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16 de janeiro de 2026

[MELINY] HOBGOBLINS

 

HOBGOBLINS

As Manadas de Guerra de Meliny


“O hobgoblin não nasce para caçar sozinho. Ele nasce para ocupar posição.”
— comentário marginal no Teoqüentum, autoria disputada

Os hobgoblins são goblinóides de postura ereta, musculatura densa e olhar atento, conhecidos em Meliny por sua disciplina marcial, hierarquia rígida e instinto coletivo. Embora compartilhem ancestralidade com goblins e bugbears, diferem profundamente destes em sua forma de existir: o hobgoblin não se percebe como indivíduo isolado, mas como parte funcional de um corpo maior.

Eruditos frequentemente os comparam aos leões das savanas: predadores sociais, organizados em grupos estáveis, onde cada membro ocupa uma função clara. Assim como esses grandes felinos, hobgoblins não dependem da força individual, mas da coordenação, do silêncio compartilhado e da pressão exercida no momento certo.

Um hobgoblin sozinho não é símbolo de independência — é sinal de falha estrutural.


Instinto Social, Caça e Silêncio

Hobgoblins caçam, marcham e guerreiam em formação. Sua subsistência raramente depende de impulsos caóticos ou bravatas individuais. A caça é um exercício de guerra: posições definidas, avanços sincronizados, recuos calculados.

Apesar da imagem marcial, muitos observadores cometem um erro fatal: subestimar a capacidade furtiva dos hobgoblins. Eles não se movem em silêncio por instinto solitário, mas por disciplina coletiva. Quando uma unidade hobgoblin avança sem ser percebida, não é porque cada um é excepcional — é porque todos obedecem ao mesmo ritmo.

Há relatos de sentinelas humanas atravessadas por lanças sem jamais ouvir um grito de comando. Entre hobgoblins, o silêncio é parte da formação.

Mesmo em tempos de relativa paz, suas comunidades mantêm treinamento constante. A guerra não é exceção: é o estado no qual a sociedade hobgoblin funciona plenamente. Eles não buscam conflito por prazer, mas porque a ordem só se revela sob pressão.


Castas Hobgoblins

A sociedade hobgoblin organiza-se em castas funcionais, definidas menos por herança e mais por utilidade. Embora existam variações regionais, certas funções se repetem em quase todas as manadas.

Os Comandantes existem para manter a coesão. Sua autoridade não vem do sangue, mas da capacidade de preservar a formação quando tudo ameaça ruir. Um comandante que perde sua unidade perde também o direito de liderar.

Os Guerreiros de Linha formam o núcleo da sociedade. Treinados desde cedo para lutar lado a lado, raramente desenvolvem identidade separada da unidade. A glória individual é vista com suspeita; o mérito pertence à manada.

Os Caçadores e Batedores existem, mas não ocupam o prestígio que teriam entre goblins. São necessários, eficientes e silenciosos — e justamente por isso, descartáveis se falharem.

Há ainda os Ferreiros, Intendentes e Instrutores, responsáveis por manter a legião armada, alimentada e disciplinada. Para um hobgoblin, quem sustenta a guerra é tão vital quanto quem empunha a lâmina.

Por fim, existem os Exilados Funcionais: hobgoblins afastados de sua manada por falha, desonra ou cálculo estratégico. Diferentemente de párias em outras culturas, estes ainda são vistos como recursos potenciais — armas guardadas para outra guerra.


O Teoqüentum e o Cisma

Grande parte do que se discute sobre a origem dos hobgoblins provém do Teoqüentum: um conjunto de livros apócrifos, comentários marginais e tratados teológicos de autoria incerta e veracidade questionável.

Templos oficiais frequentemente o denunciam como heresia, mas o Teoqüentum persiste, não por afirmar verdades absolutas, mas por preservar versões contraditórias. Sua força está justamente em não resolver o conflito.

Segundo a leitura hobgoblin mais difundida, Naron, Deus dos Ardis e criador dos goblinóides, apresentou sua raça como obra imperfeita, tolerada — não celebrada. Essa tolerância teria sido o verdadeiro insulto.

Daí nasce o Cisma Hobgoblin: o afastamento consciente de seu deus criador. Para eles, Naron falhou não por erro, mas por aceitar a própria mediocridade.

Ainda assim, existe uma casta minoritária — os chamados anaronzados — que continua a venerar Naron. São vistos com desprezo, mas tolerados como espiões, infiltradores e assassinos. Em certas guerras, o ardil ainda é útil.


Othen, Ajub e a Guerra Aceitável

Em oposição direta a Naron, os hobgoblins voltaram-se para Othen, Deus da Guerra, Leal e Neutro. Não por devoção emocional, mas por pragmatismo.

Othen não exige linhagem, não promete destino, e aceita valor medido em disciplina, sacrifício e eficiência. Ainda assim, jamais acolheu os hobgoblins plenamente: suas práticas frequentemente tensionam os limites da Guerra Justa.

Logo abaixo dele encontra-se Ajub, divindade menor da Força e da Coesão Marcial. Segundo algumas tradições, Ajub foi um mortal elevado após morte exemplar; segundo outras, foi apropriado e reinterpretado.

Para os hobgoblins, Ajub representa aquilo que Othen não oferece: validação interna. Ele não julga se a guerra é justa — apenas se foi travada corretamente.


Relação com Outros Goblinóides

Hobgoblins veem os goblins como parentes instáveis: úteis como batedores e saqueadores, mas incapazes de sustentar ordem duradoura.

Os bugbears são respeitados como força bruta, mas considerados perigosamente individualistas. Quando goblinóides marcham juntos, alguém precisa manter a formação.

E esse alguém, inevitavelmente, é o hobgoblin.


“Se uma raça é capaz de rejeitar seu criador, organizar-se apesar disso e continuar a marchar, então não é defeituosa. É completa.”

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