Por um segundo achei que Hálcora, pérola valiriana, se tornaria um cemitério a céu aberto ou seria empurrada mar adentro... Ou ao menos coberta pela "Escuridão Enlouquecedora de Blunt". Eu não queria que isso acontecesse... mas agora eu até que preferia, considerando a alternativa.
A cidade pode perseverar. Eu estava condenado.
Vou adotar o "Qual é o seu ângulo?" como filosofia pelas próximas horas de vida em que estiver vivo. Enxergar o problema pelos olhos de alguém é excelente para entender o que fazer com seu projeto ou mesmo antever os passos de seus adversários.
Os cartazes contavam uma história.
Primeiro, eu fujo do Castelo Negro com o Arsenal de Lord Blunt. O Conselho Regente não podia simplesmente anunciar isso sem causar confusões, admitir a "mentira conveniente" da fundação da Nova Guarda. Enquanto eu estava tentando galgar alguma luz em Huo-fen, eles devem ter tentado as formas "sutis" de me encontrar e apreender.
Quando tudo falhou, precisaram colocar meu rosto em um cartaz. Precisava formalizar a caçada humana.
Meus pais não devem ter ficado felizes.
Mas então, algo aconteceu. Balmon estava tentando abafar por algum motivo.
Os Corvos de Morval não vieram a Hálcora atrás de mim ou de Amellie, mas de Lord Edgy. E estavam muito melhor equipados. Balmon deve ter fornecido. Eu descobri que ele tinha alguma influência sobre eles. Tudo indica que me pegar parecia algo prioritário, e que escrúpulos seriam maleáveis, e Balmon era alguém que poderia fazer isso.
... Então, por que de repente ele quis amenizar? Por que, aos olhos de Huo-fen, Bentho só estava "desaparecido"?
Ele estava com medo de alguém.
Meu primeiro pensamento foi o pior: Esteban, o verdadeiro Lord Blunt, teria deixado o palácio. O Senhor das Trevas e da Guerra. Balmon nunca escondeu o quanto o Levante o afetou. Se fosse o caso... Se meu pai estivesse envolvido, ele tinha poder para rasgar o continente. Pessoas iriam morrer. Isso seria terrível, não é?
Agora, descubro que foi só a minha mãe. Shen-li podia dormir tranquila. Quem ia morrer era eu.
— Lady Àquela, que-ri-da! — Amellie praticamente transfigura-se em uma dama sorridente e passa na minha frente.
Minha mãe, Lady Àquela, estava tão focada em mim que só agora reconheceu nossa "professora de ópera" e detem seu avanço.
— V-você envolveu a Senhorita Amellie nisso?! — ela urra. Estava ainda no platô imediatamente antes de nós, a pouco mais de cem metros.
— Querida, visual retrô? Arrasando! — ela comenta. Realmente, minha mãe não estava usando a armadura da Nova Guarda. Eu mal notei. — Vejam todos! É a Arqueira Lendária! A Dama do Arco está em Hálcora!
Amellie pensou rápido ante minha hesitação. E foi brilhante.
Ela deve ter usado algum truque sutil. Sua voz foi projetada em alguns pontos, e a presença da "celebridade" foi notada. Hálcora estava cheia. Era uma manhã agitada. As pessoas começaram a andar encantadas e surpresas. Primeiro um ombro empurrado, depois um passo hesitante, até que o fluxo natural da avenida se fechou ao redor dela.
— Certo, Edgy, preciso de sua atenção... — Amellie, vendo que conseguiu atrasar minha mãe, se volta para mim. — Precisa decidir... Sei que é algo muito pessoal, mas é hora de agir. E eu estou com você.
— O quê?! — ainda não fazia sentido. Aquela roupa. A mesma do quadro no salão. A versão dela que derrotou Lord Blunt. — Isso é… sério? É Àquela contra Edgy? Agora? Ainda no Segundo Arco?!?
— Se escolher lutar, nós lutamos. Se quiser fugir, vamos nessa! — Amellie estava sendo a sóbria da dupla. — Mas, um ou outro, não podemos ficar aqui embaixo. Sua mãe é uma arqueira em terreno elevado, com linha de visão. O mando de campo aqui é dela... E muitos civis podem levar um raio ou flecha por acidente. Precisamos colocar a luta em nossos termos, em nosso terreno.
— T-tem razão. Me segue. — comecei a me mover. — Média distância favorece ela. Eu e o Xitarro fomos emboscados num beco aqui perto, talvez—
Eu já havia andado uns bons cinco metros, quando percebo que Amellie não estava me seguindo.
Olho preocupado. Minha mãe ainda estava lá, cercada por "fãs". Mas não estava impressionada. O fato de não estar berrando conseguia, paradoxalmente, me deixar mais preocupado.
— Amellie?!
A barda estava parada em um passo. Boca semiaberta.
— O que foi que...
Eu me aproximo.
Os olhos dela mexiam freneticamente, mas nada mais. Ela não falava... Não respirava.
Estava paralisada.
E eu sei que minha mãe até tinha flechas que emulavam efeitos. Mas não foi ela...
— Essa ... Não pode ser...
Eu me coloco na frente de minha capanga paralisada e encaro minha mãe. Minha mente correu pelas possibilidades.
-> ouça esta parte ao som do tema de Lord Blunt
Flechas especiais de outro arqueiro oculto.
Artefatos.
Capitão Achima... Outro usuário de magia.
Qualquer coisa.
Qualquer coisa seria melhor do que—
Meu pai é o maior vilão do mundo. E ele está aqui. É... "um cemitério a céu aberto" ainda é uma opção.
Pessoas querendo olhar Lady àquela esbarravam em Estebán, ignorando que estavam no caminho de Lord Blunt. Mas a mão firme dele mantinha um feitiço de concentração em Amellie...
— [Saiba que eu vou colocar a culpa toda em você, Bentho] — fala Gladys. Se era para ser engraçada ou séria, irrelevante.
— "Eu ouvi isso..." — era a voz de Blunt. Ele estava telepaticamente no nosso "canal". O que isso significava? - Eu só vim buscar o que é meu.
Mais um para atrapalhar o monólogo?
— Bentho... Ou você sobe até aqui, ou NÓS DOIS vamos até aí, e só vai ser pior! — minha mãe fala, apontando para mim. — Sua escolha, rapazinho!
— Só se afaste da barda! — Meu pai fala pontualmente. - Devagar!
Eles não acertaram alguma coisa, porque eu vi quando minha mãe olhou confusa para ele.
— Esteban, sério? Vamos focar em disciplinar nosso filho antes de...
— BLUNT! ÀQUELA!!
Como... COMO tudo poderia ficar ainda pior?!?
-> Leia esta parte ao som da Nova Guarda
Meu pai não reagiu. Mas minha mãe sacou duas flechas, armou o arco e voltou-se para trás deles.
Para o topo da ladeira, imediatamente à frente da fábrica de barris.
Era capitão Khao, O Punho de Concreto, o Colosso das Montanhas Castanhas, surgindo com os raios do sol no topo da ladeira, acima de todos. E com ele um pequeno corto da Nova Guarda... Todos eles tenentes de primeira linha.
— E ainda me trouxeram ao infame Lorde Edgy! — ele gargalha convencido. — E nem é meu aniversário ainda! O seu é na quinta, não é, Bentho?!
— Fique FORA DISSO, Khao! — Lady Àquela urra.
— Senão o que?! Vai furar meus pés de novo?
"De novo"?
— Amellie... eu realmente preciso de sua ajuda aqui... — eu sussurro.
Os olhos dela sinalizavam algo, mas era impossível interpretar.
— Àquela... Livre-se dele... — Meu pai comenta. — EU posso fazer isso, mas não sem causar um estrago enorme.
— Solte a professora de ópera e use sua "mão mágica" em Khao! — ela resmunga.
— Jamais.
Minha mãe encara a surpresa.
— Khao tem duzentos quilos e ameaça afundar sua cabeça com um punho de concreto há dezessete anos. O pior que senhorita Amellie fez foi criticar meu Cortilion...
— Amellie é mil vezes mais perigosa do que Khao jamais será! — meu pai fala.
— "Lord Edgy!" — urra o capitão do alto da ladeira. Ele tinha a vantagem de posição… não que isso importasse se meu pai resolvesse usar Loucura Sombria ou um banimento em massa. — Você vai subir aqui e se entregar à Nova Guarda! Vai receber o castigo como um homem! Eu ensinei você melhor do que isso, escudeiro!
O pior é que era verdade.
— Os PAIS DELE vão resolver isso! — minha mãe avança um passo, abrindo espaço à força. — Já falei! Este é o seu último aviso!
Nada intimidava Khao. Mas aquilo fez o batalhão recuar.
Por causa dela. Eu travei a mandíbula.
Khao me chamava de escudeiro. Errado… mas justo. Estava me responsabilizando.
Ela não.
Para ela, eu ainda era um rebelde sem causa a ser resolvido.
- [Suas opções são .... SHCKAAARRR" ,;.,;;, [~]´l ~ç,~~ç lç,]
Um zumbido alto. Gladys estava falando e, de repente, ouço um chiado doloroso.
Eu me encolho cobrindo a têmpora.
Percebo que meu pai reagiu também. Sentiu algo em Gladys. Infelizmente, não o bastante para libertar Amellie...
E... O que seria do circo sem um palhaço?
Passando na frente da Nova Guarda, empurrando um enorme carro de feira, surge Xitarro.
Ele estava alheio a todos.
Passa entre minha mãe e meu pai pedindo "com licença".
E para na minha frente.
— Achei vocês! — ele fala com leveza. Àquela altura, tanto Khao quanto Lord Blunt estavam de olho nele.
— Xitarro... agora não...
— Você falou "carro de fuga"... — ele ignorava o nosso aperto. — Isto é um "carro de repolho". Começa com "Carro". Será que serve?
— Xitarro... Amellie e Gladys estão fora de ação — aponto a barda com a cabeça. — E, no meio da ladeira, o casal simpático com quem você falou... São meus pais!
— Seu país?! — ele abre um sorriso, volta-se para eles acenando. — Oi, pais do EDGY! Eu sou o capanga do seu filho!
— Bom saber! — urra Khao. — Vai fazer companhia a ele na cela!
— Sujeito simpático... — Xitarrro fala apontando para o Colosso. — E é enorme! O que aconteceu com o braço dele?
— Por favor, Xitarro... — eu rosno entre meus dentes. Um ruído indecifrável ainda emanava de Gladys. — Aquele é capitão Khao da Nova Guarda, e acho que quer prender todo mundo aqui. Meus pais não estão no nosso time. E uma batalha devastadora vai acontecer, e esta é a pior hora para ficarmos...
Xitarro era ingênuo.
Mas, de sua forma simples, sábio.
E, acima de tudo... era rápido.
O "carro de fuga" é chutado para a frente. Amellie já estava nele quando eu percebo. Eu sou empurrado e caio em cima, enquanto Xitarro simplesmente avança.
Lord Blunt, o maior vilão do mundo, tenta trocar a "hold Person" de Amellie e focalizar em meu capanga... Não consegue. Xitarro era um borrão. Um relâmpago vivo. Agora, o carro rodava ladeira abaixo, na direção da enseada.
Ato contínuo, Lady Àquela dispara duas flechas. Elas viajam anguladas, com um arco voltaico elétrico entre elas. Iria atingir todo o batalhão da Nova Guarda.
Khao adianta-se.
Estende o antebraço petrificado de forma defensiva bem no meio das flechas. O arco é interrompido, e o capitão parecia incólume. As flechas colidem com um "thuck" em algo além do batalhão.
— Você errou! — O capitão provoca-a.
Isso faz meu pai olhar para trás e se assombrar.
— Àquela ... Eu... Pensei que você não queria que EU matasse o Khao! — ele fala, olhando para a cidade, ladeira abaixo. — Ou que EU destruísse a cidade...
Aquilo atiça a curiosidade. Khao olha para trás.
A Nova guarda nunca foi o alvo.
um estalo seco de madeira tensionada sendo subitamente forçada além do limite. A carga empilhada diante da fábrica — barris recém-vedados, pesados de líquido e pressão — respondeu ao choque elétrico das flechas supostamente erradas, como um organismo acordando de forma violenta demais. A primeira fileira cedeu, os aros rangendo alto, e por um instante impossível tudo pareceu hesitar, como se a gravidade ainda estivesse decidindo se deveria agir.
Como um palácio de cartas, dezenas de barris e toras de escoramento caem sobre o batalhão, causando uma avalanche no topo da ladeira de Hálcora.
Antes de serem eles mesmos atingidos, meu pai envolve a cintura de minha mãe com o braço e dá um passo nebuloso, desaparecendo do caminho.
-> Ouça esta parte ao som de Humor
— Ai minha cabeça... — Amellie resmunga, recuperando o controle do próprio corpo.
— Xitarro! Olhe para trás! — eu grito. — Não, Para a Frente! E ... Não!
— Saiam da frente! — Amellie usava algo que ampliava sua voz em um alerta ladeira abaixo. Era mais para nós não batermos em transeuntes ladeira abaixo, mas talvez salvassem algumas vidas.
o som chegou primeiro como um presságio e depois como certeza. A multidão se fragmentou em direções conflitantes, gritos substituindo o burburinho cotidiano, pessoas sendo empurradas pela urgência de sair do caminho sem saber exatamente para onde ir. O cheiro de vinho e óleo se espalhou rápido, misturado à poeira e ao sal do ar costeiro, enquanto os primeiros barris atravessavam o espaço onde, segundos antes, tudo ainda parecia sob controle.
E no meio disso tudo, o carrinho de feira arrancava, leve demais para competir, mas rápido o suficiente para escapar do pior da descida, carregando consigo não só a fuga improvisada, mas o ponto exato em que o impasse se rompeu de vez.
Lá em cima, onde a avalanche começara, já não havia mais formação, apenas sobreviventes tentando recuperar posição entre destroços e líquido escorrendo. E mais importante do que o dano imediato era o que ficava claro para todos os lados envolvidos:
aquilo não tinha sido um acidente.
Foi escolha.
E, a partir dali, ninguém mais estava parado.
Xitarro salta agilmente do carro, e começa a empurrar, aumentando a velocidade. Logo estávamos a uma distância segura... mas ainda em linha reta. Depois da enseada, só tinha o mar.
Eu via, na visão periférica, meus pais ressurgirem em um telhado próximo. Acho que estávamos ao alcance deles, mas nos atrasarmos por flechas ou magia significava sermos avassalados pelos barris e morrermos. E eu não sairia dessa tão fácil.
Quando o caos não poderia ser maior, percebemos que Capitão Khao, com um saldo impossível, emerge da avalanche. Mas aterrisa em um barril que rolava adiantado... Mas, com um equilíbrio impressionante, ele se mantém em cima, rolando com os pés.
— Esse cara é implacável! — Amellie comenta.
— Xitarro, precisamos despistar o grandalhão! — eu urro, vendo que o catfolk tinha controle de nosso "carro de fuga".
— Despistar, certo — ele fala. — O que isso quer dizer? "Des ... Pis"...
— Qualquer coisa que faça ele não estar atrás da gente! — eu urro.
— Certo. Volto já.
— Você o quê?!?
Xitarro dá um novo empurrão no carro e se afasta, e eu e Amellie estávamos nos segurando por nossas vidas num vagão desgovernado.
Xitarro diminui a própria velocidade até emparelhar com a avalanche e vai... Conversar com o capitão Khao.
— Oi, bom dia... — ele fala.
Khao estava controlando as passadas. Xitarro corria de costas. Devia estar tão confuso quanto nós.
— O que, em nome de Bophades, é isso?!? - ele resmunga.
— Senhor, poderia fazer um favor? — Xitarro falava, como se controlasse a passada. — Meu chefe precisa que você não nos siga por alguns minutos, poderia ser? Por favorzinho?!?
— Você é LOUCO?!? — Khao urra. — Já sei! Está "flexionando" sua velocidade, não é?! Você sabe com quem está falando?!
— O patrão falou um nome com "K", perdão, eu não peguei! Meu nome é Xitarro, mas atendo por "Fera".
— Eu sou CAPITÃO KHAO! — O bárbaro nele rugia. As veias saltavam de seu pescoço em fúria. O barril abaixo dele começava a rolar mais rápido, afastando-se da avalanche. — O COLOSSO DAS MONTANHAS CASTANHAS! E eu sou MONGE também! Acha que é veloz, rapazinho!?
O barril trincava com o peso e a pressão que agora o colosso aplicava.
O punho de concreto estendido, como uma quilha, melhora o equilíbrio. Cada vez mais próximo de Xitarro.
— Vou seguir você até O FIM DA TERRA!!! — ele salivava e urrava. Aplicava chi, fúria, cada iota de sua tremenda força para avançar. Ele era extraordinário.
— Bem... eu tentei.
Xitarro vira de costas, fica de quatro e... desaparece. Nem era uma disputa.
— BENTHO!!! — Amellie urrava.
— EU SEI! — Eu urrava.
— A ENSEADA! A ESTRADA ESTÁ ACABANDO! — Ela insistia.
— Eu estou no MESMO CARRO que você! — grito com raiva.
— [#@$%¨#$¨%*&¨&#*] — chiava a espada em minha cabeça.
— Desculpa, Edgy, ele disse não. — Xitarro retorna, recuperando o controle. — Segura aí!
Nós viramos noventa graus à direita em uma ruela pouco antes do fim da avenida.
Capitão Khao passa direto. Olhando assombrado para nós. Ele não tinha como fazer a curva.
Logo depois, a avalanche de barris, troncos e tenentes da Nova Guarda.
A enseada, enfim, chega. Khao rola por cima de um cais, que adentra mar adentro e, quando o cais acaba, é lançado ao mar.
Mal pode se levantar e viu o inferno de barris que o seguia. Ele precisa afundar nas águas para se proteger.
— Xitarro... — eu urro. — Olha para a FRENTE!!!
Havia uma carroça maior que nosso "carro de fuga", que acaba virando uma rampa.
Nós voamos.
Passamos por outro píer, na direção da Boca do Rio, e aterrissamos em um monte de peixes. Xitarro, felino, cai de pé. Amellie consegue um rolamento gracioso, amortecido pelos peixes.
Eu afundo como uma barra de ferro.
Uma sardinha entrou na fresta de meu elmo. O fedor é impressionante Preciso me desenterrar.
Arranco o elmo.
Estávamos em uma balsa de peixes, rebocada por um barco menor. Algumas dezenas de metros dos piers de Hálcora.
Eu vejo meus pais em um telhado. Estávamos fora do alcance deles.
Amellie coloca a mão em meu ombro.
— V-você viu o que ela falou? — eu pergunto.
— [Ela quer te botar de castigo e sem jantar... Que coisa ridícula].
— Como é?!? — eu pergunto.
— Como é o que? — Amellie estranha.
— Você não falou algo?
— Eu não. — ela afirma.
— Xitarro?!?
— Eu posso comer um peixe? — ele pergunta. — Perdemos o café da manhã...
— Eu ouvi alguém falando comigo...
— [Ah, então você voltou a me ouvir, Bentho?!?]
Eu puxo a Espada Eterna.
— Gladys?!? — eu estranho. — Por que você mudou de voz?
— [Eu já falei, a voz não é escolha minha... é sua] — ela resmunga. — [Estou soando diferente?]
Eu baixo a espada.
— Gladys não tem mais a voz da minha mãe.
Amellie leva a mão à boca.
— Bentho... Não...



0 comentários:
Postar um comentário