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24 de agosto de 2026

A Saga de Namek seria uma porcaria como campanha de RPG?


A Saga de Namek é, discutivelmente, uma das melhores histórias da era clássica de Dragon Ball Z. Talvez justamente porque, naquele momento, quase tudo ainda parecia novidade. Um planeta alienígena. Uma raça desconhecida. Esferas do Dragão diferentes. Um novo tirano absurdamente poderoso. Vegeta agindo por conta própria. Goku fora de cena.


Mas, olhando para ela com olhos de jogador de RPG, existe uma pergunta curiosa:


Será que seria divertido jogar essa campanha?


Imagine que os personagens jogadores são Kuririn e Gohan. Um healer - Dende entra sessões dentro da história maior.


Goku está gravemente ferido, então não pode participar da expedição. Isso significa que, finalmente, Kuririn e Gohan têm a oportunidade de assumir o protagonismo. Eles viajam para Namek, um mundo completamente novo, para encontrar as Esferas do Dragão e tentar ressuscitar seus amigos.


Até aí, parece uma campanha fantástica.


Eles exploram o cenário, descobrem uma nova cultura, fazem contato com os habitantes e começam a entender a situação do planeta. Encontram Dende, e percebem, aos poucos, o tamanho do horror que está acontecendo.

Enquanto isso, Vegeta e Freeza estão no mesmo planeta, cada um buscando as Esferas por seus próprios motivos.

Os jogadores estão cercados por forças muito maiores que eles.

Perfeito para um RPG.

Kuririn e Gohan não precisam vencer tudo no braço. Eles podem fugir, se esconder, negociar, fazer aliados e sobreviver usando inteligência. Pela primeira vez desde que chegaram, existe a sensação de que estão explorando um mundo perigoso onde qualquer decisão pode importar.

Então chegam as Forças Ginyu.

E fica imediatamente claro que esses inimigos estão em uma categoria completamente diferente.

O líder, Capitão Ginyu, sequer precisa lutar com os heróis imediatamente. Ele pode simplesmente sair porque pode. E quando os membros mais fracos das Forças Ginyu entram em combate, surge a grande pergunta:

Kuririn e Gohan vão lutar contra eles?

Não.

Vegeta entra em cena, porque o desafio é demais para os jogadores.

Vegeta, o NPC que até pouco tempo antes era um dos maiores inimigos da história. Coloca lá porque os Gniu são fodões... mas se matassem Gohan e Kuririm, quem ia ficar lá encantado por eles?

E isso é quase cômico quando você imagina a situação numa mesa de RPG. Os personagens jogadores são tão inferiores aos novos inimigos que precisam se unir ao NPC absurdamente poderoso para ter alguma chance.

No máximo, ajudam.

Dão suporte.

Criam uma abertura.

Fazem uma espécie de Help Action para o NPC fodão e heroico da cena.

E então acontece o que, numa campanha de RPG, seria o momento em que os jogadores começam a olhar para o Mestre com desconfiança.

Goku chega.

E Goku chega com Kaio-ken.

Depois, com novos aumentos de poder.

Depois, enfrenta inimigos que ninguém mais consegue enfrentar.

Depois, luta contra Freeza.

E finalmente se transforma em Super Saiyajin.

A aventura que começou com Kuririn e Gohan explorando um planeta alienígena, conhecendo os habitantes e tentando sobreviver a ameaças que não compreendiam vai lentamente se transformando em uma história onde existe uma pessoa que realmente importa.

O resto está lá.

Kuririn está lá.

Gohan está lá.

Mas a história já encontrou seu centro gravitacional. Sem os Jogadores.

E existe ainda a vítima mais curiosa de todas nessa análise:


Bulma.


Porque Bulma também estava em Namek. Eu nem citei ela no começo, e vocês nem ligaram não é?

Bulma passou boa parte do tempo tentando sobreviver sozinha, cuidando da nave e das Esferas do Dragão.

Bulma é o jogador novato, que pensou em fazer algum "suporte" num cenário em que suporte é insignificante. Ou só tinha menos pontos/níveis que Kuririm e Gohan.

Bulma era insignificante perante Kuririm e Gohan.

E estes, insignificantes perante os NPCs.


E isso talvez seja o melhor exemplo do problema.



A questão não é que a Saga de Namek seja uma história ruim. Pelo contrário. Ela funciona justamente porque uma narrativa pode mudar de protagonista, aumentar a escala e permitir que personagens secundários se tornem irrelevantes quando a história exige.

Mas RPG não é uma narrativa assistida de fora.

Existe alguém jogando Kuririn.

Alguém jogando Gohan.

Alguém jogando Bulma.


Ou com Bullford.


E, em algum momento, esses jogadores perceberiam que passaram uma grande parte da campanha explorando Namek, fazendo aliados, sobrevivendo aos perigos e construindo a aventura.


Até Goku chegar.


Porque, quando Goku chegou, todos os demais ficaram irrelevantes. E o Goku é só mais um NPC. 

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