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14 de setembro de 2019

ATO 1 TOMO II - Os Cavaleiros Anos '80

Episódio 5: Espíritos do Mal




Bravestarr estava dividido entre proteger a passagem e os inocentes. Alega estar incapaz de decidir entre uma ou outra, por isso deixa que os heróis preparem as defesas da mina. Quarterhead fala que estaria ocupado com a lapidação de Thundrilium, que ocuparia a tarde inteira. Kenor lembrou que aquela mina tinha "coridita", e talvez Hon-sa pudesse usar para energizar Nautilóide, que seria um excelente reforço. Bravestarr pede que ele procure o prefeito, que talvez ceda a coridita.

Procurando o prefeito nas minas, os cavaleiros encontram-o entre alguns guardas adormecidos. Alguém tinha invadido a Tumba da Rainha dos Malditos!

Não havia sinais de luta, o que descartava os lobisomens, e como era dia, gárgulas e vampiros não poderiam ter feito aquilo. Turkko lembra que o Andarilho parecia suspeito quando ele falou do mistério da Rainha dos Malditos... e o prefeito repreende por ter contado do segredo a um estranho não-validado por Bravestarr.

Kenor e Turkko pedem para irem confrontar o Andarilho, enquanto Logan ia levar Coridita de volta ao Nautilóid. O prefeito parecia incomodado. A coridita era importante para os Wickets... mas naquele momento de desespero, decide concordar... Contudo, não deixa mais ninguém entrar na tumba proibida.

Quando o prefeito e Logan se afastam, Turkko e Kenor decidem caçar o invasor. Os pequenos guardas que ficaram não tinham como deter os dois voadores, e eles mesmos não ousavam entrar.

...

O prefeito leva Logan á prefeitura. Abre o cofre, e revela seu único cristal de Coridita – pouco maior que um punho de Wicket. Mas deveria servir. Ele repara que Logan não tinha transporte – ele não se mostrou como um demônio alado – então permite que ele pegue o Estranho Trenó Aéreo que surgiu na cidade. Alerta que ele só funciona “às vezes”.

...

Logan decide levar o veículo. Parte para não levantar suspeita, parte torcendo que o veículo fosse mais rápido que ele mesmo. Fora da cidade, ele se transforma em Kutulo e tenta acionar a nave. Ela “Recusa”. Novamente, seu pouco conhecimento mecânico não vê nada errado mecanicamente com a nave, fora um símbolo estranho na lataria.

Então, em sua cabeça caótica, ele poderia “fazê-la funcionar” ateando seu fogo infernal Edgelord em seu sistema de energia.

A idéia acaba tendo consequências inesperadas.

A Nave interpreta aquilo como um ataque, dá um “cavalo-de-pau” inesperado, e aponta seu armamento para o demônio.

Após um tempo de hesitação, o “Trenó” decide que já foi desmascarado.

Com um som mecânico, ela começa a se TRANSFORMAR. Era um robô em disfarce, e com uma arma enorme.

Kutulo, crendo que estava em desvantagem, viu no rio que alimentava o fosso da cidade sua escapatória. Ele mergulha sob fogo pesado do autônomo, chegando a ser atingido pelas costas. Com sua capacidade de sobreviver sem ar, ele nada o mais longe possível, e percebe que despistou – o perdeu – o robô disfarçado.

Agora, era voar humilhado e ferido de volta a Hon-sa.

...

Turkko e Kenor zanzam pelo labirinto das minas, e eventualmente encontram a entrada escancarada. Em um idioma semi-universal, havia o aviso: “Deixe a Rainha dormir”.

Os dois entram no que parecia um Templo em honra de heróis e sacerdotes que lutaram contra a criatura. No fim da sala, um altar, com uma enorme estátua de mármore de medusa de 9 metros de comprimento, erguendo uma espada nas mãos. O Andarilho estava lá, observando com interesse.

Os heróis decidem conversar. Andarilho também não levanta hostilidades, mas fala que ele tinha interesse na “rainha”. Ele teve muitos “Professores” que não o satisfaziam. E conjecturava se a Rainha dos malditos seria um diferente... Um diferente tipo de “Mau”.

Os heróis se arrepiam com a alegação do Andarilho. Turkko decide tentar desviar o interesse dele comentando a existência de uma “Outra mestra do Mau”. Crysálida. Ele desperta um sutil interesse do Andarilho, mas não o bastante para ele tentar resolver a “charada” que abriria o templo da Rainha.

Uma armadilha é ativada. A porta começa a se fechar e um gás sufocante começa a ser liberado. Kenor detém o Andarilho, enquanto Turkko corre para impedir o fechamento da porta – e consegue com sua mágica. “Se não me deixar terminar de decifrar, nós todos sufocaremos!" – O Andarilho fala. Hesitante, Kenor permite.

O Andarilho cobre os buracos que emitiam o gás com as esmeraldas que adornavam os olhos da estátua. O gás para, e a estátua cede para o lado, mostrando um caixão de pedra no fundo, e uma escada para o Oeste.

- Não se preocupe... é pequeno demais para a ser a Rainha. – Andarilho fala, mas energizando uma de suas mãos.

 Apesar de ter detido a porta, Turkko permaneceu na entrada do templo. O Andarilho alerta que um “guardião” estava despertando... era um Espectro. “Se sua varetinha não for mágica, melhor nem tentar”, alerta o Andarilho para Kenor, observando sua lança explosiva. Turkko decide lançar uma bola de fogo mágica no espectro, mas atinge Kenor nas costas, ao invés do inimigo.

O espectro, um enorme vulto negro com mortalha, revelando apenas uma mão de esqueleto com uma sinistra foice espectral, avança sobre os heróis. Não fere Kenor, mas sua mera presença o arrepia. Andarilho e os heróis fazem uma breve aliança para poderem sobreviver ao oponente.

Apenas ataques mágicos faziam qualquer dano ao Espectro. Turkko decide tornar a arma de Kenor mágica para ele poder ajudar, mas isso expõe os heróis. Andarilho decide fazer algo que ele parecia não querer: Derruba uma pirâmide em miniatura aos pés do espectro e faz uma invocação sinistra.

Turkko reconhece a pirâmide e a invocação. Eram os Espíritos do Mau. Eram a fonte de poder de MUM-HA, O De Vida Eterna, um dos maiores males do Terceiro Mundo.

O Espectro é sugado para dentro da pirâmide. Quando o ritual termina, Kenor tenta nocautear o Andarinho de costas, o que só o deixa irritado. Mas ele se controla e não revida, só apanha a pequena pirâmide e recolhe. Ele informa que ele é um “estudioso do mau”, e teve diversos mestres, Mum-ha é apenas um deles. Diz que não encontrou em nenhum deles algo que o satisfizesse, e que a Rainha poderia ser “diferente”. Turkko novamente aponta-o na direção de Crysálda, enquanto Kenor apela para que deixe isso.

Andarilho parece concordar. Promete não tentar chegar à Rainha enquanto os “Bonzinhos” estivessem ocupados com a defesa da mina. Eles “resolveriam” o impasse outro dia. E concorda em sair. Mas lembra a Kenor que ele atacou pelas costas... Keldor Junior.

Aquele era o verdadeiro nome do Andarilho? “Keldor” – Kenor lembra - era um nome de nobreza, mas uma nobreza proibida pelo Rei Randor...

...

Kutulo chega no Nautilóide. Demorou mais do que esperava devido ao ferimento que sofreu com o misterioso robô em disfarce. Mas embora Hon-sa parecesse preocupada, ele não contou de seus infortúnios. Ela recebe a Coridita e percebe que apesar da aparência, suas aplicações eram diferentes. Seria mais conveniente se o Rei dos Thundercats fosse ameaçado para ela sifonar o Poder do Olho de Thundera na thundersfera...

Também ouve da ameaça à cidade mineradora, e concorda que precisariam ajuda-los. Com a energia solar que angariaram ao longo do dia ampliados com Coridita, poderia fazer a nave voar... Mas talvez os heróis precisassem de “mais” que isso...

Hon-sa decide dar “uma pista” para a Patrulha Galáctica. Estaria se expondo às autoridades, mas, com alguma sorte, um Campeão viria investigar, e seria “obrigado” a ajudar.

...

Kutulo, já com a lua aparecendo, chega e decide aproveitar sua aparência para se misturar no exército dos malditos. E consegue com sucesso se passar por um deles. Estava entre lobisomens, minotauros, gárgulas e vampiros, reunindo suas forças para atacar. Eram muito mais numerosos que os que ficaram na cidade.

Kutulo, contudo, abusa de sua boa sorte e tenta se “assenhorar” do exército, expondo-se aos Vampiros – dois gêmeos sinistros. Eles instigam o demônio a “assumir o comando”. Kutulo confiante, começa a elaborar manobras protelatórias, mas, assim que dá as costas aos gêmeos, é atacado pelo toque vampírico dos dois irmãos.

Felizmente, seu vigor sobrenatural o garante o suficiente para tentar se afastar voando. Mas os vampiros demonstram que podiam voar também, e melhor que o demônio.

A agitação provoca os lobisomens e os Minotauros... Que partem ao ATAQUE!


Episódio 6 – A Defesa da Fortaleza

A noite caíra há algum tempo. Os autônomos confirmam que a Polícia Galáctica recebeu a mensagem, talvez isso ajudasse. E a Nautilóide já estava pronta para voar.

Mas já tinha se passado muito tempo... Hon-sa teme pelos companheiros.

...

Antes de invadir a tumba da Rainha dos Malditos atrás do Andarilho, os heróis haviam instruído como fazer a defesa. Precisaram derrubar uma das pontes levadiças para concentrar a defesa em um único ponto. Optaram por colocar os arqueiros do lado de dentro das muralhas, deixando a defesa externa aos cuidados de Trabuco, o ciber-companheiro de Bravestarr. Colocaram armadilhas com ponta de prata na entrada restante, e a infantaria foi recuada à porta da mina, que seria um último reduto.

A Marcha dos Malditos já havia começado quando os heróis emergiram das minas. Às pressas, eles tomaram suas posições na muralha. Viam que Kutulo estava no meio da força invasora, sendo perseguido por dois vampiros. Quatro minotauros da retaguarda começam uma temerária investida como uma manada irrefreável. Lobsomens ocupavam quase que todo o campo de batalha, alguns sendo inclusive atropelados pelos Minotauros, mas seus números eram assustadores mesmo com os eventuais atropelamentos...

 Antes das colisão dos dois grupos, Bravestar salta a muralha para o confronto do lado de fora. Gárgulas sobrevoavam como um esquadrão e a cada passagem uma se desgarrava com um ataque “meteoro” que quase abateu Kenor, levando-o a confrontar o monstro em solo.

E então, uma coluna de luz. Os céus se abrem, e um ser é teleportado em “super-heroe landing”, ao lado de Bravestar.

Ele possuía olhos amendoados, um afro cheio. Bravestar reconhece-o como um Patrulheiro Galáctico e avisa que se os amaldiçoados tomassem a cidade, um mal de nível planetário seria libertado, e isso colocava a guerra na jurisdição da Guarda Galáctica.

Concordando, o patrulheiro Kenjiro Miname do planeta Bloch inicia sua sequência de transformação, com um surpreendente reforço na forma Reiser-armor do PATRULHEIRO GALÁTICO GUNGAIVER!

Os irmãos vampiros decidiram desistir de sua caça ao Kutulo, percebendo que o patrulheiro galáctico e o xerife eram a maior ameaça ao seu ataque. Livre da perseguição, Kutulo desce para o solo, querendo testar sua força aos Minotauros. Apesar de muito maiores e mais brutos, o demônio mostrou-se superior, e permaneceu na luta pessoal, detendo alguns dos monstros que compunham a infantaria pesada.

Os primeiros licantropos a alcançar o fosso mergulham nas águas previamente tratadas pelo Andarilho, e queimam com o Wolf’s bane despejado mais cedo. Aquela unidade se espalha e debanda, mas as demais aprendem a lição, e concentram sua investida na última ponte levadiça, que era o plano dos heróis o tempo inteiro.

Trabuco e Turkko atacavam á distância a infantaria leve, que era flanqueada pelo Xerife e pelo Patrulheiro com sua Colt Magnum. A muralha estava bem defendida, limitando as ameaças imediatas aos ataques das gárgulas, que vez por outra forçavam Kenor a recuar para detê-las, e levavam um ou outro prédio em seu mergulho-meteórico.

Na confusão, todos viram que o Andarilho fugiu, levando o baú que continha o Thundrilium contaminado que Quarterhead estava lapidando. Os heróis se viram frustrados enquanto perdiam o combustível que vieram originalmente reaproveitar.

No calor da batalha, um dos mineiros na retaguarda corre para avisar que um Minotauro tinha se esgueirado na cidade e invadido a mina proibida. E pouco depois, um gigante de gelo de 30 metros surge no campo de batalha, marchando poderoso contra as muralhas.

Os lobisomens foram bem enfraquecidos com a longa batalha e as armadilhas, mas eles já percebiam meios de contornar as proteções. Era uma questão de tempo até que a luta cruzasse as muralhas... Quando do horizonte uma gritaria aguda de guerra é ouvida. O Nautilóid estava nos céus, e trazia em suas balestras uma multidão de nativos. Era a Tribo de Bravestarr, que a capitã Hon-sa encontrou no caminho e deu carona.

Num último esforço antes da chegada dos reforços, Turkko e Kutulo concentraram ataques de chamas e Hellfire que praticamente neutralizaram o gigante do gelo, que teve seu corpo estraçalhado por um dos membros da tribo de Bravestarr que saltou do bombadrdeio e agigantou-se ao berrar “Inun-chuck!”.  Os Vampiros desistiram de confrontar Bravestar e Gungaiver. Um dos gêmeos marcou o patrulheiro como “rival” antes de desaparecer. Com maior número e armamento superior da Nautilóid, os inimigos restantes partiram em fuga. Kutulo decidiu ir atrás, caçando os que conseguia, e perdeu a noite naquela caçada.

Turkko avisa Bravestar do último Minotauro que invadiu a base, mas avisa que Kenor já estava no cado. O Xerife não quis esperar.

Contudo, ao chegar, Bravestar percebeu que o monstro já estava rendido, graças aos talentos e versatilidade do Mestre das Feras.

...

A vitória é celebrada pelos Defensores. Bravestar apresenta o líder de sua tribo e seu mentor pessoal, o Shamã. E Hon-sa desce à nave. Gungaiver declara que estava lá para espionar as atividades da “pirata”, e Hon-sa revela que ela mesma quem vasou a pista de que ela estava lá. Que a nave era “espólio” dos verdadeiros piratas, e que ela, na condição de “Thundercat” estava fora da jurisdição da Patrulha Galáctica. Mesmo assim, o patrulheiro pede para inspecionar a nave.

Antes de voltarem à sua nave, Bravestar reafirma a admiração que nutriu pelos heróis, especialmente por Kenor, que se mostrou honrado e respeitoso. Deu a ele um distintivo de Delegado, a Segunda Insígnia dos Cavaleiros Anos ’80. Kenor compartilha suas informações sobre Crysalida e Keldor Jr. Bravestar informa que “Keldor” é um nome proibido. Era o nome do irmão do Rei Randor que no passado distante tentou usurpar a coroa. Após isso, seu nome foi proibido, e ele se rebatizou...

 Hoje, seu nome é ESQUELETO.

...

Kenjiro se vê impressionado tanto pela nave quanto pela Nanoforja. Hon-sa estava animada em ver alguém que entendesse dos mecanismos, para que todas as funções técnicas na nave não se concentrassem nela. Decide anunciar a nova tripulação do Nautilóid.

O Patrulheiro Galáctico Gungaiver, que estava encarregado de caçar Crysalida por pirataria, foi convidado como Oficial de Comunicações e Radares.

Quarterhead, foi nomeado Timoneiro. O veterano alegava almejar uma vida pacífica, mas como queria vingança contra a criatura que destruiu sua taverna (Né, Kutulo?) ... e se sentia culpado por perder o Thundranium para o Andarilho.

Logan foi nomeado Oficial de Segurança.

Kenor, o Oficial de Ciências Naturais.

Turkko, o Oficial de Ciências Arcanas.

E Hon-sa, permanecia como capitã auto-intitulada.

Mas antes de concluir as nomeações, a Thundesfera começa a girar. A Ponte de comando fica completamente rubra. Os motores e baterias da nave indicam 110% de carga.


E no horizonte distante, um holofote vermelho se ergue, com o Chamado dos Thundercats.

Epílogo:

A Torre do Terror de Cristal estava quase pronta. No monitor cheio de chuvisco, Crysalida via os heróis se reunindo com Bravestar e o Shaman.

- Sim, com o Poder dos Espíritos Animais, quatro Insígnias do Poder encontram-se em Etérnia na década 80, como os livros de história indicaram... – ela ri contidamente. – E após a Incursão, Cinco estarão prontas para a colheita! E eu...

Um alarme luminoso dispara, interrompendo o discurso megalomaníaco de Crysálida.

- LAURO!!! – urra furiosa o Terror de Cristal. – Pare de testar esse alarme de intruso!

- Eu... – O mutante gagueja. – Já terminei de instalá-lo!



Um barulho de motor anuncia a chegada do homem de azul, montado num Trenó dos Céus. O Andarilho pousa na Sala de comando de Crysálida, com um sorriso confiante.

- Eu ouvi falar de uma mestra do Mal chamada Crysálida... – Keldor Jr. Fala enfim. – Creio que seja você...

ATO I TOMO I - Os Cavaleiros Anos 80

A tecnologia de Cristal fazia a Fortaleza do Terror de Crysalida se erguer autonomamente, como se emergisse do chão. Mas nem tudo era possível com os vírus-drones conceptores, que faziam uma muralha se erguer do silício da montanha apossada.

Ventanoso, o Mutante, erguia seu aparato de guerra, as lâminas de sua hélice-furacão. Com seu braço natural, segurava um cabo.



- MAIS PARA A ESQUERDA, MENTECAPTO! – A Rainha do Terror berrava de uma janela alguns andares abaixo. – Lauro, e agora?

- Consegui sincronizar o horizontal, mestra... – fala o bagre mutante ciborgue, embaixo do grande aparelho visionário da vilã, objeto essencial para espionar os heróis. – Mas acho que falta muito.... Não vamos poder fazer nada hoje...

- Eu não ACREDITO! – Urra a vilã furiosa. – Por causa da incompetência de vocês dois EU não vou aparecer nestes episódios!





Episódio 2: Nossa nova casa



No episódio anterior, após uma intensa luta contra Crystálida - O Terror de Cristal - e seus dois mutantes, os Cavaleiros Kenor, Turkko e Kutulo/Logan tomaram a embarcação misteriosa e resgataram a sua autoproclamada capitã "quase uma thundercat", Hon-sa, para si. Contundo, num impulso de manter o prêmio, a thunderiana levou a embarcação no modo submarino para longe da superfície.

 Sem ter o que fazer até voltarem a emergir, os Cavaleiros foram se assentar. Hon-sa informa que haviam dois quartos melhores, os dos oficiais, então ocupados por Dr. Lauro e Ventanoso. Também tinha a cabine privada de Crystálida, que nem a thunderiana ousava ir. A capitã, Workaólotra, se satisfazia com os aposentos pessoais de comando e a cadeira na estação de comando. Logan, destemido, decide investigar a cabine em teoria melhor.

Turkko e Kenor foram ver os quartos dos oficiais, no primeiro deque abaixo do comando, onde ficava o timão principal da nave – o qual Hon-sa falou que precisaria que algum dos dois aprendesse a usar, pois sem Ventanoso, precisariam de um timoneiro. Os quartos eram realmente bem amplos, mas, enquanto o de Ventanoso era surpreendentemente limpo, arejado, com música ambiente eclética, o do Dr. Lauro era um pântano, com uma cama de lama e fungos crescendo num canto escuro.

Turkko convence Kenor que ele seria o melhor para o “quarto pantanoso”. O honrado selvagem fica indefeso ante os argumentos. Enquanto os dois preparam-se para sua primeira noite, Kenor pede que Elak, o pequeno herculóide voador, aprendesse o que pudesse do novo “lar”.

Logan vê a porta da cabine de Crysálida. Ela vibrava anormalmente. Temendo armadilhas, ele invoca o nome – KUTULO – e assume sua forma demoníaca.

Confiando nas suas proteções edgelords, Kutulo abre a porta. Se depara com um holograma de uma mulher azul de cabelos brancos. Como o demônio não chegou a confrontar Crystálida em nenhuma de suas formas, ele não tinha como tentar reconhece-la.

- Cálculos terminados, mestra. Gostaria de saber as informações? – Falava o holograma. Aparentemente um I.A. rudimentar.

O pouco de tecnologia que Kutulo tinha fez ele conceber algo surpreendente: Chips com um pouco de silício alimentavam poderosos computadores. Aquele misterioso quarto era completamente coberto de cristais com runas luminosas. Se a proporção fosse próxima à da tecnologia eterniana, ele estava diante de um supercomputador cristalino inigualável.

- Eh... sim. – Kutulo não adianta nada.

O Holograma mostra uma imagem estática do planeta com números e caracteres em idioma alienígena.

- Estamos em Etérnia, aproximadamente 80 anos desde a incursão de Trolla com a Galáxia de Cristal. Em algum momento desta década, Etérnia terá sua incursão com Etéria.

 Kutulo dá os ombros, e olha ao redor. Acaba inadvertidamente fazendo ordens para a I.A. que pede uma senha.

- S... Senha?

Incapaz de fornecer uma senha, o computador percebe que era uma presença não-autorizada e começa um processo de autodestruição. Aqueles cristais começam a aparentemente derreter. Kutulo tenta apanhar um para salvar alguma informação. A temperatura era inacreditável. Felizmente, seu dom demoníaco o torna imune à queimadura, mas só pode ver quando todo aquela informação se torna pó, e espalha pelo ar, de formas desastrosas que ele não poderia conceber...

... E essa informação não vai aos colegas.

No meio da madrugada, Turkko e Kenor tiveram pesadelos.

O de Turkko é muito vívido. Ele estava num “espaço”, entre nebulosas com cores extravagantes. Ele via um planeta vermelho, brilhando com uma energia rubra e uma imagem holográfica de uma cabeça de gato rugir. Este planeta colide com um outro planeta negro, e é destruído.

Outro planeta, mais árido, estava em rota de colisão com um mundo verde. Do planeta árido, um raio de energia atinge o outro... Parecia que ia destruir seu “inimigo”, mas no último instante, o “raio” parou. Os dois planetas colidem e deixam de existir.

Um terceiro leva horror a Turkko. Era Trolla, seu mundo-natal. Ele estava numa rota similar com um mundo branco como gelo. Mas antes de colidir, o “Mundo de Gelo” parecia encolher e ficar superdenso, enquanto Trolla começa a vibrar e se tornar uma “nuvem”. Os dois cruzam e voltam ao normal, seguindo suas órbitas incólumes.

Então, Turkko olha para seus pés. Vê à grande distância, Etérnia. E pouco além dele, um outro mundo, em rota de colisão.

O Pesadelo de Kenor é mais traumático, e talvez por isso ele não conseguiu se lembrar ao acordar. Ele lembra de sentimentos abstratos. Dor. Medo. Angústia. De concreto, somente uma palavra misteriosa: “Tanatose”.

Os dois acordam com um alarme geral, e com as luzes todas oscilando. A voz da capitã Hon-sa nos autofalantes berra: “Alerta Vermelho. Todo o pessoal na Ponte de comando... sem pressa..., mas seria interessante se vocês...”

 O som morre. E toda a embarcação mergulha na escuridão.

 Episódio 3: Estrela da Bravura!


Kenor sabia se virar na escuridão, mesmo em um ambiente alienígena como o interior da nave.  Mas em pouco tempo, Turkko ressurge do quarto com uma tocha na forma de uma bunda de vagalume. Os dois correm para a ponte de comando. Logan deveria estar logo atrás deles – sua cabine é num convés ainda mais baixo.

Na cabine de comando, a única fonte de luz vinha da Engenharia, junto com sons de solda e marteladas. Eles viam os hoverbots autônomos que ainda estavam lá se desativarem e caírem ruidosamente.

Na engenharia, Hon-sa estava a armengar um grande “funil de metal”. A Nanoforja – uma enorme “impressora 3D” – apagava as suas luzes e tudo ficava no escuro fora a tocha-vagalume de Turkko.

- Boas notícias! – fala a capitã. – Consegui desviar o que restava da energia do suporte vital para fazer ISTO! – ela mostrava a estranha escultura. – As más notícias são, bem, a mesma.

O pensamento de estarem numa nave desativada e sem suporte de vida no fundo do oceano arrepia Kenor e Turkko.

- Crysálida fez alguma coisa... – explica a Thunderiana, com os companheiros percebendo-a cambaleante como se estivesse enfraquecida. – Estava transformando o Thundrilium que alimenta a nave em Tundrânium, que é tóxico... ao menos para mim. – Ela fala percebendo que os companheiros estavam bem – Precisei tirar tudo da thundersfera. Então, a não ser que nos próximos Quinze minutos o Rei dos Thundercats seja ameaçado, precisamos de energia para voltar à superfície.

Com Kutulo se juntando a eles, posicionam o cone – “Sifão de Poder”, como Hon-sa nomeou – onde ficava a Thundersfera. Turkko, Kutulo e o lagarto Elak são orientados a disparar suas fontes de energia por ele para alimentar brevemente a nave. Kenor foi ao timão, e ele precisaria subir o mais rápido possível, pois o Sifão era um “boost” remendado para emergência.

Felizmente os heróis conseguem restabelecer o suporte de vida nos deques específicos e acionar motores mínimos. Num esforço bruto, a nave volta a flutuar até a superfície antes de desativar tudo, mas agora tinham o ar natural. E a manhã que começava.

Hon-sa informa que precisaria coletar algumas horas de luz solar, e mesmo assim a nave não poderia dispor de poder de vôo ou submarino sem o Thundrilium. Mas tinha mapeado uma “cidade” nas proximidades antes de perderem os computadores. Kenor conhecia o local que estavam – próximos das “Badlands”. Não deveria ter cidade nenhuma por lá. Era um amplo deserto rochoso, esconderijo de malfeitores como Tex-hex e outros vilões de Novo Texas. Mas sem uma nova fonte de energia ou conhecimentos de navegação, o Nautilóide se tornou uma gigantesca boia no meio do oceano. Kutulo decide ficar e ajudar. Kenor deixa Glob para vigiar a capitã – quem ele ainda não confiava plenamente – e monta em Elak, para ir com Turkko atraz da tal cidade.

No caminho, os dois heróis ouvem disparos à distância. Decidem investigar.

Eles descobrem um grande grupo de homens-lobo, tangendo uma matilha de chacais em um cavaleiro em seu cavalo ciborgue... Ambos reconhecem o Xerife Marshal BRAVESTAR


Os dois voadores se unem ao Xerife. O herói não era nem de longe indefeso. Com sua Força do Urso, arremessava lobisomens uns nos outros sem dificuldade. Com os Olhos do Falcão, desarmava os vilões em uma sequência inumana de tiros. E com a Velocidade do Puma, ao descer de sua Montaria, ia imobilizando bandidos sem esforço. Mas ele parecia com problemas com os chacais, a quem parecia não querer machucar. A intervenção dos heróis foi providencial. Especialmente Kenor, Senhor das Feras, que conseguiu assumir uma posição de Alfa perante as criaturas e tira-las de conflito sem vias de fato.

Uma vez sem seu cavaleiro, o Cavalo se transfora num equino humanoide brutal, com uma espingarda de cano duplo intimidadora. Bastou para o bando de atacantes debandarem.

...

Kutulo auxilia o herculóide Glob a restaurar o último dos deques da Nautilóide ainda não liberado, e vê frustrado que era um deque pouco interessante, exceto pela “zona de bombardeio” no fundo do navio, onde ele encontra a última capsula de fuga. Informação importante, no caso de um abandono de navio.

Kutulo decide subir para auxiliar Hon-sa na reativação da Nanoforja ao menos, usando o Sifão do Poder. Ele queria um tridente. A ideia anima a capitã, mas a pressa dos dois em usar as chamas Edgelord acabam danificando criticamente a delicada maquinaria. O trabalho de Hon-sa acaba de DOBRAR.

Kutulo decide então voar à cidade indicada aos companheiros para conseguir peças.

...

Bravestarr e os heróis se apresentam formalmente. Diz que ele viu – com os “Olhos do Falcão” – quando a embarcação emergiu, e que tinha os relatos de Histmo para prender a tripulação pirata daquela nave. Mas que viu os bravos heróis não eram responsáveis pelo ataque do dia anterior. Mas não tinha certeza sobre a Capitã...

Kenor e Turkko comentam seus pesadelos da noite anterior. Bravestar mostra-se preocupado e até triste quando Turkko narra a colisão que tinha um “disparo”, mas não fala nada. Contudo, quando ele ouve a “Tanatose” mencionada por Kenor, fica genuinamente alerta. Decide que precisariam confabular com os heróis na Mina dos Wickets.


Episódio 4 – A Mãe dos Amaldiçoados


Bravestar e Trabuco guiam Kenor, Elak e Turkko a uma pequena fortaleza na encosta de uma montanha, cercada por um fosso, alimentado por um rio que movia o moinho. Ela era ocupada por Wickets – povos minúsculos com cabeças desproporcionalmente grandes. Famosos por Etérnia por minerar Coridita para os Mestres do Universo. Mas os prédios eram obviamente projetados para pessoas “mais altas”.

Chegando no templo, a sacerdotisa local – Irmã Moar – conta uma história.

No Tempo dos Antigos, o Rei Grayskul e seus Guerreiros combateu uma criatura mitológica, conhecida por alguns como “Medusa”, mas para outros como “A Rainha dos Malditos”. Ela teria INVENTADO as maldições como licantropia, vampirismo, e outras mazelas que aflige o universo até hoje.

Uma vez derrotada, os Antigos temiam que ela tivesse forma de voltar à vida...

- “Tanatose”. – observa Bravestar, lembrando o sonho de Kenor. Era a definição da característica de certas criaturas simular a morte em situações críticas.

... Por isso, eles esconderam o corpo da Rainha em um templo antigo, e ficou perdido por milênios... Até que os Wickets que assumiram aquela mina abandonada inadvertidamente reabriram a passagem.

Eles sabiamente não abriram a Tumba, mas a notícia da descoberta se espalhou, e fanáticos seguidores da Rainha dos Malditos juntaram um grande exército de Vampiros, lobisomens e outras criaturas. Bravestar estava buscando defesas para reforçar a mina. Conseguiu apoio tanto da sua tribo quanto da Guarda de Etérnia... contudo, levariam pelo menos um dia inteiro para chegarem...

... E aquela noite seria a última chance dos Seguidores da Rainha dos Malditos de invadir a tumba... E era uma noite de lua cheia. A pequena guarnição local de Wickets deveria encontrar meios de resistir.

Os heróis decidem que iriam ajudar Bravestar e os Wickets. Mas também comentam sobre seu Thundrilium contaminado, e descobrem que o mercado local fechou por causa da ameaça, mas um mascate que tinha chegado recentemente e poderia ajudar.

Os dois se surpreendem. Era Quarterhead, o taberneiro que teve o estabelecimento comercial destruído supostamente pelo ataque de Crysálida (na verdade pelo descaso de Kutulo com sua transformação). Ele decidiu pela carreira de mercador viajante, e comenta nutrir ódio por quem destruiu sua taberna.

Acompanhando-o, estava um guarda-costas contratado. Era um homem de pele azul profundo, cavanhaque, unhas negras, mascando uma folhinha delgada e carregando um chumaço delas, e se apresentava como “O Andarilho”. Ele olha com deboche para os heróis.

Quarterhead mostra aos heróis – com seu repugnante ato de "desacoplar" um quarto de sua cabeça-ciborgue para ceder seu olho cibernético microscópico – para mostrar que pequenos “vírus” de cristal estavam mudando as propriedades do cristal. Também informou a diferença entre o Thundrilium e a Coridita, que tanto eles quanto Hon-sa não sabiam distinguir. Thundrilium era uma fonte de energia, enquanto Coridita ampliava um poder já existente. Ele explica que mesmo He-man usava Coridita para ampliar ainda mais sua prodigiosa força.

Quarterhead dá duas opções ao grupo: Ele poderia polir aquele Thundrilium contaminado, mas isso consumiria pelo menos metade, se não mais. A segunda alternativa era procurar um alquimista que pudesse reverter a transformação.

Quanto ao caso mais urgente, ele tinha esperança que o Andarilho – a quem ele demonstra saber ser muito poderoso – ajudasse Bravestarr a proteger a cidade. Contudo, o misterioso homem azul alega que não estava no “negócio de herói”. E alega que nenhum valor o faria ser um herói. Ele tinha um contrato de proteção ao mascate, e mesmo este ele poderia rescindir se ficasse “inviável”. O Andarilho deixa o mercado. Quarterhead comenta com os heróis que sabia que apesar da fachada, ele tinha um “bom coração”, e pede que os heróis apelem um pouco mais.

Kutulo pousa antes de chegar à mina e reverte a sua forma humana de Logan. Ele cruza caminho com o Andarilho, que o observa com desconfortável interesse. Ele atira em Logan uma daquelas ervas mascada. O herói não se abalou.

Andarilho toma a liberdade de explicar-se. Ele diz que via “algo interessante” no Logan. Diferente dos “bonzinhos” que estavam até então na cidade. E que a erva era “Wolf’s Bane”. Ele queria ter certeza que não era um espião lobisomem que estava ameaçando atacar a cidade.

Com isso, ele despeja as ervas que estava mastigando até então nas águas do fosso.

- Isso vai ajudar a afugentar os lobos. – Comenta ele. – E é toda a ajuda que esses bonzinhos vão conseguir de mim.

A conversa é interrompida por Turkko, que decide tentar apelar ao Andarilho como Quarterhead falou. A presença de “um bonzinho” desagradava o homem. Mas com a presença do aliado Logan, Turkko comete um erro, e fala o segredo da Tumba. Andarilho decide voltar á cidade.

-> o TOMO II Está no ar!
https://dragaodeplutonio.blogspot.com/2019/09/ato-1-tomo-iii-os-cavaleiros-anos-80.html

-> Leia o Episódio-piloto que deu origem à série!
https://dragaodeplutonio.blogspot.com/2019/07/ato-i-tomo-0-os-cavaleiros-80.html

10 de agosto de 2019

Cavaleiros '80 - Abertura

28 de julho de 2019

ATO I TOMO 0 - OS CAVALEIROS '80

Thundera explodiu, consequência de suas guerras contra os Mutantes de Plundar. 
A Guarda de elite escapou com o sábio Jagah para uma galáxia próxima, chamada “Limbo”. E aterrissou no Terceiro Mundo a partir de seu sol.
Um mundo chamado Etérnia.
Um mundo defendido por Grayskul, e seu campeão, He-man.
Um ano após, o novo Chefe dos Thundercats, Lion-o, procura refugiados sobreviventes e começa a tratar diplomaticamente com os nativos desta terra. A dinâmica do mundo é alterada. 
Este é o mundo dos 
CAVALEIROS ’80!

A história começa numa dimensão afastada. Uma jovem com um orbe expondo o símbolo dos Thundercats tenta na calada da noite fugir com a nave... Mas algo dá errado. Os atuais ocupantes tinham salvaguardas. Ao invés de voltar a Thundera, a nave salta no espaço-tempo para um momento em que Thundera estava destruída. Mas a Orbe rastreia o Olho, e chega ao novo planeta.
Na superfície, conhecemos os três heróis locais: Kenor, mestre das Feras chamadas “Herculóides”; Logan, que assume uma forma poderosa e demoníaca ao dizer o nome “Kutulo”; e o Trolano Turkko, que achou que Trolla, lar do Gorpo, não era caótico o suficiente.



Os três estavam tratando de seus assuntos na cidade de Histmo, passagem obrigatória entre os Povos Livres de Etérnia e os distantes refugiados, quando uma explosão nos céus chama a atenção de todos. Uma nave rasga o espaço, e dispara o que parecia ser uma bomba na direção da cidade. 

Kenor monta em seu filhote de lagarto voador Elak, Turkko voa igualando suas velocidades. Logan aproveita a confusão para se transformar em Kutulo (Sua identidade é um segredo até dos outros dois), mas acaba provocando um pequeno incêndio na taverna com sua sequência de transformação.
Alcançando o petardo, descobrem não ser um míssil, mas uma capsula de fuga, com uma ocupante desacordada. Com a mágica de rimas de Turkko e um paraquedas providencial do amorfo Glob, outro dos herculóides de Kenor, eles começam a descer a câmera em segurança.

Kutulo decide averiguar a nave, que se mostrou uma espécie de caracol do porte de um navio, e começou a atacar gratuitamente a cidade. Robôs manuseavam balestras fixas. Mas não acertavam nada, apesar do incêndio que começou misteriosamente na taverna.

Kutulo é visto pelo primeiro dos tripulantes malignos: Ventoso, um mutante com lâminas-hélices em um de seus braços, que faz vezes de helicóptero, escudo, e um ataque-furacão, que derruba o herói dos céus.

Turkko tenta apagar o incêndio da Taverna, mas, não conseguindo, decide cuidar da misteriosa nave, que pousou na água e continuou seu ataque à cidade. Kenor deixa a thunderiana com Glob e segue Turkko.

Recuperado do ataque, Kutulo perde Ventoso de vista, mas é atacado por robôs na Balestra. Usa sua Chama Infernal Edgelord para contra-atacar e ao menos faz os vilões esqueceram a cidade. Com o reforço de Turkko e Kenor, eles triunfam as forças no tombadilho. Mas sem saber dos mutantes, O Mestre das Bestas manda seu lagarto Elak invadir a “concha” da nave...

Turkko se desentende com o demoníaco Kutulo e tenta empurra-lo com sua magia trollana. Mas seu encanto falha, e ele quem acaba caindo no mar.
Enquanto Kutulo decide atacar o navio, procurando pontos fracos para seu fogo infernal Edgelord, Kenor invade a cabine de controle, onde vê que um mutante-peixe tinha engolido a cabeça de seu lagarto. Era Dr. Lauro, o bagre mutante com peças cibernéticas para agir fora da água. Ventoso também estava lá. Felizmente, logo Turkko se recupera e se junta ao selvagem.

Após muito esforço, Kutulo abe um rombo no tombadilho, e decide entrar para níveis inferiores. Contudo, sua invasão aciona os alarmes na cabine. Temendo “O Capitão”, Ventoso desce para enfrentar o intruso. Sozinho, Dr. Lauro não consegue manter sua tentativa de engolir o herculóide. Furioso pela ameaça que quase vitimou sua mascote, Kenor quase empala Lauro, que destrói a peça que unia seus braços postiços. Lauro entra em pânico, e corre para os níveis inferiores.

No deque de batalha, Kutulo e Ventoso se enfrentam. Fogo contra Vento. Mas um não consegue suplantar o outro. Lauro passa correndo desesperado na direção dos níveis inferiores, e é ignorado pelos combatentes. Kutulo percebe que estava num deque de mísseis, decide explodir um dos mísseis para atordoar seu rival. Acaba tendo sorte e força Ventoso a fugir também pouco antes da chegada dos demais.
Temendo quem seria “O Capitão”, os três conversam em enfrentar a ameaça juntos, mas Kutulo quer tentar mais uma vez queimar o navio, abandonando os colegas. 

Antes de chegar ao segundo tombadilho, Turkko e Kenor ouvem sons de cápsulas de fuga sendo acionadas. Percebe que naquele deque de carga, havia quatro cápsulas de fuga... Uma usada mais cedo pela Thunderiana, outra pelos dois mutantes... Mas ainda tinha alguém lá.

Uma bela mas sinistra mulher de pele azulada. Ela mumurra que “deveria ser acordada quando chegassem a um planeta” e que a “Thunderiana tentou fugir com sua nave” – chamada enfim de “O Nautilóide”. Ela revela ser Crystalida, e insinua que eles eram de um passado – antes da destruição de Thundera – mas demonstra ter conhecimentos do futuro também. “Quem é o rei de Etérnia hoje? Randor? Primeiro ou Segundo?”
Desconfiados do poder daquele “capitão” que intimidava os mutantes, os heróis tentam apazigua-la, mas Crystalida declara ser mais um daqueles conquistadores malignos. E com sua própria e infreável sequência de Transformação, ela se torna Crysalida, o Terror de Cristal. Uma aracnoide cristalina enorme e assustador. Os heróis bravamente decide fugir.
Nesse ínterim, Kutulo volta à forma de Logan e vai verificar a cidade. A Taverna está arruinada, mas a Thunderiana estava acordada, e parecia ter ganhado a confiança de Glob. Ela diz ser Hon-sa, e que ela estava sabotando há muito tempo a Nautilóide esperando uma oportunidade de levá-la a “Rei Cláudius”. Ela parece em choque ao perceber que Thundera foi destruída e que o Olho de Thundera estava naquele planeta.
Glob decide levar a Thunderiana de volta ao Nautilóide. Logan vai junto.
No Nautilóide, Crysalida estava perseguindo os dois heróis. Mesmo dos deques inferiores ela conseguia levar ameaça com estalagmites de cristais emergindo do logo. Antes de chegar à ponte de comando, os dois percebem que não fizeram o serviço completo, e que alguns robôs haviam restado e só o lagarto Elak lutava contra eles. Kenor se apressa a ajudar o companheiro, mas Turkko ficou para trás, quando do elevador de carga Crysalida resurge.

Sem muitas opções, Turkko decide usar sua magia trollana num último dos mísseis que Kutulo não tinha explodido. Mas com um efeito inesperado, causa uma reação em cadeia na munição, gerando a explosão mais forte até então, abrindo um rombo no Nautilóide, atordoando Crysálida e cuja onda de choque abalou Kenor e os combatentes no andar superior. Turkko cai desacordado.
O alerta de danos dispara com alarme de incêndio e outros sistemas, revelando a Fraqueza inconveniente de Crysalida: Som. Ela reverte a sua forma “humana” e pragueja contra os heróis enquanto se teleporta para longe. Somente Kenor testemunhou isso.

Todos se reúnem no Deque de comando, onde Hon-sa se apresenta. Ela alega ser um Thundercat, mas algo estava errado na fala dela. Então ela corrige com “Eu sou, tecnicamente, em uma posição de um dia se pleiteada a ser um Thundercat”. Ela explica, mostrando uma esfera com o “olho” dos Thundercats que ela “Haqueou a Grade de energia, que quando acionada pelo Olho de Thundera, viaja para alertar e fortalecer os Thundercats”.

 E com essa energia, o Nautilóide podia viajar pelo espaço, tempo e dimensões. Mas a nave pertence a Crysálida e seus capangas. Ela enrolou o quanto pode, aguardando um acionamento do rei num período que pudesse sequestrar a nave e ir a Thundera. Não imaginou que Crysalida pudesse antever a manobra e programar a nave para um período de tempo em que não houvesse Thundera. Assim, só pode escapar.

Não confiando muito na história, Kenor e Logan decidem ir enviar mensagens a Etérnia e tentar comunicar-se com os Gatos. Deixa Glob e Turkko com Hon-sa na Nautilóide. Contudo, a Thunderiana encanta os dois e caba convencendo-os a partir antes de “autoridades” aparecerem e tomarem o Nautilóide.

Percebendo que a nave – agora só podendo navegar como um navio – escapando, Kenor pede com urgência que Logan avise o rei da nova ameaça pela estação de rádio e parte para o Nautilóide com Elak. Logan consegue contato com o Mentor, e passa o que pode – e sabia – antes de perder o sinal, e decide se transformar no demônio Kutulo e perseguir o Nautilóide também.

Pouco antes de acionar as turbinas principais, os dois heróis alcançam a cabine. Hon-sa sentava como capitã, usava cristais de Coridita (que ela chamava de “Thundrilium”) no lugar da esfera de Thundera para alimentar precariamente a nave. Turkko era o homem-de-leme.

Como Kutulo não havia se apresentado, Hon-sa fica assustada e acusa ser um dos aliados de Crysálida. Para diminuir a tensão, Kutulo decide revelar sua identidade secreta aos três. Kenor, desagradado com a surpresa, questiona se ele conseguiu mandar a mensagem a Etérnia. Ouvindo isso, Hon-sa fica contrariada. Decide ao invés de rumar para a Toca dos Gatos, usar propriedades de se tornar Submarino do Nautilóide. Os heróis (E Kutulo, que está mais para Chaotic Neutral) se veem presos na nave... Como a nova tripulação do Nautilóide, sob a capitania desastrosa de Hon-sa. 

De seu cristal, no topo do Monte Místico, Crysálida começa a erguer seu castelo “da Frozen”... e observa com seu Tablet de cristal os heróis... E gargalha maniacamente pensando nas torturas que irá impor a eles! 




26 de maio de 2019

OS PJ's - Cronologia

Este é um estudo para futuros materiais de meu grupo - OS PJ's" - no cenário de Meliny. Tal qual sua proposta original, o "passado" deles em mesa, nos cenários originais, terão peso.

Haverá novidades em breve, por isso quero estabelecer bem o cronograma.
___


NOBUNAGA:
 O “líder moral” dos PJ’’s estava em missão oficial em Habênia, como Hatamoto do Reino de Wen-há. “Eu compareci a pedido do Shogun-imperador em um evento diplomático, que por hora, não deve ser debatido fora das salas de trono dos regentes reconhecidos ao trono dos Deuses-dragões”... [Os PJ’’s – A Formação do Grupo]. Este evento é A TROCA DA DINASTIA, consequências do Terceiro arco do PBEM – A Cruzada da Luz.
Isso põe a formação dos PJ’’s (a segunda formação para Tholen/Hellen) no ano 529 N.E..
Na campanha original, Nobunaga e seus companheiros Hatamotos fizeram uma missão nas Terras das Sombras que lhes garantiram o título e os benefícios. Para quem não conhece, em Hokugan, as Terras das Sombras são o domínio dos demônios, isolados por uma muralha perpetuamente vigiada pelo Clã dos Carangueijos.
Então, poucos anos antes, uma grande aventura indo aos domínios dos demônios garantiu a Nobunaga e seu primeiro time a glória que levaram ao Torneio de Jade. Temos algo assim:
O Demônio Interior II.
Nobunaga, Bayushi, Shiba Maya, Hida Fuji, Yoritomo Kenshin e Moto Lee eram os oficiais representantes de Wen-há como Infernautas. A faixa etária deles era 17 anos! Parece pouco, mas a “vida adulta” de Wen-há começa aos 14, e com 19 quase 20 Nobunaga seria um Sempai.

THOLEN
Tholen tinha 53 anos no primeiro “Os PJ’’s – A Formação do Grupo”. Seria o equivalente anão a 21 anos... E ainda assim, ele era menos experiente que Nobunaga, por exemplo. Ele era um “guarda-costas glorificado” em Dol’oan, até ganhar a missão de ser “O Viajante”... Talvez porque os anões do Forte das Armas queriam ele fora de lá.
Após viajar pelo Norte da Cordilheira do Ouro, ele reuniu com o Grupo Original – Ghunter, Hellen, Nindrille e Faelar – em 526 N.E., quando esses estranhos se uniram quando “Elfos do Sol” invadiram uma taverna para eliminar a refugiada Drown Nindrille.
 O grupo formou uma “aliança” forte, ligeiramente fraquejada pela traição de Faelar, Mas precisaram ficar mais unidos que nunca em 527 N.E., quando o mundo mergulhou numa invasão demoníaca (ODI-2). Os conhecimentos práticos de Hellen foram essenciais para o grupo guardar as terras em que estavam na ocasião.
Com o fim da batalha, os heróis ganharam prestígio no meio, especialmente o “príncipe nômade” Ghunter (vou fazer um material dele em breve). E este se aproximou demais de Nindrille. Alguns comentam que isso despertou o ciúme de Hellen’ae, até então a criatura mais bela e formosa da ordem...
Fato: em uma paragem inesperada, Nindrille foi assassinada. Ghunter não esperou os seus colegas e foi se vingar, enfrentando mais do que poderia e perecendo. Tholen e Hellen conseguiu eventualmente encerrar os Elfos do Sol, mas era tarde demais para salvar seu líder.
Isso levou os dois a Habênia, para formar um novo grupo em 529 N.E.

HELLEN’AE
 Os eventos de HELLEN – PRINCESA SUCUBO se passa em 525 N.E. O tempo necessário para uma segunda cerimônia de escolha das novas Princesas (que ocorreu no começo). Mystara é citada tendo se tornado a Primeira-esposa e se apaixonado verdadeiramente (Fatos que se dão em 477 N.E.).
Ela já tinha um ano de Meliny quando se aproveitou da formação de um grupo de aventureiros com o famoso Ghunter, o Príncipe Nômade. Mais do que suficiente para alguém com sua inteligência e carisma sobrenaturais (talvez até demorou muito... será que ela fez algo nesse ínterim?).
Tholen insinuou que Hellen foi a última a ver Nindrille com vida, mas não acredita que a Súcubo tenha feito algo com sua melhor amiga. Que sua morte e a de Ghunter foi uma infelicidade, ossos do ofício.

MIDORI
Com 15 anos, Midori era um Genin veterano quando houve a Invasão de Felgoz (ODI-2). Disfarçado na Guarda Vermelha – sua primeira grande missão após a “Idade adulta”, ele provavelmente está ciente da Troca de Tronos (Cruzada, Arco 3)... E se considerar que os Deuses-dragões resurgiram brevemente, não é um segredo pequeno.
Deveria ser cedo demais para ele viajar pelo mundo como aventureiro... Mas sua condição especial fez os pais do jovem Mestre dos Trotes permitirem.

Assim, ficamos com:

520         Grlim Cahali; "Lady Katzophlis".
521         ODI-1.
525         Hellen chega a Meliny.
526         O Grupo Original se reúne - Hellen, Tholen, Ghunter, Nindrille, Faelar.
                Os futuros Hatamotos começam a participar de torneios e missões juntos 
                - Nobunaga, Bayushi, Shiba Maya, Hida Fuji, Yoritomo Kenshin e Moto Lee.
527         Invasão de Felgoz (ODI-2).
                Traição de Faelar.
                Yuuhi Midori começa a treinar Ninjutsu na ALdeia das Quatro Faces
528         Cruzada da Luz, Arco I & II.
                Morte de Nindrille & Ghunter.
529         Cruzada da Luz, Arco III (Fim da dinastia Gen)
                Os PJ's se unem em Habênia - Hellen, Tholen, Nobunaga, Midori.
                Os PJ's derrotam os Lagartos-trovões nas Montanhas entre 
                     Doravânia e Gargurus.

Futuro Próximo
                - Os PJ's recuperam Thrumaz.
                - Guerra Civil Auriana.
                - Hellen é confrontada por Mystara.

21 de fevereiro de 2018

[Conto] Thrummaz - o Rei Anão - Parte III

► Veja a Parte I
► Veja a Parte II


 Gillibrand desapareceu por uma escadaria para o piso superior, enquanto os três anões carregavam a petrificada Ynahum Thyrin por uma estreita mas firme sessão de degraus para o Sótão. A escuridão completa não atrapalhava os anões, senhores das cavernas e dos submundos. Podiam distinguir facilmente o círculo descrito no meio de um calabouço transformado em biblioteca arcana consideravelmente ativa. As paredes eram forradas por móveis de madeira que ostentavam livros, pergaminhos, tubos de vidro, peças de laboratórios, e uma discreta alcova com bigornas, uma fornalha de carvão mineral, e um martelo apropriado para pequenas peças.

 Volthrur e Elger aprumavam a estátua de forma a manter o respeito pela sacerdotisa, enquanto Thrummaz subia ao plano térreo. Ele ouvia cascos de cavalo, e se preocupava.

 Magistrado Kype regressara. Faz uma pesada reverência. Algo pesava em seu semblante.

- Coronel Dyomaz dispensou os emissários aurianos. - Fala ele. - O coronel está ciente de Vossa presença e deseja compensar a ofensa com um banquete em Vossa honra, majestade.

- Más notícias nas conversas com o Império? - Thrummaz arrisca.

- O Coronel decidiu rejeitar a oferta. - Fala enfim o magistrado. - Quase certo que a próxima visita não será a de diplomatas, mas conquistadores.

 Thrummaz imaginava que o coronel, àquela altura da vida, iria aceitar ser anexado ao Império Áureo. Estava genuinamente surpreso pela decisão, e temia que sua presença na cidade-estado era uma assertiva de dissuasão. Devilon era longe demais para receber reforços dos aliados de Lyon sem ser algo ostensivo. Mas após a Grande Guerra de Donaire o coronel, um veterano da batalha, tornou seu castelo um ponto seguro para os refugiados e os colonos. E teve sucesso em proteger o que viria a ser Devilon por todos aqueles anos... 

- Serei honesto, caro primaz... - fala o rei com ritualística apropriada. - Esta situação de sua nação foge a minhas expectativas. Não farei a afronta de não me apresentar a seu regente, mas...

- Eu entendo. - Interrompe o magistrado. - E eu ouso dizer que aconselhei que o coronel aceitasse a anexação. Não por objetivar afrontar Tyrun ou nossos vizinhos ocidentais, mas estamos na era dos Grandes Reinos. Murar uma cidade é forma antiquada de governo. A decisão de nosso coronel foi mais por ideologia e orgulho do que visão política.

- Por isso eu aprecio tratar com os devotos do Deus da Justiça. - Thrummaz afirma. - Vocês são respeitosos, mas não hesitam em falar o que pensam com sinceridade genuína. Mas devo dizer que eu não... posso me dar a este luxo. Seu regente deve ter coisas a ponderar esta noite. Eu o buscarei amanhã formalmente. É uma promessa.

 O magistrado entendia que estava sendo dispensado. Era uma situação estranha, mas não sabia o protocolo adequado de confrontar um rei. Preferiu dar as vezes aos desejos de Thrummaz e partiu. 

- Até que enfim. - Urra alguém no sótão. - Achei que ele nunca iria embora!

 Gillibrand posava de um anão velho e fraco quando se encontrou com o rei. Mas agora parecia outro... parecia um fantasma do passado.

 Ele usava uma placa peitoral formal, com adornos no ombro indicando divisas dos magos de Batalha de Skellos. Suas pelugens estavam razoavelmente aprumadas dando um ar de elegância ao idoso. Quando muito jovem, Thrummaz viu guarnições com aquele mesmo uniforme, e temeu por sua raça. 

- Sei que eu fui "perdoado" por ser um desertor, Majestade... - o nibelungo reforça a qualificante para confirmar que sabia com quem tratava. - Isso porque meus superiores eram eugenistas tolos e não tinham escrúpulos em mentir e distorcer para aliciar as fileiras. Mas Donaire trazia poder e propósito para os meus. E se não fosse eu não poder conviver com a mentira, estaríamos em lados inimigos da guerra como era o destino.

 O desabafo deixa o rei sem palavras. Por um instante, imaginava que o mago iria erguer as mãos e conjurar bestas além-planos para o trucidar. Mas do nada, um sorriso amigável surge no velho nibelungo.

- Agora, vamos aos negócios, sim? - Fala ele, descendo os degraus de rocha e encorajando o rei a segui-lo.

(...)

 Thrummaz não vê quando o Nibelungo realizou o primeiro feitiço, só percebe fagulhas azuis-escuros rodeando a estátua. Ele preparava outro gesto intrincado com murmúrios quase inaudíveis.

- Por que não tira essa armadura para lançar seus encantamentos?

 O mago ignora a pergunta do príncipe. Termina a conjuração que torna as fagulhas uma única bola de energia de cor púrpura, a qual parecia estimular a estátua a brilhar mais.

- Os Nibelungos possuem técnicas mais refinadas de magia. - Fala ele. - Armaduras e escudos não nos atrapalham em nada. Isso nos fez valiosos na Guerra.

- Gillibrand eu não autorizei o senhor a começar nada. - O Rei dos Anões observa com autoridade. - Especialmente depois dos seus avisos! Explique o que está fazendo e só depois de nós concordarmos, poderá continuar.

- Tudo bem... - o mago parecia uma criança hiperativa sendo obrigada a parar de brincar. - Eu disse que, maldição ou proteção, a “Concha Púrpura” tem um gatilho para desfazer. O problema seria conhecer este gatilho.

- Sim, nós entendemos até esta parte. - Elger intervém.

- Pois eis a decisão... - fala o mago. - É possível que eu possa tirar a Concha. O problema é: Como o encantamento já está ativo, terei de lança-la em alguém. Seria como um "transplante". 

- Lançá-la?!? Em quem?

- Qualquer um... - fala o mago. - Um transeunte, um de vocês.... Eu mesmo, embora já declare que não aceitarei.

- E ela ficará presa na maldição sem conhecer o gatilho?

- Para não dizer que só trago más notícias... - O Nibelungo novamente despe o braço, mostrando a própria runa tatuada. - O encantamento passará por minha runa, então adotará o meu gatilho, o qual eu sei qual seria. É uma situação mais agradável que a atual.

- E qual é... exatamente... o seu gatilho. - Thrummaz começava a desconfiar do mago. Algo o incomodava.

- Meu gatilho é o padrão.... Ser encontrado por um anão que não me queira mal. 

- Mas isto é fácil. - O príncipe Elger sorri. - Nós três respeitamos um ao outro, daríamos a vida por...

- Não é tão simples, alteza. - O mago interrompe. - Imagine que eu esteja cercado por pessoas que eu confie, mas que me traiam. Num último esforço de sobreviver, eu ativo minha runa. Me aprisiona, mas me permite a proteção de meus circunstantes.

- Eu... Não entendo... - Volthrur confessa a confusão.

- O alvo de minha concha precisa ser ENCONTRADO. Palavras são importante na magia. Vocês todos, e eu também, podemos ser ameaças ocultas. Por isso, o gatilho não funcionaria conosco, que temos consciência da Concha. Nem com nossos agentes pessoais ou a quem falássemos livremente sobre ela. O ideal é largarmos num local ermo e esperar que um anão incauto, mas honrado, o encontre. 

- Isso pode levar anos! - Protesta o príncipe. - Esta burocracia é mesmo necessária?

- Eu faria isso sem hesitar se achasse que minha vida está em perigo. - Fala com certo humor o mago. - Seria um último recurso, mas preferível à tortura ou à destruição. E antes que tenham alguma ideia: Posso acionar a minha runa quando eu quiser, e ao invés de libertar a sacerdotisa, terão duas estátuas em suas mãos. Isso se eu não matar algum de vocês antes de me fechar.

 - Majestade... - o capitão Volthrur se adianta. - Não há honra se usarmos de nossos anfitriões Devilonos, ainda mais inesperados. Por isso, eu me voluntario.

 - Espere, capitão! - O príncipe protesta. - Há outros soldados da...

 - Quanto mais pessoas souberem da condição do gatilho, menos chances temos de que um anão genuinamente bom encontre a estátua. E talvez até mesmo a  “Malho de Cobre” possa auxiliar. A magia é antiga, ela pode ter convivido com esta situação.

 - Volthrur está certo... - Gillibrand acena continuamente enquanto o capitão falava. 

 - Pai, eu sou o Príncipe de Tyrun. - Afirma Elgen. - Os herdeiros da Forjadora deveriam se encarregar da missão. Tenho dois irmãos, um deles mais velho, que cumprirá adequadamente as funções sucessórias. Permita que eu...

 - Nem OUSE! - O rei urra repreensivamente. - Com pesar no coração eu vejo que o capitão é a escolha mais adequada. E terá a eterna gratidão do Trono.

 - Pai... - insistia o príncipe. - Vamos abrir mão de um honrado...

 - Meu filho... - Thrummaz põe as duas mãos sobre os ombros do príncipe. - O Império Áureo marchará sobre Devilon em muito breve. Preciso que você junte um terço da Khro Rym. O terço mais rápido e discreto que puder, e parta a Tyrun. Alerte seu irmão, que deverá reger até eu retornar. Alerte nossos aliados, e que eles decidam pela diplomacia ou pelas armas. Eu e Ynahum Thyrin podemos ter outras paradas, mas retornaremos. E jamais fale o que ocorreu aqui a mais ninguém. Mesmo às cortes. E especialmente à família real.

 - Eu entendo, pai. - O príncipe não mais protesta. Ele abraça longamente o capitão, e parte carregando todos aqueles segredos.

 - Capitão Volthrur, queira postar-se atrás da estátua. - Fala o mago. - E saiba que eu admiro sua coragem e predisposição. Mesmo esperando que o rei fosse ... Esqueça.

 - Só faça o que for necessário. - Rosna Volthrur. Sua vontade era inabalável, mas o nervosismo era inevitável.

 A composição era o oficial detrás da estátua, com o mago nibelungo à sua frente. Mantinha a esfera de energia que conjurou antes à altura dos olhos da estátua.

 A dúvida retorna ao regente. Ele lembra que o Nibelung observou os pés da estátua - onde estavam as runas -; Não participou do posicionamento do artefato - coisa estranha para um ritualista -; E perdeu por alguns segundos o que quer que o mago fazia. Aquele show pirotécnico antes de explicar os segredos da “Concha Púrpura” poderia isolar a estátua?

 - Volthrur... - fala o rei. - Gillibrand chegou a tocar na estátua?

 - S...Sim, meu rei. - Fala o capitão nervoso. - Digo, não, mas estava no ambiente. Digo...

 - Que a forjadora me perdoe por pensar isso... - fala o rei. - Mas e se Ynahum Thyrin usou o "gatilho comum"? E se ela não se sentia segura com os filhos de Tyrun? Com os herdeiros de Forjia?

 - Então, majestade... - Gillibrand fala com uma rizada débil entre os dentes. - Ela se sentiria à vontade diante de um Devoto de Donaire, o Deus legítimo da Magia!

 Antes de qualquer reação, Gillibrand desfaz o teatro. Ele toca o peito do artefato, e estende a mão espalmada, de onde uma esfera rubra com a runa idêntica à tatuagem brilhava mais incandescente. A esfera vai na direção de Thrummaz, e não de Volthrur.

 Dalí, tudo correu de forma lenta. O Rei dos Anões sentia seu corpo frio e duro. Irradiando do peito, e em segundos suas pernas estavam rijas. Via a Sacerdotisa dar uma golfada profunda de ar e ligeiramente se ver livre. Volthrur partiu com machado em riste contra Gillibrand, mas um escudo projetado da armadura do nibelungo amortecia boa parte do golpe.

 Queria lutar. Sacar seu martelo e apoiar seu capitão, mas seus olhos ficavam semiopacos. Os lutadores eram vultos agora, e mudavam de posição tão caoticamente que o rei não sabia quem era o capitão, quem era o traiçoeiro Nibelung.

 E então, A recém revivida Ynahum Thyrin golpeia alguém com seu malho de cobre. Uma luminescência interrompe a luta.

 Dois estavam lá, diante da estátua do rei. Ele não podia ver ou ouvir, mas de uma forma estranha, podia sentir.

 Mas depois disso, sonhos sem sentido tomavam sua mente. Distraíam-o mas não permaneciam na memória muito tempo. Como se fossem dois ou três minutos de delírio, e a gravidade finalmente volta. O Rei dos anões sente seu corpo cair ao chão.

- Eu fa-fa-falei que e-ele iria que-quebrar! - Fala uma voz com gagueira, mas com confiança. 

- Eu só toquei nela! - Outra voz, mais próxima e firme, embora urrasse em defensiva, retruca.

 Era um lugar iluminado, como um templo a céu aberto. A visão turva de Thrummaz viam quatro vultos, Um deles, uma mulher alta, envolvente e esguia. Algo em sua mão emitia de tempos em tempos labaredas rubras que dançavam em seu braço.

- É... A Forjadora.... - Fala o rei delirante. - Hannah, eu achei você.

- Oh, que bonitinho! - A mulher ajoelha-se e se aproxima do anão caído. - Ela acha que eu sou sua deusa, Tholen! - Era uma humana usando vestes leves. Thrummaz estava certo após segunda análise que ela poderia ser qualquer uma, menos a Forjadora.

- Um nobre reconhece outro. - Fala o último do quarteto. Um homem esguio com pouca armadura fora vestes de viagens verdes, mas com armas embainhadas à mostra. - Senhor, eu sou Geen Nobunada, Hatamoto de Wen-ha. O senhor está fora de perigo.

 Thrummaz recompõe-se, ainda com sentidos abalados.

- O senhor falou Wen-ha... - comenta o rei. - Perdão eu desconheço esse nome...

- Co-como assim? - Protesta um muito jovem próximo a Nobunaga com semblante semelhante ao nobre, aos olhos do rei anão. - Wen-ha éé-é um dos gra-grandes re-reinos! Que no-nobre dedesconhece nosso reino?

“Grandes reinos”. A fala do magistrado Kype vem à mente do rei. 

- Um nobre que era nobre antes de Wen-ha se revelar ao continente. - Thrummaz era treinado. Sabia quando um intruso tentava ler seus pensamentos, mas a humana o pegou em um lapso momentâneo de fraqueza. - Um nobre com uma mente de concreto, ouso dizer. - espanta-se a humana.

- Eu exijo... que.... - Thrummaz tentava dar ordens e impor seu título, mas eventualmente admite a si mesmo que era o menos consciente naquele momento a tomar ordens. - Perdão.... Eu estava preso, e devo ter sido solto por um anão que...

 Enfim, ele centra os olhos em um ser de estatura próxima à sua. Usava armadura pesada e uma longa barba - que o incomodou. Mas era um anão, o único que poderia ter o libertado.

- Mas você é um anão de Dol'oan! - Exclama surpreso o Rei.

- Sou o Viajante, meu caro. - Fala o anão, como se aquela alcunha bastasse. Ele parecia rústico, mas desconcertantemente animado com a visão do rei. - Sou Tholen da Torre do Martelo.

- Como Therin ... - lembra o rei. Tinha encontrado fazia poucos dias, em sua perspectiva. - Apesar de nossa diáspora, eu não sou seu...

- Você conhece meu avô? O Fundador de Dol'oan?!? - Tholen sorri. – Fale mais, veterano! 

- O que e-e-ele fez com no-nosso anão? - Estranha o infante de vestes verdes, tatuagens e cabelos espetados. - Nu-nunca vi Tho-tholen sorrir a-antes!

- O anão gosta de encontrar outros como ele, Midori. - Comenta Nobunaga, apresentando uma bota de bebida ao rei.

- Tholen... - a humana adianta, apontando sobre os disfarces. - Ele usa uma flâmula muito antiga. Eu não a reconheço, mas já vi paródias delas em velhas casas anãs. 

- Eu sou eternamente grato a vocês. - Fala o regente, aceitando a bebida, uma agua ligeiramente azeda que talvez tivesse álcool, mas jamais bastante para impressionar um anão. - Não sei o quanto meu nome vale hoje... Mas eu sou Thrummaz de Tyrun, rei dos anões.

 O trio de humanos se entreolham, e depois encaram Tholen.

 - É uma honra ter o reencontrado, majestade. - fala o anão, com pesar na voz. - Mas creio que após quatro séculos, o senhor é rei de nada.


[Conto] Thrummaz - o Rei Anão - Parte II

► Veja a Parte I

A armada Khro Rym foi temporariamente rebatizada como a Guarda Pessoal de Thrummaz de Tyrun, rei dos anões. Isto porque agora seus quarenta e cinco guiavam Thrummaz e seu segundo filho, Elger. 

 Agora, esta competente comitiva via-se barrada por cinco cavaleiros de Devilon. 

- Sou o Magistrado Romaz Kype. - Informa ele. - Informe sua identidade e intenção.

Thrummaz adianta-se ao humano jovem e de aspecto ansioso, adornado como um Magistrado - membro de uma das antigas ordens de Yius, Deus da Justiça, que uma autoridade local teria nomeado como julgador e mesmo delegado. Usava a flâmula de Devilon, uma cidade-estado de médio porte já além da Cordilheira do Ouro, consideravelmente próxima da Aliança vassalar de Lyon.

- Magistrado Kype sabe muito bem quem eu sou. - adianta o regente. 

- Quis manter formalidades, majestade. - A explicação parecia mais uma desculpa. Contudo, devotos do Deus da Justiça jamais mentem. 

- As formalidades indicariam que eu fosse recebido no palácio de seu regente, o Coronel Dyomaz, regente de Devilon. Ou ao menos que víssemos seus muros.

- O senhor não deve ir ao Palácio, majestade. - fala enfim o Magistrado, recolhendo a voz. - Eu posso ... escoltar seus homens ao Norte, onde temos um pomar abundante e providenciarei o que precisarem para uma boa estada.

 O capitão Volthrur não consegue esconder um sorriso zombeteiro. Khro Rym era uma força militar bastante para tomar a cidade, e a resistência que encontrou até aquele momento eram cinco humanos a cavalo. Mas mantém o silêncio. Deixou seu rei cuidar das conversas.

- Devo deduzir que alguém está no Palácio... - pondera Thrummaz. - Alguém a quem não seria conveniente nos ver.

Kype não tinha mais rodeios para a informação.

- Esta manhã recebemos uma comitiva do Império Áureo. - Fala enfim. - E não há dúvidas que seu intento é a ... Posse.

- As fronteiras do Império estão muito longe daqui! - Príncipe Elger intervém. - Tem as florestas dos centauros e as pradarias dos minotauros entre eles, e Icátia fecha o contorno no Norte. 

- Dois Minotauros compõem a comitiva que chegou hoje. E trigo dos Centauros alimentam a campanha auriana a Icátia. Eles podem contornar o Bosque do Desespero pelo Norte ou pelo sul, e tudo o que separa seu reino e a capital de Lyon das armas do Império somos pontos de luz como nosso reino e a Marca de Katzoplis. Não é esse o assunto que os trouxeram aqui?

Elger e Volthrur se entreolham com a notícia. Estavam certos que tanto centauros quanto minotauros seriam uma campanha militar de anos para o invasor oriental. Icátia e Devilon agora eram os últimos reinos não-assimilados por Áureo III... Icátia conta com defesas consideravelmente simples e tradição belicosa minguada. Devilon, era um terço do que quer que Icátia fosse.

- Nosso assunto é outro, Magistrado. - Fala o rei. - Aceitamos que minha guarda pessoal acampe fora das vistas dos seus convidados. Mas quero ir com uma carroça visitar um de seus súditos, e estou disposto a ocultar minha identidade, se for do desejo de seus mestres.

- S...Sua compreensão é nobre e de grande consideração, Majestade. - Fala surpreso e incerto o magistrado. - Por favor, sigam-nos ao norte primeiro. De lá, estejam livres para seus assuntos. Só não partam antes de serem adequadamente recebidos pelo Coronel Dyomaz.

 A comitiva seguiu por uma estrada secundária pouco usada, cujas moitas duras começavam a tentar tomar de volta o terreno. Obviamente cruzar a cidade era o mais prático para viajantes rumando ao norte, coisa que não era do intento de Devilon nem da coroa de Tyrun. O rei e seu filho recuaram ao quarto retaguarda, onde uma única carroça era o veículo principal, exigindo cuidado redobrado do destacamento Khro Rym para vencer os obstáculos. Isso devido ao artefato que traziam, enrolado como podiam para ocultar sua silhueta e proteger dos solavancos e intempéries. 

- Senhor meu pai... - sussurra príncipe Elger. - Talvez devêssemos enviar notícias a Lyon e a nosso reino. 

- Hein? - O rei parecia distraído, mas logo se inteira do que falava seu filho. - Sim... sim. Mas nossa missão é sagrada, meu jovem. E considerando Devilon e o Forte das Armas, gente demais sabe de nossa comitiva. Se interceptarem um mensageiro nosso pode criar incógnitas demais.

- Bem... - Ponderava o príncipe dos anões sobre o dever para com seus aliados humanos e a missão. - Daqui retornaremos para Tyrun?

- Vai depender de Gillibrand... - O rei sussurra um nome que o incomodava. O príncipe entende e decide se calar.

(...)

O assentamento improvisado foi levantado em uma clareira de macieiras. Magistrado Kype autorizou o consumo, embora faltasse alguns dias para as frutas estarem aptas para a colheita. Também ditava as leis quanto à caça na região. Thrummaz de Tyrun perdeu essas particularidades, preferindo se preparar para o ingresso em Devilon. Decidira ir acompanhado apenas do príncipe e do capitão Volthrur com a carroça do artefato. Usavam vestes mais simples de couro adquiridas em Odnenga cinco dias antes, mas com peças segmentadas com as flâmulas por baixo para o caso de precisarem se identificar.

 A cidade-estado humana era murada com rocha. Estavam já longe da cordilheira, mas era fácil deduzir que um veio mais irregular estava ao alcance dos primeiros colonizadores humanos que fizeram o reino. Usavam um portão para o norte, menos propicio a viagens muito além dos pomares, o que tornava a passagem discreta. A cidade velha era centrada no castelo, na posição oposta à entrada do pomar. Isso os colocavam em bairros mais residenciais da cidade, o que era conveniente.

 Kype não teve dificuldade em orienta-los ao seu destino, afinal, era um ponto de referência. "A casa do único anão de Devilon".

 As estradas de pedras irregulares incomodavam o rei. Mesmo em fortes distantes de Tyrun tal descaso funcional com o elemento era de embrulhar o estômago. Por isso, a casa quadricular que encontraram parecia aliviar um borrão em seus olhos. O trabalho inteiriço da rocha, perpendicular com a discreta calçada elevada para evitar enchentes das ruas, e mesmo a adoção de detalhes em madeira para o telhado de talas ligeiramente projetadas fazer sombra na face leste da construção eram cuidados definitivamente anões.

 Mas o proprietário não era alguém que, em circunstâncias normais, o rei dos Anões gostaria de encontrar.

 Como se soubesse que o procurariam, ou uma coincidência na rotina dele, Gillibrand abre a porta pouco antes dos três anões se aproximarem. Ele sorri um pouco, vendo os três forasteiros patrícios. O anão era consideravelmente velho, com costeletas cheias e brancas como algodão, mas sem barbas. Também era calvo, mas ocultava isso com uma touca grossa e vermelha. Sua túnica era adornada por um cinto que se pendurava em seu ombro e fazia vezes de condão para uma bolsa maior, no momento vazia.

 Mas um detalhe ignorado pelos vizinhos e conhecidos da comunidade humana de Devilon: Gillibrand era da linhagem Nibelung. Pode passar por décadas pelo escrutino dos circundantes, mas qualquer anão percebe imediatamente aquela condição. Aos olhos anões, as orelhas e o nariz eram muito amplos... Mas humanóides tinham percepção similar dos filhos de Tyrum, e não diferenciavam.

- Ora o que temos aqui... - sua voz era falha e rouca, trazia um pouco de humor, embora sua expressão demonstrasse que ele estava ciente da reação dos forasteiros. - Vocês podem não acreditar, mas é bom ver alguém como eu após tanto tempo...

- "Como você?" - Elger de Tyrun fala com certo desprezo. Houve algumas cismas ideológicas entre linhagens anãs no último século, mas nada como a dos Nibelungs. Eles se aliaram ao Deus enlouquecido durante a Guerra da Magia.

- Devo deduzir que isto é o que? - Ele sussurrava, mas mantinha um ar divertido na voz. - Uma limpa genealógica? Eugenia? Alias... como me encontraram?

- Nunca perdemos você de vista. - Agora Volthrur quem falava. - Você em particular desertou da Tropa Dhizir 12. Não era um combatente..., mas jamais lhe demos confiança total!

Gillibrand olha para os lados e para os prédios próximos a sua casa, quase como se tentando adivinhar qual dos vizinhos era um espião de Tyrun ou do Castelo de Ferro. Mas sem muitas pistas, volta para o trio.

- Eu preparei geleia e conserva de cogumelos. - Fala ele com leveza, dando as costas ao grupo e fazendo como se fosse entrar de volta à sua casa. - Se viessem alguns dias mais tarde, no período da colheita, teriam uma recepção mais farta... Mas não creio que irão reclamar ...

- Nós não viemos para um banquete... - Elger adianta-se e estende a sua mão ao ombro do nibelungo. - Você tem que responder a...

 A mão veloz de Volthrur detém a do príncipe poucos segundos antes dele agarrar as túnicas de Gillibrand. O nibelungo cessa seu caminhar em silêncio, olhando por cima do ombro. O príncipe fica paralisado em choque com a reação do capitão, e então percebe o porquê.

 A mão encoberta de Gillibrand crepitava com uma energia escarlate. Gillibrand era um mago, um ser raro na época, ainda mais na raça anã, e o que quer que ele tivesse preparado, vitimaria o agressor sem dificuldade.

- Cessem as hostilidades! - Thrummaz ordena, como só um rei o poderia. Ele descobre a peça de ouro que trazia sua flâmula e ostenta-a ao mago. - Tyrun tolerou sua existência porque, a despeito de sua linhagem, não agrediu a lei dos anões e a lei dos Deuses. Agora, Tyrun vem a você buscando um pouco mais que sua omissão, mestre Gillibrand de Skelos.

 Gillibrand suspeitava da identidade do rei, mas não tinha certeza. De qualquer forma, aqueles três conseguiram sua atenção. 

- O que poderia alguém como eu auxiliar, ó emissários de Tyrun?

 Thrummaz meneia a cabeça na direção da carroça. Volthrur sobe nela, e usando as cobertas, mantém oculta, mas posicionava o artefato de pé. O mago caminha desconfiado até o volume. Ele levanta um pouco o pano, expondo brevemente a base e o pé do artefato. Como se confuso, observava o contorno das mantas, medindo e certificando-se da altura da estátua, embora jamais visse completamente.

- Onde acharam isto? - Pergunta o nibelungo.

- Em um lugar menos que honroso. Basta saber disso... - fala o Príncipe. - É uma pobre amaldiçoada pela magia de sua linhagem.

- Isso não é uma maldição. Talvez seja... Não necessariamente. - Ri Gillibrand, cobrindo cuidadosamente os pés do artefato, como se entendesse o motivo do sigilo. - Essa é a “Concha Púrpura” . Um mago pode lançar sobre si mesmo, como último recurso. Dentro da Concha, o tempo passa devagar. A carne que se torna rocha é quase que indestrutível. E, por fim, há sempre um gatilho.

- Gatilho? - Exclama Volthrur.

- Veja... - Gillibrand começa a enrolar a manga de sua túnica, até expor a pele abaixo de seu braço, mostrando uma tatuagem de cor similar à do artefato. - Não é uma magia tão secreta, ao menos dentre os Nibelungos. E antes das grandes cismas, quando Nibelung trabalhava por Fórgia, podíamos ter presenteado pessoas importantes com a marca ou uma varinha preparada. Se nossas vidas estiverem em perigo, acionamos a runa da “Concha Púrpura” e esperamos o gatilho ser acionado.

- Você falou de "gatilho" de novo! - Reclama Elger.

- Oh, perdão... - O nibelungo parecia mentalmente confuso. - Varia de situação. Gatilho é um termo para uma previsão de acxionamento ou cancelamento de um encanto. O mais tradicional é quando a estátua é encontrada por outro anão... E que este não queira mal ao protegido, a Concha se desfaça.

- Está dizendo que ... A pessoa presa nesta forma fez isso espontaneamente? - Thrummaz se espanta.

- Não disse isso. - Censura o mago. - Para uma corruptela na magia a tornar uma maldição contra a vontade, é consideravelmente simples. Mas se soubermos o gatilho que abre a Concha, ela volta a vida como se tivesse um sono de pouco mais que horas ao invés de séculos.

- Ela não despertou quando nós a encontramos... - pondera Thrummaz. - Devo supor que o "gatilho" comum não é o caso. 

- Isso pode ser um problema... - ri o mago. - Só quem conjurou saberia qual o gatilho adequado. Pode ser uma palavra mágica, uma peça específica... um indivíduo em particular... E se o conjurador for mais criativo que eu, pode ser algo que eu não descobriria nem abstraindo.

- Então... a pessoa está perdida na rocha? - Thrummaz pergunta, temendo a resposta.

- Talvez não. - O anão esfrega as sobrancelhas ralas. - Tenho algumas alternativas em mentes. Não agradáveis, mas... se libertar esta pessoa é importante para vocês, creio que até tolerem o preço...

- Senhor... - Volthrur debruça-se sobre o ouvido do rei Thrummaz. - O que quer que seja, aqui na rua não é o melhor lugar para nos determos... Ainda mais com emissários aurianos nas proximidades.

 O rei concorda discretamente.

- Nosso abrigo fica no pomar fora da cidade, mestre Gillibrand. - Fala o rei. - Poderia nos acompanhar até lá?

- Pelo contrário. - Fala o Mago. - Tudo o que preciso está no meu porão. Precisarei de coisas do meu sótão... e sou um velho frágil. Vocês, mais vigorosos, levem a estátua ao círculo rúnico do porão, e eu em breve os encontrarei.