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16 de janeiro de 2026

[Meliny] Hobgoblins ll - A Marca Rubra

 


A Marca Rubra do Grande Branco

Trecho compilado a partir do chamado Teoquentum das Terras Abertas,
coleção apócrifa de manuscritos cuja autoria, datação e veracidade permanecem amplamente debatidas.


Para os cartógrafos das Grandes Nações, o Grande Branco é um espaço de omissão: terras abertas demais para serem governadas, selvagens demais para serem reclamadas. Nos mapas oficiais, aparece como vazio — um intervalo entre os Reinos Gélidos do norte e o conglomerado político do centro-sul de Meliny.

Tal leitura, contudo, ignora uma realidade incômoda: há regiões do Grande Branco onde a passagem é tolerada, onde a guerra não se espalha ao acaso, e onde estandartes vermelhos não anunciam caos, mas ordem predatória dos Hobgoblins.

Esse domínio difuso, sem fronteiras fixas ou governo permanente, é conhecido como A Marca Rubra.

Um território marcado, não possuído

A Marca Rubra não é um reino no sentido clássico. Não possui leis escritas, sucessão dinástica ou capital formal. Ainda assim, quando as tribos hobgoblins marcham juntas, o mundo responde como se uma nação tivesse se levantado.

Para os hobgoblins, o território não é algo a ser administrado, mas testado; o poder não é herdado, mas provado; a liderança não é eterna, mas mantida enquanto funcional.

Como os grandes predadores das savanas, os hobgoblins vivem da caça, do deslocamento e da vigilância constante. A cooperação é absoluta, mas jamais sentimental.

O Castelo de Seixos (Angnar)

No coração da Marca Rubra ergue-se o Castelo de Seixos, conhecido nos registros humanos antigos como Angnar.

Outrora uma fortaleza fronteiriça humana, Angnar caiu naquilo que as tradições hobgoblins reconhecem como a Primeira Grande Vitória de Ajub, quando este ainda caminhava como mortal. Sua queda provou que disciplina coletiva e força coordenada superavam muralhas, linhagens e bênçãos humanas.

Restos da muralha original ainda cercam partes do assentamento principal. As pedras foram reaproveitadas e reforçadas — não restauradas.

O antigo templo humano foi convertido em Santuário de Ajub. Vastas seções subterrâneas permanecem inexploradas ou deliberadamente ignoradas, levantando suspeitas sobre câmaras seladas e relíquias esquecidas.

Hierarquia e Castas

A sociedade hobgoblin organiza-se em castas funcionais, moldadas por mérito, utilidade e sobrevivência. No topo estão os Primaz, líderes reconhecidos como primus inter pares.

Abaixo deles, surgem castas guerreiras e caçadoras, treinadas para combate em formação, mas também para avanço silencioso, emboscadas e retirada estratégica.

Othen, Ajub e a Guerra Vivida

Othen, o General Guerreiro, é venerado como ideal supremo da guerra ordenada. Logo abaixo dele está Ajub, divindade menor de importância central à Marca Rubra.

Ajub é lembrado como aquele que ascendeu por encarnar a força coletiva, a disciplina absoluta e a vitória sem desperdício. Se Othen representa a guerra dos deuses, Ajub representa a guerra do campo, da poeira e do sangue seco.

Naron e os Anaronzados

Uma minoria desprezada — os Anaronzados — ainda reverencia Naron, deus dos ardis e dos goblinóides. Embora úteis como infiltradores e intermediários, raramente recebem comando ou confiança plena.

Goblins e Bugbears

Os goblins vivem sob proteção carcerária em guetos vigiados, preservados por utilidade, não por compaixão.

Os bugbears ocupam regiões reconhecidas como Território Bugbear. Seus clãs são independentes, temidos e, ocasionalmente, contratados como força bruta.

Uma nação que nega ser uma

Para as Grandes Nações, a Marca Rubra é apenas uma aliança instável de tribos. Para quem vive no Grande Branco, a verdade é outra: não há trono, mas há comando; não há lei escrita, mas há consequência; não há fronteira, mas há limite.

E o Castelo de Seixos permanece ali, silencioso, lembrando que até muralhas humanas podem cair.

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