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14 de setembro de 2016

Livro do Hardman: Quem é Robson?

Hola, leitores e confidentes...

... honestamente: só deve ter a mim.

Com minha decisão de mudar o foco dos Antiquons (alguns capítulos prontos foram para o lixo), consegui fazer a linha do tempo acima... E ficou dentro de minha estimativa de eventos e encaixou perfeitamente com a estrutura literária de um livro...

... Mas só andou um pouquinho além do Império Styrg. Ainda viriam os três primeiros impérios antigos, a história anã e tantas coisas... Percebi que escrever sobre um ser que estava na gênese da humanidade e acompanhou por três grandes eras não era fácil.

Tenho material para mais coisas... mas perder o evento que encerra esse arco seria um freio de mão emocional.

Por isso decidi dividir o Livro.

O primeiro, título provisório "FIM DO INVERNO", mostra o começo da civilização humana e culmina com... bem, o que quer que ocorra no fim. Para Nod, será a relação dele com Euburot, o Dragão, e o que levou ele a ser a criatura que conhecemos.

O Segundo focaria nos Reinos Antigos. Terei de estudar os RCs clássicos para encaixar as consequências do Apogeu de Nod, Hadji, e etc.

O Terceiro e mais controverso trataria da Guerra da Magia. Verei em que pé estamos (dentre os trinta RCs contraditórios do Dead). Serei mais flexível. Mesmo o Senhor do Sangue e ódio entende que se tem um babaca querendo anarquia na Eternidade e não é o próprio Nod, sua agenda deve mudar.

Enfim... o Último Império. Nod e os seus conselheiros já estabelecidos jogam com o Império Áureo, com breves crossovers com O Demônio Interior (talvez... apenas Talvez... os Cruzados) e vai algumas décadas no futuro, com o fim do Império e o derradeiro destino do Deus dos vampiros.

12 de setembro de 2016

[Meliny] [Conto] Paradoxo


E acabou.

“A Guerra”.

Houveram outras. Grandiosas. Gloriosas. Sangrentas, mas aquela era a derradeira Guerra.

Deuses, demônios, elementais, a própria existência enfrentando seres com conceito tão abstratos que eu não consigo sequer encontrar palavras para descrever.

A Barreira caiu. Eternidade e Esquecimento se chocaram, não como oponentes em combate, mas como dois cometas em colisão. E o mundo, entre os dois, foi esmagado.

“Vencemos”? O Inimigo foi derrotado, mas ao custo de quase tudo o que foi vivo outrora. E vou além de corpos físicos, espíritos.
Dos mortais, só sobraram três. Minha filha, seu esposo… e eu.
Quanto tempo até a própria atmosfera voar? E a entropia nos dissolver? Não sei. Talvez morramos de fome antes. Talvez da loucura. Talvez tiremos nossas próprias vidas.
Tudo por minha culpa.
Perdi minha esposa, meus filhos, minha raça. Todas as raças. Não foram deuses, não foram reis. Não foram magos. Fui eu.
Minha filha, há algumas dezenas de metros, consola seu esposo ferido. Eu não consigo estar na presença dela sabendo que fui eu quem fiz tudo isso. Minhas decisões. Não importa que ela dissesse que foi uma conclusão inevitável.. Que glorioso general eu fui. Que mago impressionante. Que rei. Que pretenso deus. Permiti que o fim acontecesse.

Culpava minha breve existência, como se eu tivesse mais tempo eu tivesse um resultado melhor que seja.


Caio de joelhos.



E se fosse outro? – Ouso pensar. – Se seguissem um melhor homem, capaz de tomar as decisões que eu não tomei? Qualquer que fosse. Será que mesmo se perdêssemos para o inimigo seria um destino tão pior que a não-existência? Que o fim de tudo?


Ao menos, talvez, minha esposa estivesse viva. Dane-se os universos, os velhos deuses. Dane-se a guerra. O nome dela – nome que não recordo enquanto escrevo isto – valia mais do que a vitória, a coroa, o poder.



Ainda havia um meio.



Se eu nunca tivesse existido.



E havia alguém… Algo… Que nunca deveria ter existido. E não havia mais barreiras para ele.
– Ink…- Falo só a primeira sílaba. Dizer seu nome inteiro num domínio que ele governa é ser lançado ao esquecimento. Tudo o que você fez deixará de existir.



Inkarna



Não haviam mais domínios. A Barreira caiu. Este bolsão em que os três últimos mortais aguardam o fim era tudo o que existia agora… era óbvio que ele estaria lá.
Ele não tem forma, mas sei que ele estava presente. Era como uma sombra de calor deformando a paisagem imediatamente à minha frente. Ele, que outrora era senhor de infinitos universos, limitava-se a uma esfera, pouco maior que meu castelo quando no auge. Ele está na minha presença.
Eu não consigo continuar. Mas tal qual uma besta treinada, ele estava lá. Esperando que eu falasse por ele.
Eu ainda tinha medo... Como é a natureza dos mortais, não? Era o fim da minha fé e de meu mundo, e minha mortalidade ainda pesava.



– Então você ouve, não é? – Eu delirava. Decidi conversar com o próprio esquecimento. – Você quer essa última vitória? Um último mortal e entregando a você?
Não percebo reação. Ele apenas aguarda. Eu caminho hesitante até ele… Estava tão próximo que a deturpação ocupava todo meu campo visual.
– Acho que você não tem culpa…. Nem disso. – Falo enfim. Tinha uma rizada débil entre minhas palavras. – Você nem mesmo pediu para existir. Você é uma força da natureza, não é? Culpá-lo seria como praguejar e amaldiçoar as flechas ou o fogo que atiram em nós…
Aproximo minha mão. Quase toco-o… Mas minha covardia me faz recuar no último instante.
– Você sequer entende o que estou falando? – Urro enfim ante a inércia de meu julgador. A loucura se tornava raiva. De certa forma, um progresso. – Eu falei com o último dos deuses. Eu pude presenciar a distância deles para nós mortais, e o que eu seria então para VOCÊ?!? Como funciona seus sentidos, sua consciência? Você é sequer parecido com isso e eu sou ainda mais insignificante? E mesmo assim você me OUVE?!?



Nada. Eu invejo isso. A capacidade de não sentir. Simplesmente “Ser”... “Estar”...



– Você foi infinito genuinamente. – continuo. – Precisaria de centenas de panteões para governar seu domínio. E você estava lá quando começou. Quando era o Uno. Você é tão maior do que nós…



E naquele momento tive a epifania.



– Não, você não é.



Inkarna era, para as crianças a quem explicávamos os dois entes supremos conhecidos, um terreno onde deuses e demônios “cultivavam” seus domínios. Era uma aproximação infantil para mentes não prontas para compreender o multiverso e as existências. Mas e se não fosse?
O Esquecimento foi usado como arma pelos Deuses para encerrar os imortais caídos – tanto seus inimigos imortais derrotados como seus irmãos imortais destruídos.
Inkarna foi a fonte de poder que gerou o abismo.
Foi o solo sobre o qual diabos e demônios ergueram o inferno.
Era de onde divindades malignas clamavam por retribuição a paladinos. Era onde se bebiam almas sacrificadas. Era o último trono de Valen, de Zar, de Nod, de Theris, de Gyhthon. De tantos antes e de tantos depois.
Ele era o definitivo recurso do inimigo. Ele causou o fim de tudo.
Mas ele era como o fogo. Tantos o usaram para imolar os inimigos que achavam que era sua corrupção quem guiavam seus atos, não o contrário. Agora, eu olhava aquela força da natureza, que dava luz a divindades aberrantes e destruía universos por capricho… e vejo nada. Nem a consciência de um animal. Era poder bruto GUIÁVEL. E só aguardava que eu clamasse seu nome. Gritasse “Inkarna”.



Eu deixaria de existir para todo o sempre.



Meus erros passados. Cada decisão – acertada e errada – seria desfeita.
História se reescreveria.



E minha esposa não teria o triste destino de ter me conhecido.



Era a mais covarde das saídas. Não era céu nem inferno, nem o fim de agora em diante… Era a não-existência desde a gênese.



Mas tantos o usaram, esse poder obtuso de formas tão terríveis e grandiosas… Essa forma abstrata, conceitual e despersonalizada…

Por que não eu?

Por que não uma última vez?

Eu não berraria por Inkarna. Eu faria Inkarna berrar o próprio nome.
Levaria tudo comigo.
Eu o sinto reagindo quando eu o agarro com as mãos. Eu sentia pelo tato como se segurasse as peles de um animal imenso e obeso. Ele protesta… Ou pensa que assim o faz. Ele esmagou todos os universos, mas agora parecia à mercê daquele par de mãos mortais débeis e desesperadas. Ele, que concentrava o que não deveria existir. Ele, que era múltiplos infinitos, era escravo de sua própria natureza. Tinha o poder, mas não a vontade.
E enfim falamos juntos. O nome.
Inkarna.
——————————
Sabem o que é o Paradoxo?
É quando uma condição de existir é a contradição de si mesma.
Não, o Esquecimento não deixou de existir. Ainda bem. Ele era um dos dois fundamentos de tudo o que existiu, e vai existir. Imagine não poder esquecer nada que se aprende, e não corrigir conceitos equivocados do passado... Ou não poder ... Perdoar.
Cogito isso enquanto costuro minha túnica. Eu não sou o esquecimento. Eu poderia ser apagado. Mas por paradoxo, apenas me desassociei de tudo. E assim, tudo o que faço precisa de labor para ser e estar. A linha ao contatar minha túnica se torna parte de mim. Ela não mais pode interagir sequer com a luz, então ela a reflete em sua forma mais pura e branca.
Estou me vestindo pela primeira e última vez. Na sacada de minha torre.
Olho para o céu. Sargan e Lantaris estão a segundos de se chocar em guerra. Os demais deuses buscam a seu modo resguardar uma fração de sua criação – quase a totalidade da vida está prestes a perecer – para quando o inverno passar. Aquele seria o pior evento a ocorrer no Plano de Meliny em dois bilhoes de anos… Mas é um mero e efêmero fenômeno para mim que vi o fim de tudo.  Já vejo as sociedades se reerguerem, e caírem, e se reerguerem mais algumas vezes.
Penso em ver o começo. Conhecer o Uno nas frações de segundo que ele existiu. Mas … de uma forma… acho que estou lá. Vendo-o. Ele é tudo. É impressionante… e está morto agora. Acho que ainda vou lá…. Ou já fui. Tanto faz. O Conhecimento que tenho não é linear.
Eu não existo mais no mesmo tempo em que vocês. Inkarna me atendeu. Mas isso só quer dizer que eu não deveria existir… Tal qual ele próprio. Mas eu não sou uma força primal. Eu tenho uma consciência.
E tenho a história. O conhecimento.
Moldo tempo.
Tenho uma segunda chance…. Tenho tantas chances quantas eu deveria ter.
Aquele futuro de desespero e entropia não existe mais. Não se eu não quiser… E eu não o quero.
Terei de posicionar as peças com antecedência. Eu sei o que vai acontecer. Posso revisitar a história. Manipular heróis. Cidades. Reinos. Deuses. A Eternidade e o Esquecimento, se necessário. Tenho tudo o que já foi e o que será à minha disposição… exceto o rei mago que eu fui nos últimos dias do universo. Este nunca existiu.



Eu sou Cronus.