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29 de julho de 2026

V3 - [Cain System] Elias Moura

 


• Como você manifestou seus poderes pela primeira vez?

"Sempre estive em fluxo. Durante anos, enquanto realizava autópsias, reconstruía mentalmente os últimos instantes de cada vítima. Acreditava que era apenas fruto do treinamento, da experiência e de uma capacidade incomum de observação. Até que um cadáver deformado por um Pecado chegou ao necrotério. Ao tocar o corpo, o tempo ao seu redor cedeu. Os tecidos se recompuseram, os ferimentos recuaram e a cena começou a acontecer diante de meus olhos, como se o próprio mundo estivesse desfazendo os acontecimentos. Pela primeira vez, compreendi que aquilo nunca fora imaginação. Na tentativa desesperada de entender o fenômeno, acabei chamando a atenção da CAIN. A TEMERITY concluiu que eu não estava apenas reconstruindo os fatos. Eu estava interrogando o fluxo do tempo."

• Sua Semente Profana está no seu cérebro ou no seu coração?

"No cérebro. Localiza-se no lobo frontal — onde a percepção, o planejamento e a tomada de decisões parecem ter sido contaminados pela capacidade de perceber diferentes estados temporais da realidade."

• O que você esconde nas partes mais profundas de si?

"Passei a enxergar os Pecados menos como monstros e mais como evidências. Às vezes me preocupo por sentir mais curiosidade científica do que horror diante deles. Tenho medo de que, um dia, eu deixe de enxergar pessoas e passe a ver apenas casos de estudo."

• Sua mão é realmente sua mão?

"Não tenho certeza. Cada episódio de Instabilidade Temporal deixa pequenas discrepâncias que ninguém além de mim parece notar. Uma cicatriz muda de lugar. Uma impressão digital parece diferente. Às vezes observo minhas mãos por tempo demais, tentando lembrar se sempre foram exatamente assim."

• Você se lembra do rosto da sua mãe?

"Lembro... mas cada vez com menos certeza. Sei descrever seu rosto em detalhes anatômicos, porém a lembrança perdeu o calor. Às vezes me pergunto se recordo da minha mãe ou apenas da última versão dela que o fluxo do tempo permitiu que eu conservasse. Tenho medo de um dia olhar para uma fotografia e perceber que ela é uma estranha para mim."

 

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