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28 de fevereiro de 2026

EDGELORD Cap. II - Arco da Ledgyão

Huo-fen, Cidade Arsenal

 "Meu pai é o Maior Vilão do Mundo. E ser vilão é, aparentemente, mais difícil do que eu pensei!"

Bem-vindos a Huo-Fen.

Se Shén-Li é o Coração do Mundo, Huo-Fen é a sua artéria coronária. (E sim, essa metáfora foi ideia da Gladys. Ela insiste em precisão anatômica.)

Há dezessete anos, quando a escuridão de Lorde Blunt emergiu das zonas selvagens, Huo-Fen foi a primeira a cair.

A cidade que alimentava o Coração do Mundo com seu ferro ardente ajoelhou-se sob o Punho de Ferro da Vigília Sombria — ordem foi a palavra escolhida.

E não é que teve gente que gostou?

Descobriram um amor súbito pela disciplina.

Pela vigilância.

Pela denúncia cívica.

Alguns chamam isso de ordem.

Outros chamam de prosperidade.

Hoje chamam de nostalgia.


Eu me chamo LORD EDGY, O FILHO DO TERROR.

Mas durante dezessete anos fui chamado de Bentho. Cresci admirando/temendo Blunt. Não do tipo "quando crescer serei um vilão tirano", mas a armadura era maneira, e ele foi uma ameaça global que precisou de pessoas extraordinárias para deter, eu queria ser extraordinário. Hoje, eu sei que o tal Blunt era meu pai. Estou usando a armadura. E quero ser um vilão tirano.

— [Durante a ocupação, aqui era triagem.] — comentou Gladys.

— Triagem?

— [Para decidir quem servia. E quem desaparecia.]

Engoli seco.

- Eu lembro que Balmon reclamava desta área... - comento. Estou com a armadura completa. Gladius em mãos. Uma casa, construída fora dos padrões, projeta à rua uma cobertura escura que me aproveito como uma alcóva. - Dizia que até tinha guilda de ladrões. Talvez seja o lugar mais perigoso de Shén-li...

- [Hmm... Postes com torchas de filamento, barris de lixo organizado...] - Observava a espada. Eu fazia sua ponta avançar para observar o ambiente. - [Se isto é o pior de Shén-li... vocês não aguentariam uma ocupação mais longa de Lord Blunt.]

Eu achava aquilo imundo e caótico. Mas não tinha referência, pois vivi entre fortes militares e o imponente palácio da Nova Ordem. Falem o que quiser da mentira conveniente, e da disciplina exacerbada de controle... Mas é um bom expoente. Ceder liberdades até parecia ... "justo" olhando por um filtro.

- [Lá vem...] - Gladys alerta. Eu a recolho. - [Pode preparar!]

Admito que esqueci o que acertamos. Mas da última vez que eu quis fazer as maldades e ignorei Gladys, acabei num porão cheio de ratos. Quis dar chance à espada que esteve em poder de 13 tiranos, o sexto deles era Malkor das Mil Vozes, derrubou as Sete Torres da Magia de Lian-Zhou. Claro, ele perdeu um duelo decisivo por causa das vozes em sua cabeça, que ele atribuía a "fantasmas". Gladys atribuía a esquizofrenia. Claro, ter uma espada falante legítima só piorou tudo.

Ouço passos. Pé, Pé, um objeto sólido. Pé, Pé, outra vez um baque de madeira. Era bem cadenciado. Eu espero estar próximo, e me revelo. Armadura sombria. Capa roxa esvoaçante. Um leve faiscar mágico. Eu era a Encarnação das trevas, pronto para abordar...

... Uma senhorinha de bengala.

- [Agora, Lorde Edgy!] - estimulava a Lâmina Eterna. - [Assalte-a!]

- A-assalto?!? - Exclamo.

- Por favor, não me mate! - urra ela debilmente, abrindo uma sacola, e tentando pegar seu conteúdo, mas com as mãos trêmulas dificultando desfazer o nó. Seus olhos estavam arregalados. Ela suava e chorava de medo.

- [Vai dizer que o Filho de Blunt está acima de vilania básica?] - protesta ela. - [Capangas custam dinheiro. Recursos para saques maiores. Tem de começar de algum lugar!]

- Depois do INCIDENTE dos RATOS, você achou que eu ia partir para ASSALTOS?!? - eu explodo. Era para ser para a Espada falante. Mas só eu a ouvia... Acho que, olhando para a pobre senhora, entendo como Malkor das Mil Vozes se sentia.

- Por favor, nobre senhor ladrão. - ela se ajoelharia se seu reumatismo permitisse. - Eu tenho Seis filhos e Vinte e Sete Netos!

- [Ouviu, Bento?] - insistia a espada. - [Ela já viveu bem! Não tem mais valor nessa terra!]

Meu Senhor Aetíades… O que eu estava fazendo?

Ignoro ostensivamente Gladys. Aquilo era... Pequeno... Mesquinho demais para um vilão da minha categoria.

- H-houve um engano... Senhora. - Tento acalmar a velha, afastando a sacolinha dela de volta. - Eu sou Lord Edgy, e eu não vou assaltar a senhora...

- ACHO BOM MESMO!

Cinco homens surgiram atrás de mim. Deveriam estar a algum tempo naqueles becos.

Corseletes gastos. Tatuagens de corvo no rosto.

- Então o enlatadinho está tentando assaltar no território dos CORVOS MENSAGEIROS DE MORVAL?!?

- [ Ah, eu lembro deles!] - disse Gladys. - [Seu pai recrutou pequenos criminosos como rede de informação local... Acho que o nome pegou...]

- Sim, a "Guilda de Ladrões" que Capitão Balmon tanto reclamava! - Urro, enfim. Ouvia os passos "apressados" seguidos do toque de bengala da velhinha fugindo. Ao menos, não teria que me preocupar com ela... 

- Somos a MAIOR das Guildas de Huo-fen, forasteiro! - Um segundo se adianta, precisando ser segurado pelo que parecia ser o líder. Ele parecia satisfeito de dizer aquilo...

- Vocês são a ÚNICA guilda de ladrões de Huo-fen. - Eu balanço a cabeça criticamente, sem levar a sério aqueles bandoleiros. - Talvez a única guilda de ladrões em toda Shén-li. Seu título é menos impressionante do que vocês pensam. Nomezinho bobo, aliás..

- [Ensina a eles, "Filho do Terror"] - Preciso me concentrar para não perder a compostura com mais essa de Gladys.

- Se é o pior que sua cidade pode oferecer... Que venham! - eu me ponho, poderoso. - Pois Lord Edgy aceita o desafio de.... Eh, isso são cacetetes?

Eu enfim reparo. Todos eles usam uns pausinhos que nunca vi na vida.

- São TONFAS, Paspalho! - ensina-me um terceiro.

Era um cilindro curto e sólido, com um segundo punho atravessado perto de uma das extremidades — como se alguém tivesse pregado um cabo lateral num cassetete. Era uma "tala ofensiva". Eu treinei com bastões, que eram pouco mais que longos galhos, e seriam muito mais eficientes que aquilo...

- Por Phyrros e Enya... - Resmungo, deixando os ombros descerem decepcionados. - Estamos na Cidade Arsenal! Forja do reino! Terra das armas de fogo e alquimia! Não pensaram em usar adagas? Uma carabina de tiro único? Olhem para mim... Olhem esta manopla! - Estendo a parte que reforçava punho e antebraço. - Ferro frio da Montanha Morta! Esta espada está transbordando de magia sinistra! E vocês querem vir para cima de mim com ... O que eu só posso definir como peças de uma cadeira desmontada?!?

Acho que eu ofendi algum brio de orgulho ladrão neles. Eles urraram e investem contra mim.

Deu com os ombros. E parti para o combate.


Àquela estava no pátio interno do Castelo Negro. Era um dos momentos que mais temia... Khao havia voltado.

Preferiu estar sozinha. Pediu à sua escudeira avisar ao marido do retorno do capitão como se fosse algo rotineiro, mas era mais para tirá-la de lá. Estebán provavelmente já sabia.

As muralhas estavam desocupadas.

O Capitão do Punho de Concreto deve ter tido pensamento parecido, pois estava sozinho também. Desmontou do seu cavalo, Amarrou ele mesmo em uma trave próxima, e foi ao encontro dela. Trazia um longo papiro em tubo na mão humana. Seu olhar estava furioso.

- Deveria ter confiado em mim, Àquela! - Ele urra. - Eu ia fazer o melhor para o garoto!

- D-devo deduzir que você acha que Estebán...

- Eu era um rastreador ANTES de me tornar um capitão! - Khao a interrompe. - Acha mesmo que eu não PERCEBERIA?!? - Era assustador. Mesmo com o famoso temperamento explosivo, o Bárbaro jamais faltou com respeito e cordialidade à Dama do Arco, a quem devia a vida no Levante de Blunt.

- Você não tem o que é preciso para cuidar e proteger o Bentho, Khao. - Ela fala, enfim. Com determinação de uma capitã.

- E-está insinuando que eu não tenho FORÇA para lidar com um cadete? - O homenzarrão estufa o peito com indignação.

- Não estou insinuando que é problema seria sua força! - ela urra. Afunda o dedo indicador na placa peitoral do colega - E isso não é uma ofensa! Você vai fazer o que é mais certo! Sempre foi o que quis fazer. Ser o herói da vez... Levar meu filho para o Conselho ou para a Família Sagrada... Dar fim a meu lar, e ir atrás de meu marido! Sinto, Khao... Mas eu não sou nobre como você. Eu ... Eu só queria ser uma guia urbana, espantar kobolds às vezes... Vocês me fizeram a "Arqueira Lendária". Eu cumpri este papel por DEZESSETE ANOS! O que é "certo" não é o que eu quero. Eu quero meu filho de volta ... Para mim!

Uma lágrima corria dos olhos de Lady Àquela.

- Àquela... - Khao se sentia culpado, mas irredutível. - Você... Me conhece muito bem...

Àquela sente um tom assustadoramente resignado na voz do capitão. Ela percebe o rolo na sua mão.

Ela toma-o, tremendo.

Era um cartaz de procurado.

Com meu rosto. O nome "Bentho".

- O que você fez... - a voz quase não saiu da garganta.

- Achima já enviou por magia a todos os entrepostos da Nova Guarda. - ele revela enfim. - Eu sinto muito. Mas você e Estebán não me deram escolha e...

- Khao seu idiota... - Havia medo na voz da dama do arco. - Este palácio recebe estas mensagens... e Estebán é o encarregado...



Os dois olham para a porta aberta.

O escriba já estava ali.

Sem papéis.

Sem expressão analítica.

Sem ironia.

Apenas sereno.

Contido.

— Agora vai ter algum gracejo? — provoca Khao, forçando coragem. — Eu disse que isso ia acontecer, Blunt.

— Sem gracejos. — responde Estebán, começando a caminhar firme. — Sem explicações. Sem jogos mentais. E não me chame mais de Blunt.

— Oh? — Khao alonga os ombros. — Chamo de quê, então?

Estebán passa por ele. continua caminhando rumo aos pórticos do castelo.

Não toca.

Não encara.

Lorde Blunt. — diz, finalmente. — E Lorde Blunt vai pegar o seu cavalo, capitão… e ir buscar o meu herdeiro.

Por dezessete anos, Khao esperou essa admissão.

Mesmo assim, o ar abandona seus pulmões.

— Dê mais um passo na direção do portão... — o capitão rosna, avançando ameaçadoramente — e o trato acaba, Blunt. Você sentirá o peso de Shén-Li sobre você!

Estebán alonga os dedos.

Anos sem usar magia em combate de alto nível. Algo como enfrentar um capitão, uma unidade militar, um exército...

Não faria diferença.

Ele não precisava de nada do que sabia fazer.

Bastava querer.

Khao ruge. Dor... Mas não foi Blunt:


Ambos os pés do capitão Khao são atravessados por flechas-tazers elétricas.

Cravaram o colosso no chão. E seus enormes músculos lhe faziam o desserviço de imobilizá-lo.

Silêncio.

Khao olha para baixo.

Depois para Àquela.

Ela ainda segura o arco estendido. Corda vibrando. Faiscas elétricas

Àquela parecia... Ainda mais surpresa do que ele.

— Me desculpe! — ela responde, quase atropelando as palavras. — Eu não queria que Estebán o machucasse!

— MEUS PÉS ESTÃO FURADOS, MULHER! - Khao aponta a ironia.

— Ele poderia fazer você arrancar as suas próprias amígdalas com a mão de pedra! Não seja dramático!

- Àquela, querida... - Estebán olhava surpreso, mas técnico. - Eu recomendo agora a flecha do Silêncio.

- A... - Àquela olha estranho, e saca-a por inércia e instinto.

- Para quê OUTRA flecha?!? - Khao pergunta. Ainda em choque. - Já não me flechou o suficiente?!?

Estebán toma um longo suspiro para responder.

- "A gloriosa elite da Nova Guarda, senhoras e senhores." - resmunga ironicamente. - Para não soar o alarme, é claro!

Àquela e Khao se detiveram outro segundo, um encarando o outro... Assimilando.

Khao enche os pulmões para gritar. Mas Àquela foi mais rápida. A flecha crava fora do alcance do seu companheiro, e tudo ao redor dele se torna silêncio. Ela precisa se afastar, até se aproximar do marido, já montado no cavalo.

- Vá, Estebán... - Ela fala. - Traga nosso filho de volta.

- E deixar você aqui? Para lidar com as consequências? - retruca o vilão. - Acabou, minha amada. Aceite.

Àquela começava a perceber o que fez. Paralisou o capitão. Permitiu a fuga de Blunt. Desafiou a ordem de Shén-li.

- Parece que... Perdemos nosso lar... - ela sentia a tristeza, mas não arrependimento.

- Onde você estiver, é meu lar, Àquela. - Esteban estende a mão para que a arqueira subisse com ele no cavalo. - Bem-vindo à Vilania, Arqueira Lendária.

Ela enfim monta.

O cavalo dispara.

E o Castelo Negro fica para trás.


Os ratos deram mais trabalho, mas demorei muito menos.

Preferi não usar o combo "escuridão" com eles. Só Smite, e dor.

Acho que lembrava que meu pai falou sobre um dos motivos dele se revoltar era que adversários eram burros demais para admitir que não tinham chance... Pois bem, eles continuavam tentando vir para cima. Um deles estava com fratura exposta, bebeu uma porção de cura e voltou à luta!

Foi mais um exercício aeróbico. A armadura era excelente contra "tonfas"... Mas devo ter alguns roxos na pele quando for dormir. Estava com o sangue quente ainda.

Aí, a coisa toda foi para o brejo.

Chegaram mais... Eram só três, mas estavam armadurados, tanto quanto eu. Não eram assaltantes.

Coldre com arcabuz de repetição, invenção de Balmon. Um Crossbow de cerco às costas.

Até como marchavam era uma formação militar correta, um ponta-de-flecha com dois cobrindo flancos. Não iam cair em truques, e me cercariam na primeira chance… E eu estava sem mana.

Atrás deles, e provavelmente o que atrasou a sua chegada ao local... a mesma velhinha de bengala.

- Foi esse aí, de armadura! - Ela apontou para mim.

- [Round seis? Sete?] - Gladis provocava. - [Alguém ligou o horde mode...]

- Chega... - eu levanto cambaleando, recuperando o fôlego. - Estou aqui. Podem se aproximar, e saibam que vocês estão perante...

- Lord Edge...Sim, Dona Sofia nos falou. - Adiantou o "ponta de lança". - Muito obrigado, senhor.

Ah, de novo não.

- [Você falou em voz clara que não ia assaltar a velhinha...] - riu Gladys, que novamente viu antes o que ia acontecer.

- Tom Gatto, O Garila Murray... Morval Menor - o que parecia o equivalente a "capitão" dele, fazia reconhecimento dos marginais que eu derrubei. - Cinco batedores dos Corvos Mensageiros de Morval. Todos com recompensa. Aqui está, com o agradecimento da chancelaria local, e Capitão Balmon de nosso ramo da Nova Guarda.

- Eu não fiz isso por seus créditos... - tento articular algum desafio. Passou por humildade.

- Sim, ele é muito desapegado! - "ajudou" dona Sofia. - Devia estar caçando eles quando eu atrapalhei, e mesmo assim, me protegeu!

- Não deveríamos concordar com vigilantíssimo... - pondera o capitão. - Mas... Ah, dane-se. Isto é Huo-fen! Vou deixar a recompensa aqui (colocou o saco num barril próximo a mim), e dar uma volta no quarteirão... E, será que só acharemos um beco vazio com cinco meliantes inconscientes quando voltarmos?

Estava cansado. E frustrado.

- Provavelmente sim - confessei. Aquela recompensa deveria ser seis meses de meu soldo como guarda em Fort Jian.

- [Seis meses de soldo?!? Você era muito pobre…]

- Eu morava num CASTELO! Minha mãe era uma Lady! - protestei.

Felizmente, tanto dona Sofia quanto os guardas estavam lá longe.

- [Foi uma longa noite...] - Gladys parecia exacerbada. - [Tentamos amanhã? Mesma bat-hora, mesmo bat-canal?]

- Fazer o que, né?

Recolho a sacola de recompensa e mergulho na escuridão.

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