o que disse. Violência extrema é aceitável! QUEIME ELA! QUEIME QUEIME!].
O estalajadeiro gritou do andar de cima:
— ESTÁ TUDO BEM AÍ EMBAIXO?!
— PERFEITO! — respondi, enquanto disparava — RAIO MÍSTICO! - Eu achava que estava sendo irônico, mas ele pareceu confiante.
Feixes de energia cortaram o ar. Madeira estilhaçou. Um barril explodiu em cerveja morna. Outro rolou escada abaixo como se tivesse opinião própria.
O porão virou um campo de guerra fermentado.
Pensando que estava livre, levo uma mordida no tornozelo. nem vi ela se aproximar.
Outra no ombro.
— Espero que meu lado paladino inclua imunidade a doenças — rosnei.
Lancei trevas. A escuridão que invoquei não era ausência de luz. Era presença minha.
Eles perderam os olhos. Eu não. Agora, eu era o caçador.
Depois disso foi menos batalha e mais colheita.
Quando terminei, havia silêncio.
E vinte e um ratos amarrados pelo rabo.
Subi a escada pingando cerveja e dignidade.
O estalajadeiro quase chorou de alegria. Ou de desespero ao ver o estado do estoque.
— Um quarto e refeição por conta da casa! - ele adicionou ao prêmio. Queria mais provocar os fregueses que não aceitaram a missão por estar "acima disso".
Eu estava cansado demais para lembrá-lo de que minha intenção inicial era saqueá-lo, extorqui-lo ou... sei lá o que meu par faria no começo da carreira.
Sentei no balcão.
Eu cheirava a rato morto e cevada vencida.
Foi quando um dos aventureiros se aproximou.
Ele olhou fixamente para meu elmo.
— Eu sei quem você deveria ser. - ele falava confiante e convencido.
Finalmente.
Endireitei a postura. Ignorei a mordida latejando na coxa.
— O elmo… é de Lorde Blunt. - ele começou. - A armadura está diferente, mas...
— Então você reconhece. - eu ria satisfeito. Ignorava que gastei quase tudo o que tinha com os ratos e não fiz um descanso decente. Minha voz desceu meio tom. Grave. Controlada.
— Você é daqueles bardos?
Silêncio.
— …Perdão?
— Veio pro festival? — ele continuou. — O Dia do Saque de Blunt. Devia por enchimento! Blunt era um gigante, você é pouco mais alto que EU!
— A Libertação de Shén-Li é no meio do ano.
Ele riu pelo nariz.
— Oficialmente. Aqui em Huo-Fen a gente comemora este mês. Tradição local. É mais popular que o feriado oficial. Claro, ninguém ignora um dia sem trabalhar...
O estalajadeiro — Gotar, como descobri naquele momento — entregou a ele uma caneca.
— A Capital manda atores encenar a batalha. Sempre igual. Quatro heróis, discurso bonito, final feliz com a loirinha e uma flecha falsa num canastrão de armadura falsa que mal enxerga. Mas a histporia, mais que sua armadura, sofre de… incongruências históricas.
— Incongruências? - estranho.
— Eu nego essa história pela coerência. O homem mais poderoso do mundo derrotado pelo "poder da amizade" e "Vaaai Àquelaaaa!!!"? Parece roteiro ruim.
— [Cuidado] — murmurou Gladys. — [Ele pode estar certo sobre o roteiro].
Ignorei.
— Lorde Blunt saqueou estas terras, deve ter gerações que testemunharam. - insisto.
— Sim. E ele foi um demônio. — o meu orador tomou um gole. — Mas trouxe estrada, fábrica, aço. Levava ouro? Levava. A Capital leva impostos. A diferença é estética. Veja bem… Eu acho que Blunt foi um demônio - Algo na insistente negativa dele não me parecera... sincera. - Mas a Velha guarda que estavam aqui dezessete anos atrás… Sentem falta.
Meu estômago revirou.
Saudade do tirano?
— Os mais velhos e industriais sentem falta da ordem — ele continuou. — Pelo menos o mal era genuino. Não vejo diferença entre um saque e pagar impostos, mas Blunt deu algo em troca.
Aquilo ficou no ar.
“Mal genuino.”
Eu odiava os heróis pela mentira conveniente, pela traição e teatro. Mas… Nunca imaginei que haveria gente que preferisse a brutalidade coerente, ou “ao menos dava dinheiro”.
— Eu vou capitalizar isso — murmurei.
— Vai o quê? - O meu companheiro de bebidas exclama confuso. Achei que tinha falado para mim mesmo.
— Tenho que firmar meu nome. - falo enfim. Deixo a bebida no balcão.
— Como bardo? - ele insiste
Levantei.
— Como O Inevitável.
— [Ficou péssimo] - criticou Gladys
Saí da estalagem antes que minha dignidade sofresse outro dano estrutural.
Mais tarde descobri que, segundos após eu atravessar a portinhola dupla, um guarda entrou. Marcha firme. Expressão neutra.
Pregou um cartaz na parede.
Meu rosto desenhado com talento duvidoso.
E uma única palavra:
PROCURADO.



















