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16 de janeiro de 2026

WSDMHD - O QUEIJO

 

Nova série: WSDMHD - WHAT SHOULD THE DUNGEON MASTER HAD DONE


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O que o DM deveria ter feito (e como eu deveria ter me portado)


> Este texto descreve um caso real.

O desfecho, porém, é wish fulfillment: não foi o que aconteceu, mas o que deveria ter acontecido.




Durante uma campanha, meu personagem recebeu — sem que eu pedisse — resistência a dano de veneno e à condição envenenado. Era um prêmio narrativo, dado pelo próprio DM, ligado a uma benção divina. Ao longo da campanha, curiosamente, jamais fui atacado por nada que causasse dano de veneno. Fato que é um redflag por si só.


Até que surgiu o Queijo Goblin.


O queijo era um elemento central de uma guerra: os goblins o adoravam, as demais raças o consideravam um risco sanitário. Narrativamente, era um ótimo gancho. Mecânica e dramaticamente, também poderia ter sido.


Meu personagem tinha Constituição 16, a já citada resistência à condição envenenado (termo umbrella do D&D para algool, doenças e tóxicos) e, como paladino, acesso a Lay on Hands para remover doenças. Ainda assim, decidi provar o queijo — por escolha de personagem, não por desafio mecânico. Era uma decisão interpretativa: curiosidade, diplomacia cultural, arrogância ou simplesmente coerência com alguém que acredita estar protegido.


O que o DM deveria ter feito


O DM tinha várias opções boas. Nenhuma envolvia invalidar ficha, prêmio ou regras básicas.


Opção 1 — Honrar as habilidades


> “Você sente o gosto horrível, o estômago revira, mas seu corpo aguenta. Os goblins observam decepcionados: você não vomita como eles.”




Resultado:


As resistências importam


A decisão do jogador importa


O mundo reage de forma coerente



Opção 2 — Teste significativo


> “Mesmo com suas resistências, isso é algo fora do comum. Faça um teste de Constituição com vantagem.”




Resultado:


Há risco, mas não arbitrariedade


O sucesso ou falha gera consequência proporcional



Opção 3 — Recontextualizar o efeito


> “Isso não é veneno nem doença. É um ritual cultural goblin, algo mais psicológico e social do que fisiológico.”




Resultado:


A ficha não é negada


O elemento narrativo ganha profundidade



Opção 4 — Conversa rápida fora do jogo


> “Olha, essa cena depende de alguém passando mal. Você se importa se, apesar das resistências, isso acontecer uma vez?”




Resultado:


Consenso


Respeito


Jogo colaborativo



Qualquer uma dessas opções teria funcionado.


O que o DM não deveria fazer


Declarar que “todo mundo vomita” sem teste


Ignorar resistências concedidas por ele mesmo


Bloquear cura e remoção de doenças arbitrariamente


Transformar uma escolha do jogador em punição automática


Usar escatologia como substituto de consequência



Isso não é desafio.

Não é drama.

É invalidação retroativa.



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E como eu deveria ter me portado (wish fulfillment)


No mundo ideal, eu teria feito algo simples, calmo e público:


> “Só para confirmar: isso ignora resistência a veneno, imunidade à condição envenenado e Lay on Hands?”




Diante da confirmação, a pergunta seguinte seria inevitável:


> “Então qual foi a função mecânica e narrativa de me dar essas habilidades?”




E, não havendo resposta clara ou lógica:


> “Ok. Nesse caso, eu não estou confortável jogando num cenário onde recompensas e habilidades são invalidadas quando entram em conflito com a narrativa. Vou me retirar.”




Sem ironia.

Sem discussão longa.

Sem tentar “ganhar”.



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Conclusão


O problema nunca foi o queijo.

Foi o padrão.


Quando um DM cria uma situação especificamente para atravessar defesas do jogador, não está propondo um desafio — está testando submissão.


E quando a única resposta possível é adoecer, falhar ou ser ridicularizado, independentemente da ficha, não estamos mais jogando RPG. Estamos assistindo a uma cutscene onde os dados ainda são rolados por hábito.


Esse texto não é sobre rancor.

É sobre como isso poderia ter sido bom — e como, no futuro, eu escolho não participar quando não é.

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