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8 de junho de 2026

EDGELORD - Cap. V - Arco da Montanha Morta

 Meu nome é Lord Edgy, herdeiro da Escuridão.

Jamais enfrentei um oponente tão poderoso... ou tão complicado... quanto o Eyespy.

Apelamos para a manobra da ESCURIDÃO só para conseguir um respiro... E então a criatura se transformou em um Beholder e nos negou a folga.

Sim.

Ela faz isso.

Ignora a nossa realidade e substitui pela própria.

Amellie está atrás de mim. Ela é mais inteligente do que eu, não me sinto ofendido em admitir isso. Mas a inteligência dela a torna uma desvantagem. Ela SABE o que a criatura poderia fazer conosco se fosse uma monstruosidade realmente séria.

Isso lhe dá um pânico existencial.

Há bênçãos em ser mais limitado.

Por exemplo: eu sei que o cone antimagia de um beholder não dispersa magia. Apenas impede que ela funcione dentro da área afetada.

Eu ainda sinto a magia Escuridão ocupando minha concentração.

Sinto a armadura Virgília Sombria pesada sobre meus ombros. Alguns dos recursos dela estão ativos mas suspensos.

Gladys não se move nem fala comigo.

Elas continuam lá. Apenas... inacessível.

— Amellie... — digo. — Quando a escuridão voltar, vou precisar de toda a sua inspiração bárdica.

— C-como assim "quando voltar"?!? — ela protesta.

— Confie em mim. — Respondo com um sorriso.


— STOP TALKING! — resmunga a criatura. Ela estava claramente incomodada pela "nova forma".

Imagino que ter um órgão inteiro brotando da cabeça deva ser inconveniente.

— Stop talking, you too! - Ele resmunga para XItarro, que estava calado, assombrado com nossa situação.

— Ei, Beholder! — provoco. — Que tal você e a Virgília Sombria brincarem de "Batatinha Frita Um, Dois, Três"?

Era um comando... Mas a criatura não percebeu.

— Chega de brincadeiras! — rosna a Eyespy, como uma criança fazendo birra. — I SPY... LAVA ... SPEAR ... OF ACID!

Algo se materializa acima dela.

Uma lança longa e verde.

Parecia sólida e líquida ao mesmo tempo.

Vapor escorria pela superfície.

Ela borbulhava.

Parecia dolorosa.

O Eyespy faz um gesto com um dos tentáculos-olho.

A lança dispara na minha direção.

Perfeita.

Mortal.

Até desaparecer no ar.

Não consigo evitar um suspiro de alívio.

— O... o que aconteceu? — pergunta Amellie.

— A conjuração é mágica. Ou, pelo menos, ele acredita que seja. — explico. — Os poderes de "Ai Espai" não funcionam dentro do cone antimagia. Nós perdemos nossos poderes. Ele perde os dele.

N-no problem! — resmunga a criatura. — Basta eu fechar meu Big Eye... e APENAS meu Big Eye!


Mordeu a isca.


O olho central se fecha.


Imediatamente minha escuridão volta. O Eyespy perde todos os alvos.

— Agora, Amellie! — berro.

E avanço.

Do lado de fora, tudo o que o Eyespy vê é uma enorme esfera de trevas deslizando em sua direção. O Alaúde de Amellie começa a tocar... e eu sinto seus efeitos...

Sem alvos.

Sem respostas.

Sem poder declarar o que vê.

Oh no... Stop! STOP! — ele grita.

O olho central se abre.

Minha escuridão é suspensa outra vez.

Estou lá. em armadura completa.

Parado.

Espada em punho.

Pronto para avançar.

Não digo nada desta vez, e meu silêncio é ensurdecedor.

Ele sente a pressão.

Os tentáculos se agitam nervosamente.

Parece querer conjurar alguma coisa letal, mas sabe que não funcionará.

Ele hesita.

Pensa.

Então fecha o olho novamente.

As trevas retornam. A esfera avança.

O Eyespy era absurdamente poderoso... Mas tinha a maturidade emocional de uma criança. E agora estava com medo.

Medo de verdade.

Nervoso demais para usar as ações de covil.

Nervoso demais para pensar.

A escuridão é um medo primordial mesmo para uma aberração.

Ele cogita atacar às cegas.

Cogita usar os tentáculos.

Mas a sombra continua avançando.

E ele entra em pânico.

Abre o olho central outra vez. Queria uma folga da pressão, exatamente como eu quando conjurei pela primeira vez.

A escuridão desaparece.

O movimento cessa.

Mas leva um segundo para perceber.

Não era eu dentro da armadura.

Era Virgílio.

A criatura solta um berro assustado. Virgílio era assustador: Um esqueleto de metal parado quase na cara dele.

E eu?

Saí da armadura na segunda vez que a escuridão retornou.

Amellie me deu todas as inspirações que podia, porque eu só teria uma chance. Virgílio era um corta-fogo, assim como as dragas foram no rio. Enquanto o Eyespy observava a armadura, eu corria.

Acelerando no exato momento em que a escuridão começava a desaparecer.

Salto.

Uso os ombros da Virgília Sombria para um segundo impulso.

Passo por cima da criatura.

Múltiplos olhos.

Múltiplos tentáculos.

Mas sem saber o que fazer.

Sem saber para onde olhar.

Ainda focado na armadura vazia.

Eu desço sobre ele.

— THIRSTY BLADE! SMITE EVIL! BOOMING BLADE!

Dois golpes.

Um deles carregado com tudo o que tenho.

Toda a força.

Toda a magia.

Toda a vontade.

A espada atravessa a massa aberrante com violência.

O Eyespy quica pela câmara como uma pedra arremessada sobre a água.

Xitarro despenca ao meu lado de pé. Livre. Aliviado.

A criatura voa para o outro lado da sala, deixando um rastro de sangue escuro. Rola e só para quando se choca contra a parede.


— Brilhante, Bentho! — Amellie correu e me abraçou por trás, os braços em volta do meu pescoço.

Eu senti que ela também estava suando de nervoso. Mas eu ainda estava ofegante. Dei tudo de mim naquele ataque.

Se eu errasse... se a aberração erguesse um tentáculo sequer... tudo poderia ter dado errado.

— Acabou? — perguntou Xitarro.

Observei a criatura. Sorri para responder que sim...

... Até aquelas quatro letras me trazerem o horror.

— Owie...

Um dos olhos ainda piscava.

Depois outro.

Um tentáculo se moveu.

— Ah não... — resmungou Xitarro.

— Ah sim... — respondeu o Eyespy com uma voz fraca.

Não foi o suficiente.

Eu encarei a aberração. Ela encarou de volta. Sentia dor. Sentia medo...

... Mas ainda estava lá.

Amellie finalmente se aproximou. Observou a criatura por alguns segundos.

Então sorriu.

Aquele sorriso.

O sorriso de alguém prestes a fazer algo terrível.

— Eyespy.

Todos os olhos se voltaram para ela.

— Hm?

— Sabe quem é esse aqui? - Ela apontou para mim. — Lord Edgy. Herdeiro de Lord Blunt.

A criatura piscou.

— Oh... Master Blunt!

Sim. A masmorra era de meu pai. Ele deveria conhecer.

— E você sabe o que acabou de acontecer?

— Owie?

— Pior. — Amellie cruzou os braços. — Aquilo foi o golpe mais épico da história.

O Eyespy pareceu impressionado.

— Really?

— Absolutely! — Ela arriscou o idioma dos Antigos.

— Wow...

— Na verdade... — continuou Amellie. — Acho que foi o golpe mais épico que alguém já recebeu.

A criatura ficou imóvel.

— Really?

— Sim.

Ela fez uma pausa. Então completou:

— Eyespy... você está morto.

Silêncio.

Todos os olhos piscaram ao mesmo tempo.

— Am...

Outro silêncio.

— Am I... dead?

— Como você acha que sobreviveria sendo atacado daquele jeito pelo Filho de Master Blunt? - Amellie assentiu com total convicção. — Completamente morto.

— Oh...

Os tentáculos se pensuraram pesadamente.

— That's unfortunate...

A carne começou a murchar. Os olhos afundaram nas órbitas. Os tentáculos secaram.

Em poucos segundos, havia apenas um esqueleto torto no chão da caverna.

Ele tombou de lado.

Clac.

Silêncio.

Então:

— Being dead is boring...

— ELE ESTÁ FALA...! — Xitarro arregalou os olhos.

— Shhhhh! — Amellie sussurrou imediatamente.

— Mas ele...

— Shhhhh!

— Ele literalmente...

— Xitarro. — Amellie apontou um dedo para ele. — Se ele acha que morreu, então morreu! Se você discordar disso perto dele, ele vai voltar.

O monge fechou a boca na mesma hora.

O esqueleto suspirou.

— I miss having organs...

— Não estou ouvindo nada. — respondeu Amellie. — Pena que um monstro desses não tem loot...

— Treasure cave? A mile down the hallway. — respondeu o Eyespy. Um dos tentáculos de ossos apontou a saída da câmera pouco atrás dele.

— Ele acabou de...

— Nada. — Amellie me repreendeu.

Olhei para o esqueleto

Ele parecia...

Triste.

- [Como você está, Escudeiro? Agora que se expôs ao Olho da Aberração?] - Gladys começa a conversar de novo... Parecia entusiasmada com algo que eu fiz?

— Vocês... Vocês têm certeza que isso conta como vitória? — perguntei receoso.

— Bentho. — Amellie suspirou.

— O quê?

— Nós não vamos adotar a aberração cósmica.

— Eu não vou adotar a aberração cósmica. - concordo.

O esqueleto virou um pouco a cabeça. Suspirei.



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