Meu nome é Lord Edgy, herdeiro da Escuridão.
Jamais enfrentei um oponente tão poderoso... ou tão complicado... quanto o Eyespy.
Apelamos para a manobra da ESCURIDÃO só para conseguir um respiro... E então a criatura se transformou em um Beholder e nos negou a folga.
Sim.
Ela faz isso.
Ignora a nossa realidade e substitui pela própria.
Amellie está atrás de mim. Ela é mais inteligente do que eu, não me sinto ofendido em admitir isso. Mas a inteligência dela a torna uma desvantagem. Ela SABE o que a criatura poderia fazer conosco se fosse uma monstruosidade realmente séria.
Isso lhe dá um pânico existencial.
Há bênçãos em ser mais limitado.
Por exemplo: eu sei que o cone antimagia de um beholder não dispersa magia. Apenas impede que ela funcione dentro da área afetada.
Eu ainda sinto a magia Escuridão ocupando minha concentração.
Sinto a armadura Virgília Sombria pesada sobre meus ombros. Alguns dos recursos dela estão ativos mas suspensos.
Gladys não se move nem fala comigo.
Elas continuam lá. Apenas... inacessível.
— Amellie... — digo. — Quando a escuridão voltar, vou precisar de toda a sua inspiração bárdica.
— C-como assim "quando voltar"?!? — ela protesta.
— Confie em mim. — Respondo com um sorriso.
— STOP TALKING! — resmunga a criatura. Ela estava claramente incomodada pela "nova forma".
Imagino que ter um órgão inteiro brotando da cabeça deva ser inconveniente.
— Stop talking, you too! - Ele resmunga para XItarro, que estava calado, assombrado com nossa situação.
— Ei, Beholder! — provoco. — Que tal você e a Virgília Sombria brincarem de "Batatinha Frita Um, Dois, Três"?
Era um comando... Mas a criatura não percebeu.
— Chega de brincadeiras! — rosna a Eyespy, como uma criança fazendo birra. — I SPY... LAVA ... SPEAR ... OF ACID!
Algo se materializa acima dela.
Uma lança longa e verde.
Parecia sólida e líquida ao mesmo tempo.
Vapor escorria pela superfície.
Ela borbulhava.
Parecia dolorosa.
O Eyespy faz um gesto com um dos tentáculos-olho.
A lança dispara na minha direção.
Perfeita.
Mortal.
Até desaparecer no ar.
Não consigo evitar um suspiro de alívio.
— O... o que aconteceu? — pergunta Amellie.
— A conjuração é mágica. Ou, pelo menos, ele acredita que seja. — explico. — Os poderes de "Ai Espai" não funcionam dentro do cone antimagia. Nós perdemos nossos poderes. Ele perde os dele.
— N-no problem! — resmunga a criatura. — Basta eu fechar meu Big Eye... e APENAS meu Big Eye!
Mordeu a isca.
O olho central se fecha.
Imediatamente minha escuridão volta. O Eyespy perde todos os alvos.
— Agora, Amellie! — berro.
E avanço.
Do lado de fora, tudo o que o Eyespy vê é uma enorme esfera de trevas deslizando em sua direção. O Alaúde de Amellie começa a tocar... e eu sinto seus efeitos...
Sem alvos.
Sem respostas.
Sem poder declarar o que vê.
— Oh no... Stop! STOP! — ele grita.
O olho central se abre.
Minha escuridão é suspensa outra vez.
Estou lá. em armadura completa.
Parado.
Espada em punho.
Pronto para avançar.
Não digo nada desta vez, e meu silêncio é ensurdecedor.
Ele sente a pressão.
Os tentáculos se agitam nervosamente.
Parece querer conjurar alguma coisa letal, mas sabe que não funcionará.
Ele hesita.
Pensa.
Então fecha o olho novamente.
As trevas retornam. A esfera avança.
O Eyespy era absurdamente poderoso... Mas tinha a maturidade emocional de uma criança. E agora estava com medo.
Medo de verdade.
Nervoso demais para usar as ações de covil.
Nervoso demais para pensar.
A escuridão é um medo primordial mesmo para uma aberração.
Ele cogita atacar às cegas.
Cogita usar os tentáculos.
Mas a sombra continua avançando.
E ele entra em pânico.
Abre o olho central outra vez. Queria uma folga da pressão, exatamente como eu quando conjurei pela primeira vez.
A escuridão desaparece.
O movimento cessa.
Mas leva um segundo para perceber.
Não era eu dentro da armadura.
Era Virgílio.
A criatura solta um berro assustado. Virgílio era assustador: Um esqueleto de metal parado quase na cara dele.
E eu?
Saí da armadura na segunda vez que a escuridão retornou.
Amellie me deu todas as inspirações que podia, porque eu só teria uma chance. Virgílio era um corta-fogo, assim como as dragas foram no rio. Enquanto o Eyespy observava a armadura, eu corria.
Acelerando no exato momento em que a escuridão começava a desaparecer.
Salto.
Uso os ombros da Virgília Sombria para um segundo impulso.
Passo por cima da criatura.
Múltiplos olhos.
Múltiplos tentáculos.
Mas sem saber o que fazer.
Sem saber para onde olhar.
Ainda focado na armadura vazia.
Eu desço sobre ele.
— THIRSTY BLADE! SMITE EVIL! BOOMING BLADE!
Dois golpes.
Um deles carregado com tudo o que tenho.
Toda a força.
Toda a magia.
Toda a vontade.
A espada atravessa a massa aberrante com violência.
O Eyespy quica pela câmara como uma pedra arremessada sobre a água.
Xitarro despenca ao meu lado de pé. Livre. Aliviado.
A criatura voa para o outro lado da sala, deixando um rastro de sangue escuro. Rola e só para quando se choca contra a parede.
Eu senti que ela também estava suando de nervoso. Mas eu ainda estava ofegante. Dei tudo de mim naquele ataque.
Se eu errasse... se a aberração erguesse um tentáculo sequer... tudo poderia ter dado errado.
— Acabou? — perguntou Xitarro.
Observei a criatura. Sorri para responder que sim...
... Até aquelas quatro letras me trazerem o horror.
— Owie...
Um dos olhos ainda piscava.
Depois outro.
Um tentáculo se moveu.
— Ah não... — resmungou Xitarro.
— Ah sim... — respondeu o Eyespy com uma voz fraca.
Não foi o suficiente.
Eu encarei a aberração. Ela encarou de volta. Sentia dor. Sentia medo...
... Mas ainda estava lá.
Amellie finalmente se aproximou. Observou a criatura por alguns segundos.
Então sorriu.
Aquele sorriso.
O sorriso de alguém prestes a fazer algo terrível.
— Eyespy.
Todos os olhos se voltaram para ela.
— Hm?
— Sabe quem é esse aqui? - Ela apontou para mim. — Lord Edgy. Herdeiro de Lord Blunt.
A criatura piscou.
— Oh... Master Blunt!
Sim. A masmorra era de meu pai. Ele deveria conhecer.
— E você sabe o que acabou de acontecer?
— Owie?
— Pior. — Amellie cruzou os braços. — Aquilo foi o golpe mais épico da história.
O Eyespy pareceu impressionado.
— Really?
— Absolutely! — Ela arriscou o idioma dos Antigos.
— Wow...
— Na verdade... — continuou Amellie. — Acho que foi o golpe mais épico que alguém já recebeu.
A criatura ficou imóvel.
— Really?
— Sim.
Ela fez uma pausa. Então completou:
— Eyespy... você está morto.
Silêncio.
Todos os olhos piscaram ao mesmo tempo.
— Am...
Outro silêncio.
— Am I... dead?
— Como você acha que sobreviveria sendo atacado daquele jeito pelo Filho de Master Blunt? - Amellie assentiu com total convicção. — Completamente morto.
— Oh...
Os tentáculos se pensuraram pesadamente.
— That's unfortunate...
A carne começou a murchar. Os olhos afundaram nas órbitas. Os tentáculos secaram.
Em poucos segundos, havia apenas um esqueleto torto no chão da caverna.
Ele tombou de lado.
Clac.
Silêncio.
Então:
— Being dead is boring...
— ELE ESTÁ FALA...! — Xitarro arregalou os olhos.
— Shhhhh! — Amellie sussurrou imediatamente.
— Mas ele...
— Shhhhh!
— Ele literalmente...
— Xitarro. — Amellie apontou um dedo para ele. — Se ele acha que morreu, então morreu! Se você discordar disso perto dele, ele vai voltar.
O monge fechou a boca na mesma hora.
O esqueleto suspirou.
— I miss having organs...
— Não estou ouvindo nada. — respondeu Amellie. — Pena que um monstro desses não tem loot...
— Treasure cave? A mile down the hallway. — respondeu o Eyespy. Um dos tentáculos de ossos apontou a saída da câmera pouco atrás dele.
— Ele acabou de...
— Nada. — Amellie me repreendeu.
Olhei para o esqueleto
Ele parecia...
Triste.
- [Como você está, Escudeiro? Agora que se expôs ao Olho da Aberração?] - Gladys começa a conversar de novo... Parecia entusiasmada com algo que eu fiz?
— Vocês... Vocês têm certeza que isso conta como vitória? — perguntei receoso.
— Bentho. — Amellie suspirou.
— O quê?
— Nós não vamos adotar a aberração cósmica.
— Eu não vou adotar a aberração cósmica. - concordo.
O esqueleto virou um pouco a cabeça. Suspirei.



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