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26 de setembro de 2017

Meus arquivos de Meliny

A quem possa interessar...

1 de junho de 2017

O Perverso Narrador



Eu narrei pelo MIRC em algum momento dos anos 90 uma partida de RPG que era crueldade, mas servia para demonstrar o quão fraco é o roleplay dos jogadores médios, afinal eu era "o fodão" que sabia de tudo, certo?... Mas mesmo para meus padrões eu me surpreendi.

Lembro que estavam numa sala e pediram alguém para narrar. Queriam jogar "Caçadores de Vampiros" para 3d&t. Basicamente, seres com poderes por motivo de "razões" que iam atrás de Vampiros, seguindo o suplemento da White Wolf. Entranhei terem pedido o 3d&t, logo, deduzi que eles pensavam apenas na parte violenta do jogo, perdendo totalmente o foco do “Terror pessoal” e da “Narrativa”.

Então, rascunhei uma ideia em mente e a apliquei para ver até onde eles iam.

- Vocês são caçadores de vampiros, certo? Odeiam vampiros porque mataram algum parente, ou destruíram uma cidade... (coisa bem "Máscara" destruir uma cidade). Então, um ANCIÃO VAMPIRO do Clã Ventrue liga para cada um de vocês com uma dica, para acabar com o "mais maligno dos vampiros" que traficava drogas e pessoas. Dá um endereço e recomenda ir à noite e atacar os asseclas deles com o máximo de violência, pois eles são perigosíssimos!

Eles nem questionaram o fato de estarem fazendo o serviço para um vampiro. Simplesmente foram lá.

Chegando no endereço do alvo, um bairro pobre, mas com grandes obras no quarteirão, exceto por uma casa pobre. Um único homem estava na porta, armado de uma ripa de madeira com prego.
- Eu fico invisível e me aproximo dele e guardo minha ação. - Anuncia um
- Eu vou lançar minha nuvem de veneno à distância. - Diz o outro.
- Assim que for atingido, uso minha supervelocidade (teleporte) e ataco-o primeiro. - Fala um terceiro

E assim vai. Todos descrevendo ações devastadoras contra o homem maltrapilho com uma ripa de madeira com pregos. Era um ataque surpresa, então só lanço os ataques dos caçadores... Todos acertaram. Somo os danos e informo que antes ele agir em seu turno, o maltrapilho estava morto e estraçalhado no chão. Alguns fizeram questão de se certificar que ele estava morto, para não aparecer de surpresa no futuro.

Deixando o indigente onde estava, eles arrombam a porta. Anuncio o cheiro de comida azeda que permeia o ambiente - um sala-cozinha, com um único cômodo afastado mas com a porta fechada. A luz não acendia. Um deles, com seus sentidos especiais que só o 3d&t podem conferir detectam duas outras pessoas no ambiente, embaixo da mesa coberta com uma toalha esburacada, um deles era anormalmente menor que um ser humano adulto.

Desta vez o grupo prefere circular a mesa. Todos a postos, eles jogam longe com toalha e tudo... e vêem uma mulher e uma menina, abraçadas em pânico.

No meio das ameaças vociferadas, a mulher diz: - Vocês são da empresa, né? A empresa que veio nos despejar e roubar a casa?

Cai a ficha ao grupo. O empresário Ventrue queria construir um shopping, mas para isso precisaria comprar todas as casas do quarteirão. Aquela família se recusou. Mesmo com a luz e água cortada, e provavelmente alguns capangas enviados para assusta-los, eles permaneceram... Até o grupo chegar.

- Pera lá... ainda dá para salvar o cara? - Pergunta em off um jogador.

- Ele era um humano comum de 3d&t. Tinha um ponto de vida apenas. - Informo friamente. - vocês causaram... deixa eu ver ... 30 de dano, e ainda o envenenaram.

- Pera lá... pera lá... - fala um extraordinariamente. - Ainda dá para salvá-lo ... Se um VAMPIRO depositar seu sangue no cadáver, ele vira um vampiro e volta à vida!

Vamos ignorar essa regra absurda... Apenas para lembrar... Que este grupo deveria ser de CAÇADORES de vampiros, não criadores.

- Eu tenho contatos. - Fala outro (detalhe: Não tinha. Gastaram tudo em combate). – Posso encontrar um vampiro que queira fazer isso. A gente paga!

Entre uma e outra barbaridade que os moleques falavam, eu fazia a filhinha perguntar apavorada: "Onde está o papai?"

Eu imaginei que os jovens iriam fazer isso... Prejudicar a família na ânsia de cumprir a missão. E que daí se tornaria uma missão de vingança contra o Ventrue, que obviamente filmou o ataque dos caçadores e apresentou á polícia, e os "heróis" teriam de combater as autoridades antes de chegar ao vilão... Mas acho que peguei pesado demais. O grupo estava tão triste com o que tinham feito, e parou a parida com pouco mais de meia hora de jogo.

Eu fiz "aventuras de vingancinhas" antes, mas desta, eu me sinto um pouco culpado. O pessoal estava mal mesmo. Queriam uma aventurinha hack-'n-Slash via internet no final dos anos 90 e eu dei a eles um gosto de crueldade madura. Era via MIRC, só posso supor a idade deles. Eu mesmo devia ter 17 anos. Tinha esse "ideal purista" quanto à "A Máscara" e buscava pregar ... Mas a mão pode ter sido mais pesada do que era necessário.

Ainda acho divertido o evento, mas me sinto culpado mesmo assim.

14 de setembro de 2016

Livro do Hardman: Quem é Robson?

Hola, leitores e confidentes...

... honestamente: só deve ter a mim.

Com minha decisão de mudar o foco dos Antiquons (alguns capítulos prontos foram para o lixo), consegui fazer a linha do tempo acima... E ficou dentro de minha estimativa de eventos e encaixou perfeitamente com a estrutura literária de um livro...

... Mas só andou um pouquinho além do Império Styrg. Ainda viriam os três primeiros impérios antigos, a história anã e tantas coisas... Percebi que escrever sobre um ser que estava na gênese da humanidade e acompanhou por três grandes eras não era fácil.

Tenho material para mais coisas... mas perder o evento que encerra esse arco seria um freio de mão emocional.

Por isso decidi dividir o Livro.

O primeiro, título provisório "FIM DO INVERNO", mostra o começo da civilização humana e culmina com... bem, o que quer que ocorra no fim. Para Nod, será a relação dele com Euburot, o Dragão, e o que levou ele a ser a criatura que conhecemos.

O Segundo focaria nos Reinos Antigos. Terei de estudar os RCs clássicos para encaixar as consequências do Apogeu de Nod, Hadji, e etc.

O Terceiro e mais controverso trataria da Guerra da Magia. Verei em que pé estamos (dentre os trinta RCs contraditórios do Dead). Serei mais flexível. Mesmo o Senhor do Sangue e ódio entende que se tem um babaca querendo anarquia na Eternidade e não é o próprio Nod, sua agenda deve mudar.

Enfim... o Último Império. Nod e os seus conselheiros já estabelecidos jogam com o Império Áureo, com breves crossovers com O Demônio Interior (talvez... apenas Talvez... os Cruzados) e vai algumas décadas no futuro, com o fim do Império e o derradeiro destino do Deus dos vampiros.

12 de setembro de 2016

[Meliny] [Conto] Paradoxo


E acabou.

“A Guerra”.

Houveram outras. Grandiosas. Gloriosas. Sangrentas, mas aquela era a derradeira Guerra.

Deuses, demônios, elementais, a própria existência enfrentando seres com conceito tão abstratos que eu não consigo sequer encontrar palavras para descrever.

A Barreira caiu. Eternidade e Esquecimento se chocaram, não como oponentes em combate, mas como dois cometas em colisão. E o mundo, entre os dois, foi esmagado.

“Vencemos”? O Inimigo foi derrotado, mas ao custo de quase tudo o que foi vivo outrora. E vou além de corpos físicos, espíritos.
Dos mortais, só sobraram três. Minha filha, seu esposo… e eu.
Quanto tempo até a própria atmosfera voar? E a entropia nos dissolver? Não sei. Talvez morramos de fome antes. Talvez da loucura. Talvez tiremos nossas próprias vidas.
Tudo por minha culpa.
Perdi minha esposa, meus filhos, minha raça. Todas as raças. Não foram deuses, não foram reis. Não foram magos. Fui eu.
Minha filha, há algumas dezenas de metros, consola seu esposo ferido. Eu não consigo estar na presença dela sabendo que fui eu quem fiz tudo isso. Minhas decisões. Não importa que ela dissesse que foi uma conclusão inevitável.. Que glorioso general eu fui. Que mago impressionante. Que rei. Que pretenso deus. Permiti que o fim acontecesse.

Culpava minha breve existência, como se eu tivesse mais tempo eu tivesse um resultado melhor que seja.


Caio de joelhos.



E se fosse outro? – Ouso pensar. – Se seguissem um melhor homem, capaz de tomar as decisões que eu não tomei? Qualquer que fosse. Será que mesmo se perdêssemos para o inimigo seria um destino tão pior que a não-existência? Que o fim de tudo?


Ao menos, talvez, minha esposa estivesse viva. Dane-se os universos, os velhos deuses. Dane-se a guerra. O nome dela – nome que não recordo enquanto escrevo isto – valia mais do que a vitória, a coroa, o poder.



Ainda havia um meio.



Se eu nunca tivesse existido.



E havia alguém… Algo… Que nunca deveria ter existido. E não havia mais barreiras para ele.
– Ink…- Falo só a primeira sílaba. Dizer seu nome inteiro num domínio que ele governa é ser lançado ao esquecimento. Tudo o que você fez deixará de existir.



Inkarna



Não haviam mais domínios. A Barreira caiu. Este bolsão em que os três últimos mortais aguardam o fim era tudo o que existia agora… era óbvio que ele estaria lá.
Ele não tem forma, mas sei que ele estava presente. Era como uma sombra de calor deformando a paisagem imediatamente à minha frente. Ele, que outrora era senhor de infinitos universos, limitava-se a uma esfera, pouco maior que meu castelo quando no auge. Ele está na minha presença.
Eu não consigo continuar. Mas tal qual uma besta treinada, ele estava lá. Esperando que eu falasse por ele.
Eu ainda tinha medo... Como é a natureza dos mortais, não? Era o fim da minha fé e de meu mundo, e minha mortalidade ainda pesava.



– Então você ouve, não é? – Eu delirava. Decidi conversar com o próprio esquecimento. – Você quer essa última vitória? Um último mortal e entregando a você?
Não percebo reação. Ele apenas aguarda. Eu caminho hesitante até ele… Estava tão próximo que a deturpação ocupava todo meu campo visual.
– Acho que você não tem culpa…. Nem disso. – Falo enfim. Tinha uma rizada débil entre minhas palavras. – Você nem mesmo pediu para existir. Você é uma força da natureza, não é? Culpá-lo seria como praguejar e amaldiçoar as flechas ou o fogo que atiram em nós…
Aproximo minha mão. Quase toco-o… Mas minha covardia me faz recuar no último instante.
– Você sequer entende o que estou falando? – Urro enfim ante a inércia de meu julgador. A loucura se tornava raiva. De certa forma, um progresso. – Eu falei com o último dos deuses. Eu pude presenciar a distância deles para nós mortais, e o que eu seria então para VOCÊ?!? Como funciona seus sentidos, sua consciência? Você é sequer parecido com isso e eu sou ainda mais insignificante? E mesmo assim você me OUVE?!?



Nada. Eu invejo isso. A capacidade de não sentir. Simplesmente “Ser”... “Estar”...



– Você foi infinito genuinamente. – continuo. – Precisaria de centenas de panteões para governar seu domínio. E você estava lá quando começou. Quando era o Uno. Você é tão maior do que nós…



E naquele momento tive a epifania.



– Não, você não é.



Inkarna era, para as crianças a quem explicávamos os dois entes supremos conhecidos, um terreno onde deuses e demônios “cultivavam” seus domínios. Era uma aproximação infantil para mentes não prontas para compreender o multiverso e as existências. Mas e se não fosse?
O Esquecimento foi usado como arma pelos Deuses para encerrar os imortais caídos – tanto seus inimigos imortais derrotados como seus irmãos imortais destruídos.
Inkarna foi a fonte de poder que gerou o abismo.
Foi o solo sobre o qual diabos e demônios ergueram o inferno.
Era de onde divindades malignas clamavam por retribuição a paladinos. Era onde se bebiam almas sacrificadas. Era o último trono de Valen, de Zar, de Nod, de Theris, de Gyhthon. De tantos antes e de tantos depois.
Ele era o definitivo recurso do inimigo. Ele causou o fim de tudo.
Mas ele era como o fogo. Tantos o usaram para imolar os inimigos que achavam que era sua corrupção quem guiavam seus atos, não o contrário. Agora, eu olhava aquela força da natureza, que dava luz a divindades aberrantes e destruía universos por capricho… e vejo nada. Nem a consciência de um animal. Era poder bruto GUIÁVEL. E só aguardava que eu clamasse seu nome. Gritasse “Inkarna”.



Eu deixaria de existir para todo o sempre.



Meus erros passados. Cada decisão – acertada e errada – seria desfeita.
História se reescreveria.



E minha esposa não teria o triste destino de ter me conhecido.



Era a mais covarde das saídas. Não era céu nem inferno, nem o fim de agora em diante… Era a não-existência desde a gênese.



Mas tantos o usaram, esse poder obtuso de formas tão terríveis e grandiosas… Essa forma abstrata, conceitual e despersonalizada…

Por que não eu?

Por que não uma última vez?

Eu não berraria por Inkarna. Eu faria Inkarna berrar o próprio nome.
Levaria tudo comigo.
Eu o sinto reagindo quando eu o agarro com as mãos. Eu sentia pelo tato como se segurasse as peles de um animal imenso e obeso. Ele protesta… Ou pensa que assim o faz. Ele esmagou todos os universos, mas agora parecia à mercê daquele par de mãos mortais débeis e desesperadas. Ele, que concentrava o que não deveria existir. Ele, que era múltiplos infinitos, era escravo de sua própria natureza. Tinha o poder, mas não a vontade.
E enfim falamos juntos. O nome.
Inkarna.
——————————
Sabem o que é o Paradoxo?
É quando uma condição de existir é a contradição de si mesma.
Não, o Esquecimento não deixou de existir. Ainda bem. Ele era um dos dois fundamentos de tudo o que existiu, e vai existir. Imagine não poder esquecer nada que se aprende, e não corrigir conceitos equivocados do passado... Ou não poder ... Perdoar.
Cogito isso enquanto costuro minha túnica. Eu não sou o esquecimento. Eu poderia ser apagado. Mas por paradoxo, apenas me desassociei de tudo. E assim, tudo o que faço precisa de labor para ser e estar. A linha ao contatar minha túnica se torna parte de mim. Ela não mais pode interagir sequer com a luz, então ela a reflete em sua forma mais pura e branca.
Estou me vestindo pela primeira e última vez. Na sacada de minha torre.
Olho para o céu. Sargan e Lantaris estão a segundos de se chocar em guerra. Os demais deuses buscam a seu modo resguardar uma fração de sua criação – quase a totalidade da vida está prestes a perecer – para quando o inverno passar. Aquele seria o pior evento a ocorrer no Plano de Meliny em dois bilhoes de anos… Mas é um mero e efêmero fenômeno para mim que vi o fim de tudo.  Já vejo as sociedades se reerguerem, e caírem, e se reerguerem mais algumas vezes.
Penso em ver o começo. Conhecer o Uno nas frações de segundo que ele existiu. Mas … de uma forma… acho que estou lá. Vendo-o. Ele é tudo. É impressionante… e está morto agora. Acho que ainda vou lá…. Ou já fui. Tanto faz. O Conhecimento que tenho não é linear.
Eu não existo mais no mesmo tempo em que vocês. Inkarna me atendeu. Mas isso só quer dizer que eu não deveria existir… Tal qual ele próprio. Mas eu não sou uma força primal. Eu tenho uma consciência.
E tenho a história. O conhecimento.
Moldo tempo.
Tenho uma segunda chance…. Tenho tantas chances quantas eu deveria ter.
Aquele futuro de desespero e entropia não existe mais. Não se eu não quiser… E eu não o quero.
Terei de posicionar as peças com antecedência. Eu sei o que vai acontecer. Posso revisitar a história. Manipular heróis. Cidades. Reinos. Deuses. A Eternidade e o Esquecimento, se necessário. Tenho tudo o que já foi e o que será à minha disposição… exceto o rei mago que eu fui nos últimos dias do universo. Este nunca existiu.



Eu sou Cronus.

5 de agosto de 2016

Livro do Hardman - Bora discutir?

Há muito tempo que não tenho argumentos para histórias maiores como esta. Eu meio que desisti de escrever o livro "mais amplo" para quem não conhece Meliny. O fato de conhecerem a figura é o que causa a surpresa.

Assim, recolhi alguns argumentos para debater com quem ainda tiver interesse no meu projeto. E talvez para repensar Meliny num período que nós meio que ignoramos. A base de boa parte da história (ao menos do continente norte).

PARTE 1 - quebrar todos os mitos.

Como comentei inúmeras vezes no Projeto Meliny como um todo, Quando abordamos RCs muito antigos e sobre deuses,  seria recomendável ser simbólico, metafórico e maleável. O RC original de Nod dá a entender que o dragão Euburot "decidiu" matar todos os humanos, e por isso se passou por um marido, para achar uma aldeia, e matou todo mundo menos sua esposa grávida. No mesmo dia Nod nasceu, mataram a mãe dele, e por isso ele chamou um demônio de quem bebeu sangue e virou deus dos vampiros.
 
Falando em jovem precoce...

No meu rascunho, isso duraria CINQUENTA ANOS. Quem lembra do PBEM teve algumas revelações do que eu tinha em mente desde boa parte do RC. A começar que o Grande Euburot não era essas coca-colas todas nessa gênese. Claro, tinha uma vantagem genética de "ser um dragão", mas ele era pouco maduro e profundo em suas motivações. Mas mesmo eu teria dificuldade de fazer toda a romanização se não fosse o participante conhecido por Mago D’zilla.

 Mestre de criar Backgrounds para personagens passageiros que abalam a história de Meliny, dois RCs tornaram possível juntar os pontos.

 O primeiro, Styrg.

 Euburot era “a sombra do pântano”, a ameaça que deixava os homens acordados à noite. Ele era um símbolo de medo que com os milênios criou a lenda de um dragão ancião irrefreável, quando ele deveria ser um dragão consideravelmente jovem. Mas não havia nenhum dragão ou coisa assim nas proximidades, pois os dragões de Meliny estavam sendo ou EXECUTADOS ou ALICIADOS no coração do continente, pelo ascendente draco-imperador Styrg. Isso dá a ele destaque. O jovem e maligno dragão negro decidiu se afastar de onde o conflito ardia, e com a maturidade, acabou sendo seduzido pela glória que era o Trono do Verde. E dando a ele a chance de matar o príncipe deste mesmo trono, como na primeiríssima menção de Styrg.

O Segundo RC (que não era RC)  do D’zilla que une tudo foi o do Xarda Ross.

Sempre tive minhas ressalvas com os povos do mundo saindo da espaçonave da xuxa..., mas um povo evoluído destinado a guiar seus irmãos novatos, e depois se isolando – por motivo justo ou não – é tolkeniano! Basta ser genérico. Por que eles decidiram isso? Todos eram iguais mas alguns eram "mais iguais" que os outros?

Pegando o RC bruto: Euburot - agora não mais o maior dos dragões malignos, mas um babaca que se esconde – Decidiu matar todos os humanos, e se esconder no meio deles para achar mais e matar mais..., mas era mesmo os HUMANOS que ele queria o fim?

Ou esses evoluídos seres antigos? O Homem moderno no meio dos neandertais?
Euburot não podia ir ao lado leste de Meliny pois tinha um “cara” que comia dragões para o café da manhã..., mas no Pântano, ele era o bambambã. A “Sombra”. De repente ele ouve que há criaturas que podem ameaça-lo entre esses macaquinhos? Ele tinha de saber mais.

O primeiro, que ele encontrou brevemente no pântano, ele destruiu. Bem como seus protegidos. Mas se ele descobre que haviam mais deles? A única coisa que tinha dos triclopes eram os macacos.

Daí, uma caçadora sobrevivente do massacre inicial seria a melhor forma de encontra-lo. Ela pensava como os humanos. Havia convivido com os triclopes. Bastaria garantir a sobrevivência dela por tempo suficiente para que conseguisse mais pistas.

Daí, uma mulher leva a Sombra do Pântano para uma nova aldeia. E o resto é história.

PARTE 2

“Mãe” (Ainda me debato com o nome da genitora de Nod) Era uma sobrevivente nata. Sobreviveu a sua versão de Hiroshima e Nagazaki. Claro, na sua primeira fuga havia um caçador a protegendo das ameaças do mundo primitivo e selvagem antes da iluminação de Luminahak..., mas depois do segundo Homem de Três Olhos perecer, ela já era experiente. Auto-suficiente.
Mas agora tinha de cuidar de outra vida.

“Mãe” tinha de esconder que ela era a “esposa de Euburot”, uma criatura de mal presságio. Nova vida começava para ela. E o fato de ter um filho que mostrava ser uma criança forte garantiria a manutenção da raça humana – como foi programado por menos de duas gerações.

E assim, de tempos em tempos – quando perguntas demais eram feitas – ela e seu filho voltavam à floresta, para se afastar de inquisidores. Mas ela envelhecia e ficava fraca, enquanto Nod ainda demoraria para se tornar um homem. Ela pingava pelas tribos.
A esta altura, os mais sábios perceberam que Euburot não estava caçando necessariamente humanos..., mas aqueles guiados pelos homens de três olhos. Então, viver entre as comunidades era ser um grande alvo ao dragão. Pela segurança dos Antigos, eles passaram a ver os humanos à distância. Isso justificaria um gap tão grande entre as duas raças que os levariam ao status atual. Humanos são bárbaros barulhentos que não podemos nos aproximar por.… que motivo mesmo? Nem me lembro mais. Mas são incorrigíveis.

Massas são previsíveis a ponto de serem equacionados, mas o indivíduo é imprevisível.

Quando não conseguiu mais se esconder, mesmo com Nod já um adolescente (adulto para os padrões primitivos, com seus 12-14 anos) e com vantagens genéticas de ser um meio-dragão, um grupo humano avança violentamente. “Mãe” perece nas chamas.

As Lendas dizem que “graças a seu sangue meio-dragão, Nod sobreviveu”. Mas dragões negros não possuem resistências especiais a não ser a ácido ou gases, formas de morte evoluídas demais para um povo primitivo.

Nod acorda em um acampamento provisório. Percebe que seu vigor o manteve nas chamas até que alguém o salvasse. Alguém que tinha pesar pelo que a humanidade fazia.

Um Homem de Três Olhos.

Não podendo fazer nada pelo casal, com as “novas ordens” de não se estabelecer muito próximo daqueles bárbaros, o antiquou resguardou uma das vítimas. O fato dele ser “O Drácula”, alguém a ser temido, deu a inspiração. Os Antiquons não poderiam mais guiar os humanos em comunidade..., mas um humano poderia ter o poder e respeito.

O Triclope decide treinar Nod para ser o que os Antiquons não podiam mais ser.

O problema: Nod não pode perdoar os humanos pelo que fizeram. E o próprio antiquon não tem motivos para amar a humanidade também. Acaba ao contrário: Nod contamina seu “Mestre” com a arrogância e o afastamento do Antiquon de sua missão divina primordial.

Foi o motivo para eles se mudarem para seu próprio mundo secreto? Não..., mas com certeza essas ideias colaboraram.


PARTE 3 - O Páiiii

A Lenda de Nod traz que ele odeia Euburot, mas será mesmo?

Euburot destruiu duas cidades humanas diretamente. Mas “Mãe” – o único ser humano por quem Nod tinha algum apreço, ele poupou. Nod agora era um homem instruído. E viveu como caçador boa parte de sua vida, entre os períodos em que ele e sua mãe viveram com comunidades. Um Dragão atacando criaturas inferiores é como uma raposa caçando ratos na selva.

Ao contrário, quando finalmente Euburot se apresenta a Nod, há uma aura de respeito mútuo.

Explicando: A história não se dá ao redor de um indivíduo, mesmo o protagonista. A Guerra pessoal de Euburot com os antiquons/humanos chegou ao conhecimento do Imperador-dragão Styrg. Era um “pequeno rei” se impondo nos domínios. Então, o Grande Verde soltou um “join us or die”.

Euburot, como falei antes, era um dragão jovem e babaca, não a “Grande Sombra”. Ante um mais velho dando bronca, ele baixou a cabeça e aceitou.

Agora, os domínios humanos eram informalmente parte do Draco Império Styrg. Mas ainda uma fronteira distante e desregulada. Euburot também teve a chance de ter contato com outros dragões e a filosofia Styrg.

Isso não mudaria quem ele era ainda era um perverso e dissimulado. Mas tinha agora “ferramentas“ melhores para aplicar aquilo o qual era bom.

Vou ocultar como, mas Nod em dado momento aplica o que aprendeu com o triclope para se tornar um líder de horda, juntando pessoas e coisas com o mesmo ressentimento que tinha dos humanos. E agora, assuntos do seu território era assuntos de Styrg. Logo, A Sombra do Pântano se revela a Nod. E, respeitosamente, o Dracul se curva ao pai.

PARTE 4 Wen-há? Ainda não.

A ascensão de Nod no Oeste era assunto em Styrg. Humanos existiam em toda a parte do mundo não só na "sombra" do "pântano" da Sombradopântano; e havia “algo de divino” neles. Quando um mestiço se mostrou um potencial líder (mesmo que para o mal e destruição), isso criou fascinação dentre alguns dragões mais “hippongas”, e o malandro Euburot soube usar isso a seu favor.

Euburot apresentou Nod ao Império Styrg como seu filho bastardo. Levou ele para o extremo leste, região dada pelo deus-dragão aos Tatsuo, mais curiosos e apegados aos humanos. Tal qual o dragão negro (embora não acidentalmente), surgia harens dragões com humanos, e essa cria era de grande potencial. Uma “população de Draculs em potencial”. Como um meio-dragão, Nod estaria entre os Cidadãos com categoria. No livro, será um grande momento de humildade para Nod. Seres tão poderosos e evoluídos física e mentalmente quanto ele mesmo.
Isso deu a Euburot prestígio político no Leste, e a Nod uma etapa entre seres tão – ou até mais – evoluídos que seu mestre antiquon.

Neste contexto ele teve contato com o feiticeiro Hadji (lembrando que Haluk-ti era geograficamente próximo a Wen. Foi antes dos cinco deuses-dragões arrancarem a ilha da costa), que começava a desvendar o Hallolands. Aprendeu feitiçaria avançada, e conhecimentos proibidos. Buscou entidades distantes. Não foi só “chamar um demônio e beber de seu sangue”. Nod servia ter seus cinquenta anos neste ponto.
PARTE 5  -  Cuspindo no prato em que comeu

 Estamos num momento que foge totalmente da “Lenda” de Nod. Ele é uma figura de segunda categoria num império, entre seres a quem tolera, mesmo admira. Não odeia seu pai-dragão Nem temos vampiros ainda. Então, quando começa a ser o senhor de todo o mal que foi desde os primórdios do projeto Meliny?

 Bem, com o filho de Styrg.

Imagino que a maquinação de Euburot deu certo. E Mesmo o todo-poderoso dracocrata passou a ter sentimentos pelas gerações vindouras. Sabemos em breve que a criança será assassinada e isso provocará a derrocada do Império... Mas o que temos é criaturas que tendem a viver para sempre se importando ao ponto da autoderstruição pela sua cria.

Imagino que a política de Euburot, de alguma forma, acabou atrapalhando seus planos. Ou seu orgulho de ver uma “criança” ter mais prestígio que ele jamais terá. O fato é: Euburot decidiu pelo fim do filho de Styrg. Seria difícil se livrar do verdão depois dessa... Deve ter sido um momento bem radical -  re-enfatizando que Euburot não era um ancião mais sábio e sim um merdeiro.

Obviamente, Nod seria trazido à ala conspiratória, mas vimos como ele reagiu quando mataram a mãe dele por motivo imbecil. Nod, naquele momento, não teria motivos para aceitar mesmo do seu pai e guardião tal ato. Ele não teria por que aceitar o aborto forçado.

Mas se alguém sabe ser esquivo, é a Sombra do Pântano. No conto original do Dzilla, somente com o despertar do príncipe-dragão-múmia que se descobre que Euburot era o assassino (embora Therak tenha falado numa boa quando descobriu Euburot).

Ah, sim. Penny Hollygood dos Undeads é meio-irmã de Nod, filha de Euburot!

Voltando: O poderoso deus-dragão acabou de voltar de um massacre semanal a um reino humano qualquer – o que deve ter deixado seu súdito Nod muito feliz – para descobrir que sua descendência estava terminada. Isso gerou o fim de Styrg?

Falam que o Dragão dos Dragões simplesmente deixou o mundo.
Sabemos que o ovo passou por um ritual de Mumificação. E Hadji – senhor das múmias – é um dos Regentes das Trevas. Sua ascensão é contemporânea. Imagino que o Dragão desistiu de tudo o que era construtivo. A suspeita sobre Euburot era inegável, e aquele ato sim Nod não poderia perdoar. Temos um racha definitivo entre Euburot e o Dracul, e uma explicação mais "metafórica" para Styrg deixar o mundo. É o executivo que ao perder o filho amabdona a empresa, a igreja que frequentava e os amigos e se perde "nos tóxico".

Agora que temos Nod, Hadji e um dragão juntos... o que isso lembra a vocês?
 
Os Regentes das Trevas.

STYRG era (se tornaria) o JIHOLIAN, o Dragão-lich supremo.
O Imperador deprimido foi levado por Nod a um caminho sombrio, de pactos e rituais. Hadji e Nod agora tinham um poderoso deus dragão como alcoólito. Uma criatura milenar que era a luz da civilização e decidiu largar tudo em depressão, deixando a vacância no poder que levou o continente à barbárie e ao descontrole. Que tirou o que unia os dragões em honra e orgulho e vontaram a ser os monstros que servem apenas como rito de passagem para o nível alto e épico no D&D. Se esse fato era amplamente conhecido, ou se foi ocultado, especialmente para preservar o que foi brilhante, quem sabe? Lendas.

Jade é muito reverenciado na cultura de Wen-há, descendentes da Província de Wen, a única derivada direta do tempo da Dracocracia. Província que algum tempo depois teve similar expurgo de seus dragões mas visto com orgulho. Sendo como uma Bizâncio, Wen pode ter floreado o fim de “Roma” com algo melhor do que seu glorioso imperador virar um gótico. "Ele está em paz, num lugar melhor" é mais reconfortante do que "Ele virou um Lich que precisou de poderes como os dos deuses maiores para parar... e pode voltar a qualquer momento e nos fudê"


Agora, como entraria o Trovejante nessa história?

E Caãnih?

Quando Hallonalds entraria pros Regentes?

Nod virar Vampiro?

Lantaris?

 

...

 

Eu tenho que guardar algo pro livro, não? 

19 de abril de 2016

Sombra do Pântano

Um preâmbulo (não sei se será um capítulo oficial ou um prelúdio) do vindouro livro.


8 de março de 2016

A Espada de Nod

Hannah, a Forjadora dos Deuses. A primeira e uma das últimas dos Titãs. Martelava com a força de seus músculos ampliados pelas bênçãos de suas ferramentas. Um vulcão era a fornalha. Era necessário para gerar o calor suficiente para purificar os metais a serem redobrados e ao mesmo tempo manter o sigilo daquele acordo tenebroso.
Foram semanas só neste processo final. A lâmina era uma peça inteiriça estreita, sóbria e pouco floreada. Ainda assim, uma arma digna de um dos Deuses Guerreiros da corte de Othen, embora destinado a outro. A alguém que, muitos diriam, era menos que digno.
Mas o pagamento era mais valioso do que qualquer obra de arte. Qualquer montante de pedras preciosas ou metais que pudessem ser expelido de estrelas distantes ou do interior dos próprios planos. E ela não podia negar tal bênção ofertada.
O Deus do Sangue ganharia sua espada.
Ele estava lá. Chegara. Ela sentia. Não adentrava à câmera de lava, cujas paredes se incandesciam por um calor de segunda mão. Seria o fogo sua fraqueza? Não. Seria fácil demais. Ele apenas aguardava no conforto de uma antecâmara natural. Ele era pontual, tinha de admitir. Outra arma, Hannah poderia ficar mais tempo trabalhando, e o “cliente” que esperasse. Era a Deusa da Forja, a quem o metal e a rocha obedeciam aos caprichos... Mas aquela pobre folha delgada e inanimada estava destinada à profanação. Queria se desfazer dela o quanto antes.
E a peça de 90 centímetros emergia da última requentação.  Estava amarela brilhante tal qual um sol nascente tamanho o calor aplicado, mas reduz seu brilho à luminescência rubra com o tempo fora do fogo. Assim podia adequadamente mergulhar no gelo de óleos e sais preparados que dariam o tratamento final. Uma coluna de fumaça branca-azulada emerge quando a lâmina beija a tina. Ela se torna negra, exceto pelo delgadíssimo gume, tal qual uma listra cromada que começava na espiga da empunhadura, cruza o guarda-mão e ascendia até a ponta em delta.
Estava pronta, embora inacabada. O cabo e o pomo, e outros detalhes posteriores seriam personalizados pelo que a encomendou. Mas a peça bruta era uma espada digna de Hannah.
Ela caminha solenemente. Produziria um receptáculo e uma bainha se estivesse orgulhosa de seu labor. Mas sentia vergonha. Entregaria apenas o que Nod Dracul pediu, e pelo que ele pagaria. Nada mais.
Para alguém que nasceu homem, ele era titânico. Alto e musculoso, mas seu porte era elegante e imponente. Vestia suntuosa composição de camisa reforçada e colete de ouro em placas ornamentado. Botas pesadas, mas alinhadas à composição. Uma fita presa tal qual uma gravata e afixada num rubi circular que parecia vivo. Mas quase tudo isso ofuscado pela longa capa dupla vermelho-sangue a envolvê-lo. Pousava nos ombros duas vezes, e descia até a altura das canelas de forma esvoaçante. Dela, aquele rosto duro e aterrorizante emergia. Cabelos impecavelmente penteados com um topete e encaminhos nas laterais. Seus olhos semicerrados não demonstravam íris, mas era possível saber para o que ele olhava. Aquilo em que seu olhar pousava sentia o peso do seu julgamento.
E agora, era a espada negra na mão da deusa/titã.
Só depois desse escaninho, Hannah se deu conta do corpo no chão. Fora brutalmente agredido o que parecia ser um drow, um elfo negro sem vida. Suas vestes em farrapos impossibilitavam a identificação, mas o rosto era conhecido de Hannah, o que a fez gelar.
- Esse é Thanberdetris, o Fazedor de viúvas?!? – pergunta enfim.
- O ingrediente do despertar... A alma de um deus. – Thanberdetris, assim como o próprio Nod, havia ascendido dentre seus iguais à divindade menor, e pertencia à corte de Naron. Era um vil assassino, mas tremendamente poderoso e cheio de recursos. Se Nod o derrotou e aparentava tão bem, talvez como guerreiro ele fosse digno de uma espada de Hannah.
- Honestamente... – fala ela. – Pensei que tentaria usá-la contra mim. Mas mais provável que um dos seus asseclas fosse vitimado outra vez.
Ela se referia aos Regentes das Trevas. Era uma corte menor emancipada por Lantaris, composta pelos senhores dos mortos-vivos. O Dracul, deus dos Vampiros, seria um dos componentes, não alguém com liderança, embora considerassem que na prática não fosse assim. O comentário ácido de Hannah referia-se também ao caído Jiholian, senhor dos Liches e dos esqueletos, que muitos suspeitam ter sido arquitetado por Nod.
- Eu me ressinto de que pense que eu me sujeitaria a manobras tão desprezíveis, minha senhora. – fala o Deus do Sangue com leveza, embora sua voz soasse como um rosnado. – O mundo seria um lugar pior sem você e seu ofício, mas ficou muito melhor sem um monstro como aquele. – Nod maneia a cabeça em direção do corpo caído.
- E é isso que tem em mente? Um mundo “melhor”? – protesta intimamente Hannah. – Que seja. Nós tínhamos um acordo.
- Aqueles que vêm de Wehha e do Plano da Infinita Guerra tem a confiança de Othen, por que eu perderia meu tempo com desconfiança minha? – Nod Dracul caminha firme na direção da deusa da forja. – Há muito eu paguei o que você me pediu. Os anões estão livres pela eternidade.
 Os Anões. Foram gerados quando os titãs revoltosos ousaram desafiar os Deuses. Hannah não se uniu à revolta, mas implorou para que recebessem uma nova chance. Desde então, a Deusa da Forja era a guardiã dos anões. Prometera a Nod uma espada digna dos deuses maiores se o mal que corre no sangue dele não afetasse seus protegidos.
- E quanto a minha confiança? – fala ela, ainda hesitando em aumentar ainda mais o poder daquela criatura para proteger os seus. – Como eu posso confiar?
- Cogitei em trazer um dos seus robustos aqui mesmo, executa-lo e conferi-lhe meu sangue pessoalmente. Assistiríamos juntos se ele se ergueria como um filho meu, uma criatura do sangue... Ou se simplesmente definharia e morreria como é o natural. – Nod silencia um segundo ou dois antes de continuar. – Não achei de bom gosto.
Hannah ergue a lâmina... A espada que forjou. Talvez a maior e mais poderosa que já fez arma até então, abaixo apenas da Lancastorm. Ainda hesita.
- Que o tempo diga então se o Dracul trai sua palavra. – fala enfim. Ele não ergueu a mão e pediu... Ele queria que a Deusa lhe entregasse a arma espontaneamente, assinando assim sua complacência com horrores vindouros. – Se surgir um anão com meu sangue, com qualquer similaridade com minhas crias, ele e seu criador serão inimigos tanto seus quanto meus. Até lá, seu sigilo é mais benéfico a você do que a mim. Mas a mancha de eu faltar com a palavra não me é interessante. Agora, minha senhora... Só cabe a você a conclusão.
O que Othen pensaria? Era um acordo digno. Ao Senhor da Guerra, o fato de Nod ser um flagelo ao mundo dos mortais era irrelevante. Ela era a Deusa da Forja. Aplicava seus talentos em prol dos seus protegidos, garantindo potencialmente todas as almas de seu povo – atuais e futuras – da escravidão vampírica. Os termos eram claros, isso não impedia que as crias de Nod se alimentassem deles, apenas que de um anão não nasceria um vampiro.
O peso do mundo estava naqueles quinze quilos de aço-liga de Arkâniun, minério estrelar, Aetérniun e de puras trevas. Era uma arma e um receptáculo. Indestrutível aos meios mortais. A lâmina que cortaria tudo com a qual a força do esgrimista aplicasse. Capaz de absorver as qualidades e essências de tudo o que toca. Potencial simbiôntico com o Deus dos Vampiros. Rasgaria até as dimensões e os caminhos dos planos, se manuseada adequadamente.
Para ativar, faltava a alma de um deus menor. E ai entra Thanberdetris.
Nod segura a peça pelo espigão, ainda sem empunhadura. Aqueles olhos mortos pesam na lâmina. Um sorriso desenha em sua marmórea face. Um discreto sinal de aprovação.
- Como a chama? – pergunta enfim.
- “Espada de Nod”. – Hannah não daria um nome mais rebuscado ou personalizado. Aquela peça teria usos tenebrosos, que constasse apenas o óbvio. Nod Dracul não pareceu decepcionado, insultado ou homenageado por isso.
Agora caminhava até o corpo do deus drow.
- Imagino que tenha resguardado a alma dele. – fala a Deusa. – Era preciso a alma de um deus menor, não um cadáver.
Nod não responde. Apenas se aproxima até ficar a distância da estocada. E de forma firme e lenta, ele a faz. Fazia mira e corrigia o trajeto da ponta.
E o corpo sofre uma convulsão. Hannah se assusta. Podia jurar que estava morto... E sua suposição era muito mais precisa que a mera observação mortal. Eram os sentidos de uma deusa, não uma constatação devido a inércia. No assombro, em uma fração de segundos, ela também constata que o espasmo se deu instantes antes da ponta da folha sequer tocar no corpo. Como se a alma de Thanberdetris estivesse de alguma forma invisível a ela, mas deitada sobre o cadáver.
O cromado da lâmina lentamente se tornava rubro como sangue. Subia à medida que ela ia absorvendo as energias. E o cadáver tremia mais e mais violentamente. Hannah não entendia o que acontecia. Como poderia alguém estar vivo e morto ao mesmo tempo? Derrotar em combate Thanberdetris era um feito de poder bruto significativo, mas aquela perversão da própria natureza dos seres – mesmo considerando que Nod é por si só um deus, um demônio e um morto-vivo – lhe fugia a compreensão.
Mas como lhe foi instruído, uma alma de um ser, não menos que um deus menor, deveria ser sacrificado e seus dons coletados no receptáculo para despertar a arma. Tal qual a vindoura obra maior de Hannah em alguns séculos cobraria sua própria vida, um item único nasceu naquele vulcão.
Uma arma e uma entidade por si só.
Digna de um deus.