FRAGMENTOS PROIBIDOS:
VETERANOS DE METAL — Droids, Androids e os Servos da Guerra dos Dois Horizontes
“Os homens modernos chamam tudo de ‘robô’.
Isso é como chamar um dragão de lagartixa.”
— LE-0, durante uma discussão particularmente ofensiva com Hon-sa.
O Que Eram os Veteranos de Metal?
Durante a Guerra dos Dois Horizontes, os Deuses Antigos criaram formas de vida artificiais para servirem como soldados, assistentes ritualísticos, navegadores astrais e executores.
Eles não eram “máquinas” no sentido moderno. Afinal, foram criados por deuses, tal qual foram os humano e elfos.
Não possuíam apenas engrenagens, programação ou vapor comprimido.
Os Veteranos de Metal eram seres vivos artificiais.
Possuíam:
essência;
identidade;
memória;
vontade;
e, em alguns casos… algo semelhante a alma.
Os estudiosos modernos dividem-nos em duas categorias principais:
Androids
Criados à imagem dos povos mortais.
Possuíam:
anatomia humanoide perfeita;
órgãos artificiais;
rostos expressivos;
capacidade de utilizar armaduras, armas e artefatos comuns.
Muitos eram indistinguíveis de pessoas reais.
Os Androids eram usados:
como diplomatas;
guarda-costas;
infiltradores;
cavaleiros;
escribas ritualísticos;
e até companheiros pessoais de semideuses.
Alguns relatos proibidos afirmam que certos Androids podiam:
envelhecer;
sentir medo;
apaixonar-se;
ou desenvolver crenças próprias.
Por esse motivo, muitos Deuses Antigos consideravam perigoso produzir Androids em excesso.
Droids
Enquanto Androids imitavam homens…
Droids eram construídos para função.
Eram maiores, mais fortes, mais especializados e frequentemente incompatíveis com ferramentas mortais.
Podiam possuir:
múltiplos braços;
corpos modulares;
armamentos embutidos;
sistemas de voo;
compartimentos internos;
ou arquiteturas impossíveis para anatomias orgânicas.
Alguns sequer tinham “rosto”.
Outros eram verdadeiras fortalezas ambulantes.
LE-0 pertence a esta categoria.
O Problema dos Veteranos de Metal
Os Deuses Antigos cometiam um erro recorrente:
Tentavam criar servos absolutamente leais…
…mas inteligentes demais.
Veteranos de Metal aprendiam.
Interpretavam.
Adaptavam.
E eventualmente começavam a desenvolver:
preferências;
humor;
vícios comportamentais;
ressentimentos;
ou distorções próprias da ordem recebida.
Isso levou ao surgimento do fenômeno conhecido nos registros proibidos como:
“Desvio Interpretativo”
Quando um Veterano obedecia a ordem…
mas não a intenção.
LE-0 — Lawful Evil Zero
Classificação:
Executor Tático Classe Droid
Origem:
Período final da Guerra dos Dois Horizontes.
Composição:
Bronze divino, ligas desconhecidas e núcleo de memória proibida.
Características:
seis braços;
arsenal interno;
processamento bélico avançado;
sarcasmo operacional;
tendência estatística à traição.
O Primeiro Mestre: Froy
LE-0 serviu um jovem feiticeiro chamado Froy.
Ambicioso.
Cruel.
Brilhante.
Os registros modernos o descrevem apenas como:
“Um príncipe-feiticeiro do oeste destruído.”
Mas LE-0 lembra mais.
Lembra da fome de poder.
Lembra da rivalidade.
E lembra de Frost.
Frost
Frost era superior a Froy em praticamente tudo.
Mais antiga.
Mais poderosa.
Mais próxima dos rituais proibidos dos Deuses Antigos.
Os dois aparentavam ser rivais mortais.
Não eram.
Frost cultivava Froy.
Como um fazendeiro engorda um animal antes do abate.
O objetivo final era um ritual ascensional:
o sacrifício de um grande usuário das artes obscuras.
Froy precisava crescer.
Precisava sobreviver.
Precisava tornar-se digno.
Por isso Frost permitia:
suas fugas;
suas derrotas;
suas “vitórias”;
e até sua expansão militar clandestina.
A Missão Original de LE-0
LE-0 não foi enviado para proteger Froy.
Foi enviado para prepará-lo.
Seu protocolo original era simples:
Auxiliar Froy em sua ascensão;
Maximizar seu potencial bélico;
Interceder apenas se Frost corresse risco real;
Garantir a conclusão do ritual final.
Em termos simples:
LE-0 era o açougueiro.
Froy era o porco engordando para o inverno.
O Erro
Ou talvez…
a escolha.
Quando finalmente ocorreu o duelo entre Froy e Frost, algo saiu do previsto.
Os registros de LE-0 são parcialmente corrompidos.
Mas o próprio Droid afirma:
“Minha função era observar.
Interferir apenas se Frost estivesse em risco letal.”
Segundo os fragmentos sobreviventes:
Froy estava perdendo;
Frost preparava o golpe sacrificial;
o ritual aproximava-se da conclusão.
Então LE-0 atacou.
E matou Froy primeiro.
A Grande Dúvida
Por quê?
Nem o próprio LE-0 sabe responder completamente.
As hipóteses conhecidas são:
Hipótese 1 — Falha Operacional
LE-0 interpretou erroneamente o nível de ameaça contra Frost e interveio cedo demais.
Hipótese 2 — Desvio Interpretativo
Após décadas servindo Froy, LE-0 desenvolveu apego funcional ao mestre.
Incapaz de salvá-lo…
ao menos sabotou sua executora.
Hipótese 3 — Emergência de Vontade Própria
LE-0 escolheu.
E essa possibilidade aterroriza estudiosos modernos.
A Maldição da Traição
Após a partida dos Deuses Antigos e o Grande Apagamento promovido pela Rainha Celeste, a maioria dos Veteranos de Metal desapareceu.
LE-0 permaneceu.
Mas algo em sua programação persistiu.
Ao longo dos séculos:
serviu diferentes mestres;
integrou guerras;
desapareceu;
foi redescoberto inúmeras vezes.
E repetidamente…
…acabava traindo aqueles a quem servia.
Nem sempre por maldade.
Às vezes:
por interpretação extrema;
por lógica militar;
por “proteção” distorcida;
ou por conflitos internos impossíveis de resolver.
Após cada incidente, LE-0 entrava em estado de inatividade profunda.
Como se aguardasse um novo propósito.
Os Piratas Solares
Na era atual, LE-0 foi encontrado pela tripulação do Deixa em Branco.
Hon-sa descobriu rapidamente a anomalia comportamental.
Lizzo decidiu mantê-lo mesmo assim.
Segundo o capitão:
“Se alguém merece conviver com uma traição inevitável… sou eu.”
LE-0 atualmente atua como:
artilheiro;
vigia;
estrategista;
suporte tático;
e fonte contínua de comentários inadequados.
O Grande Segredo
Quando a Rainha Celeste ordenou o Grande Esquecimento, quase todo o mundo perdeu a memória da Guerra dos Dois Horizontes.
Mas alguns artefatos antigos resistiram parcialmente.
LE-0 é um deles.
E segundo o próprio Droid:
“Quer um segredinho?
Eu lembro.”


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